Retinas

Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Ópio do povo?

Publicado por gabrielamoncau em 11/Novembro/2007

Por Gabriela L Moncau

     Praça da Sé. Um homem alto, de terno cinza e gravata, falando alto e chamando atenção, dentro de um quadrado de giz pintado no chão. Bíblia na mão.

     “Isso não é heresia não, eu sou o bispo da palavra de deus! Quando você tem coração aplicado e sincero à Jesus, ele responde à sua oração! As portas só vão abrir na sua vida quando você tiver crença e fé em Cristo! Aleluia!”

     Em torno do quadrado de giz umas 25 pessoas assistem concentradamente o homem. Um mendigo deitado ao lado, bêbado, às vezes acorda, às vezes volta a dormir. Está sujo e descalço e o sol do meio-dia a pino começa a esquentar o ambiente embaixo de um céu azul e limpo. Um dos homens que está ouvindo o evangélico falar, usando um boné verde, se aproxima do mendigo e deixa ao lado dele um pé de sapato. Em seguida, volta para a roda e continua atento a ouvir o que lhe é falado, muitas vezes completando com “aleluias” e “deus seja louvado”.

     “Jesus é misericordioso, ele deu o caminho!” continua a gritar o evangélico “Jesus é a porta verdadeira! Há muitas portas, o das drogas, o da prostituição, mas a porta verdadeira é da igreja evangélica! Sem Jesus Cristo o homem não é nada, ele é a única salvação!”
Ao mesmo tempo em que essas palavras são pregadas, um menino passa em volta da roda, distribuindo um panfleto da Bola de Neve Church, no qual estava escrito: Você quer felicidade, paz, saúde e família unida? Jesus é a salvação.
 
     O homem de boné verde que havia dado um sapato para o morador de rua começa a se afastar da roda e sai andando pela Praça da Sé, se distanciando da Catedral. Fui conversar com ele. Chama-se Maurício Ribeiro de Salles e mora em Santo Amaro. Perguntei sobre a religião evangélica, sobre suas crenças e fé. “Olha menina, eu não acredito em nada que esses caras falam não. Se eu te dissesse outra coisa eu seria um mentiroso. Sou cabá da peste, baiano de salvador. Não sou dessa religião, não acredito na igreja evangélica, mas também não sei no que eu acredito não. Você, menina, você trabalha e ganha, eu não ganho nada. Tenho só um carrinho de pobre, de pobre mesmo, não tenho nada a perder. Eu tô assim porque eu quero, mas eu não tenho nada a perder então eu paro e escuto. Por quê eu não vou escutar uma pessoa falando em deus? Mas não sei nada, se eu te dissesse outra coisa eu seria um mentiroso.” Virou-se, andou um pouco e entrou em um bar.

     O pregador, depois de algum tempo, encerrou sua fala e pediu contribuição à sua platéia e pessoas passando na rua. Entre algumas moedas e notas, percebi uma nota de vinte reais ser recolhida. Agradeceu a todos e enquanto pegava uma maleta e arrumava suas coisas, se dispôs a responder algumas perguntas à nós, estudantes da PUC.
Perguntaram se ele não se sentia constrangido de aceitar dinheiro de pessoas de fé, porém que muitas vezes estavam contribuindo com o dinheiro que compraria a única refeição do dia. Ele disse que não, pois ninguém era obrigado a colaborar, as pessoas só obedeciam ao coração e que ele estava orgulhoso e satisfeito por trazer as palavras de Jesus para quem quisesse ouvir. Em relação à vestimenta, explicou que o terno e a gravata serviam para ganhar credibilidade, apesar de que muitas vezes, seu público já era conhecido e frequente.

     Muito difícil fazer a distinção do pregador ser uma pessoa de tal fanatismo religioso a ponto de tornar-se imune ao olhar crítico de todos em volta ou se é mesmo uma espécie de picaretagem e o homem utiliza disso para sustentar sua sobrevevicência. É necessário também levar em conta que os pregadores arcaicos e tradicionais não pediam contirbuição financeira ao final da fala.

     Um dos pressupostos da teoria marxista é de que “a religião é o ópio do povo”, por alienar e mascarar a realidade. Marx acusa a religião de manipulação, de sempre ter sido aliada ao poder das elites dominantes e de ser um mecanismo de controle e coesão.
Enquanto isso, para Max Weber todas as sociedades estão em processo de desencantamento da religião e de misticismos, para dar lugar à valorização da razão lógica e da reflexão em cima da realidade concreta.

     Weber errou, e o que acabou por se dar foi o desencantamento com o próprio mundo. São poucos os que suportam viver no sistema capitalista pós-moderno apenas na racionalidade. Quando não se tem onde morar ou o que comer, o desespero necessita de uma esperança confortante, um apoio, uma fé e então se baseiam na religião como algo que os sustente em pé.

     Durkheim, grande estudioso da sociologia moderna, ressalta o importante papel da religião no papel de coesão social dos indivíduos. Difícil aguentar o modo como se vive sem se identificar e ter algo em comum com outras pessoas, viver em comunidade, e juntar-se a grupos. É um dos importantes pontos da religião na sociedade pós-moderna, e um dos argumentos para a tese de que é impossível que a religião um dia seja extinta, por ser uma necessidade humana.

     Revoltante, porém, o abuso que grandes nomes, organizações e igrejas fazem da fé da população. Entre muitos, destaca-se Edir Macedo com a Neopentecostal Igreja Universal do Reino de Deus. Como lutar contra a manipulação e o abuso de uma cega fé que por mais alienada que seja, acaba se tornando a única esperança de muitos para suportar o desigual e revoltante mundo que vivemos?…

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Nando Reis toca dia 14 em Sampa

Publicado por Marcelo Martino em 8/Novembro/2007

Por Marcelo Martino

     O cantor e compositor Nando Reis volta a sua terra natal no próximo dia 14 em turnê de seu novo disco “Luau MTV”, sétimo CD da carreira solo do ruivo, gravado na praia Vermelha, litoral norte de São Paulo e que conta somente com instrumentos acústicos.
    
     Acompanhado pela banda Os Infernais, formada por Carlos Pontual (guitarra), Felipe Cambraia (baixo), Alex Veley (teclado) e Diogo Gameiro (bateria), Nando sobe ao palco do Credicard Hall pra tocar novas versões de músicas como N, Espatódea, Monóico e Sou Dela, do álbum anterior Sim e Não, e as clássicas Por Onde Andei, A Letra A, Luz dos Olhos, Relicário e outras. Além das inéditas Tentei Fugir e Negra Livre, feita em homenagem à cantora paulista Negra Li.
    
     O show está previsto pra começar as 21:30 hs, e os ingressos variam de R$ 30,00 a R$ 90,00. Provavelmente essa será a última apresentação do cantor esse ano em São Paulo.

     Credicard Hall, Av. das Nações Unidas, 17955, (11) 6846-6000. 

     Para ouvir o CD Luau MTV:

http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umcd&nomeplaylist=009641-6<@>Luau_MTV
 

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Semana Acadêmica discute problemas da África

Publicado por caboehm em 7/Novembro/2007

Por Camila Boehm 

     “A África e o Terrorismo” foi o tema do simpósio das 18 horas do dia 25 de outubro coordenado pelo professor do curso de Relações Internacionais Cláudio Oliveira Ribeiro.

     Três alunos apresentaram seus estudos relacionados à África: sobre refugiados africanos no Brasil, disseminação do terrorismo e instabilidade política e Estados falidos.

   Ao chegar aqui, o refugiado pode procurar a Caritas ou a Polícia Federal e sua solicitação de abrigo é encaminhada a um comitê que julga as informações e motivos da fuga do estrangeiro para acolhê-lo ou não. Esse sistema é falho e não tem como avaliar corretamente cada depoimento, porque falta recurso e a comissão julgadora é pequena.

     A maioria dos que pedem abrigo foge das guerras civis no continente africano. O terrorismo não é a causa dessa instabilidade política, mas contribui para ela.

     Os territórios da Eritréia e da Somália têm grandes problemas com o terrorismo e vivem na iminência de uma guerra desde 2000. Já a Etiópia combate as frentes libertadoras (grupos terroristas) através da conquista militar.

     Os Estados falidos africanos são caracterizados pela crescente corrupção, elite predatória e falta de Estado de Direito. Depois da Segunda Guerra Mundial, os conflitos intraestatais aumetaram nos países mais vulneráveis, com risco de falência.

     Dizia-se que as agitações na África se davam pelo conflito bipolar da Guerra Fria, mas mesmo com o fim desta, os combates em território africano continuaram. As interferências estrangeiras e conseqüências da divisão do continente pelos europeus deixaram e ainda deixam suas marcas violentas entre o povo africano e em sua cultura.

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Djavan volta a São Paulo após três anos

Publicado por dmekari em 2/Novembro/2007

Por Danilo Mekari

     O cantor e compositor Djavan não dava shows na capital paulista desde 2004, ocasião em que lançou seu então novo disco “Vaidade”. Após mais de três anos — sendo que nos dois últimos não deu as caras em lugar algum —, Djavan retorna a cidade para uma mini-turnê que terá mais três apresentações (de 2 a 4 de novembro), além das quatro já realizadas.

     Segundo o próprio, a pausa ocorreu pelo fato de sua esposa ter enfrentado uma gravidez muito difícil para nascer Inácio, o caçula do casal, que tem apenas dez meses. Outros filhos do cantor, Max e João Viana integram a banda que o acompanha — tocam guitarra e bateria, respectivamente —, além de Sérgio Carvalho (baixo), Renato Fonseca (teclados), Marcelo Martins, François Lima e Walmir Gil (trio de metais).

     O trigésimo ano na carreira do alagoano de Maceió também marca o lançamento de seu décimo oitavo álbum, nomeado “Matizes”, e as novas apresentações fazem a propaganda das 12 novas músicas assinadas pelo cantor. A gravadora é a Luanda Records, selo criado por Djavan. É bom lembrar: o músico tem um estúdio profissional em casa.

     O show

     Sexta-feira, dia 26. Aos poucos, o trânsito na rua Jamaris melhora, à medida que a hora marcada para o show se aproxima. Poucos chegam atrasados, e cabe uma explicação: não há lugar marcado nas mesas. Restará a pior posição em relação ao palco para quem por último chegar. O lugar está abarrotado; todos os ingressos foram vendidos. Com início previsto para as 22h, as cortinas sobem exatamente 22h25. Os aplausos são muitos, e só sucumbem quando Djavan sopra as primeiras melodias de uma nova canção.

     A seqüência de músicas — o famoso “set list” — foi bem escolhida: após cada música nova (muitas vezes desconhecidas) vinha uma clássica, em que a platéia descobria o poder de sua voz. É uma boa estratégia para o público ‘não cansar de não cantar’ e até mesmo o oposto. A freqüência ‘desconhecida depois conhecida’ não agüentou até o final, que foi dominado pelos maiores clássicos de Djavan.

     “Faltando um pedaço” é aplaudida do início ao fim, assim como “Eu te devoro” e “Flor-de-lis”. Djavan fala sobre o Rio de Janeiro — onde cresceu artisticamente — antes de declarar-se à cidade na canção “Delírio dos mortais”, que tem um quê de bossa nova no melhor estilo da música carioca. Djavan também sabe surpreender: todos ficam boquiabertos quando toca “Sorri”, tradução que ele mesmo fez para a música de Charles Chaplin, “Smile”.

     Em “Oceano”, mal se ouve a voz — afinadíssima, sempre — do cantor. Já nas primeiras palavras, o canto da platéia supera o do músico. Nas músicas dançantes que marcaram tanto seu estilo, Djavan arrisca uns passos e as mulheres gritam adjetivos para ele. O trio de metais não pára de dançar um minuto sequer: quando o público percebe, começa a dançar junto com eles.     

     No fim da apresentação, ninguém mais está sentado. À frente do palco, mulheres e até marmanjos se apertam para chegar mais perto do ídolo. Djavan cumprimenta a maioria, enquanto embala seus maiores sucessos, “Azul” e “Sina”. Quando finge que acabou, a gritaria é ensurdecedora, aliada aos assovios no tom mais agudo. Djavan aceita voltar, e encerra o show com “Se” e “Lilás”. E todos aplaudem de pé.  A turnê ainda passará pela Europa, Japão e Estados Unidos. O público aprovou, e quem puder ir, vá. Vale a pena.

     Todos sentiram falta de clássicos como “Nem um dia”, “Fato consumado” e “Samurai”, mas  mesmo assim a seleção de músicas foi considerada ótima. Um dos destaques do show foi “Imposto”, canção que figura na última obra do cantor.

     Político

     Atualmente ele se considera apolítico, mas ainda é simpatizante do Partido dos Trabalhadores. Djavan defende ferrenhamente a reforma agrária e mostra preocupação com a saúde e educação. Como artista, Djavan faz o que pode para participar de campanhas sociais que apóia.

     “Imposto”, música inédita, está cheia de críticas a todos os governantes do país. “Integração Social aonde? Só se for no carnaval” e “Pra quem vai tanto dinheiro? Vai pro homem que recolhe o imposto / pois o homem que recolhe o imposto / é o impostor” são alguns dos versos. Quem será o impostor? 

     Ainda no fim da música, Djavan implantou frases do tipo “o voto no congresso tem que ser aberto / o povo tem que saber em quem você votou“, crítica direta ao escândalo Renan Calheiros.

Djavan. Citibank Hall, Av. dos Jamaris, 213, tel (11) 6846-6040. De 2 a 04/11. Sexta e sábado, às 22h, e domingo, às 21h. De R$ 80 a R$ 140. 
 

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Alunos de Letras ressaltam a importância do teatro para a formação crítica do indivíduo

Publicado por nathynhan em 1/Novembro/2007

por Nathália Nhan

     Sexta-feira, dia 26 de outubro, foi a vez dos alunos do curso de Letras demonstrarem seus projetos na Semana Acadêmica da PUC-SP. Este simpósio de número 52, intitulado “Projetos de linguagem e cultura-teatro”, incluía quatro apresentações e foi realizado na sala 06ca às 21:30, seguindo o mesmo tema que já havia sido exposto durante a manhã na sala 42ca, também na Comfil.

     O primeiro projeto, orientado pela Prof. Dra. Eliane Gonçalves, do Departamento de Lingüística, apresentou uma base teórica da utilização do teatro como meio para a construção do indivíduo, baseando-se em ideais de Nitzschie, Brecht e Spolin.

     Em seguida, o tema abordado pelo segundo grupo, com a orientação da Prof. Dra. Sandra Mraz do Departamento de Arte, foi a importância do teatro como meio de formação de uma consciência crítica e inclusão no exercício da cidadania. Inserido durante o ensino escolar, ele abordaria assuntos relacionados ao universo da criança, para que ela pudesse entender e se interessar pela questão proposta.

     Tendo como público alvo o Ensino Médio e guiado pela Prof. Dra. Flamínia Lodovici, também do Departamento de Lingüística, o terceiro grupo enunciou que, através do teatro, é possível ampliar a visão do aluno, não só através da interdisciplinaridade, mas também porque ele vai além da interpretação do ator, envolvendo figurino, montagem de cenários, direção; aprimora a sua leitura e sua interpretação e estimula a criatividade. O grupo também mencionou que para fazer o aluno se interessar, é preciso levá-lo ao teatro, não deixando de citar as regiões carentes que não têm acesso ao mesmo, para que dessa forma, possa conhecê-lo.

     Também coordenado pela Prof. Dra. Flamínia, o último grupo a se apresentar tratou da relevância do teatro na formação política durante a adolescência. Citando que a educação vai além da sala de aula e mencionando o teatro brechtiniano, destacaram que o teatro pode melhorar a relação dialética do indivíduo com os que fazem parte do seu meio. A formação política se dá porque preocupação do ator vai além da atuação. Ele passa uma mensagem ao público e é tido como um porta-voz de questões políticas. O grupo, ainda, fez questão de ressaltar que o jovem deve entender a sua realidade, pois é um espectador do mundo. Para elucidar essa questão, foi lido o poema “O Analfabeto Político” de Bertold Brecht:

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

     Basicamente, o público desse simpósio era formado pelos alunos de Letras que permaneciam na sala por estarem em horário normal de aula. Foi uma pena a falta de organização e a má divulgação dessas palestras, pois os temas eram muito interessantes e, se tivessem sido corretamente noticiados, certamente teria muito mais espectadores.

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Semana Acadêmica discute religião

Publicado por Luana Lila em 31/Outubro/2007

Por Luana Lila

     A Semana Acadêmica da PUC-SP trouxe a oportunidade de reflexão e troca de conhecimento. Durante as atividades os alunos puderam expor suas teses, pesquisas e iniciações científicas para a comunidade.

     No dia 26 de outubro, oito alunos se reuniram para discutir seus trabalhos sobre Filosofia da Religião, com a coordenação de Luiz Felipe Pondé. 

     Por ser um tema abrangente, os trabalhos era bem diferentes entre si. Foram desde o erotismo na religião até Dostoiékski e o despedaçamento do ser. 

     Sentados em uma grande roda, cada aluno tinha cerca de dez minutos para ler a introdução de suas pesquisas e, em seguida, recebiam a avaliaçao e os comentários do coordenador. 

     Para o ouvinte que não conhecesse o tema era difícil se interessar pela discussão, pois trata-se de algo muito específico. A filosofia da religião é múltipla, mas, como afirma o programa do curso de pós-graduação, capacita o pesquisador a entrar no diálogo com a difícil tarefa de re-introdução da questão religiosa no debate contemporâneo.

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Pedagogas expõem seu TCC durante a Semana Acadêmica

Publicado por carlacarrara em 30/Outubro/2007

Por Carla Carrara

     Na última quinta-feira, 16 de outubro, durante o 1° Congresso de Pesquisa Discente da PUC-SP, cujo simpósio foi “A pesquisa e os desafios da contemporaneidade: educação, ambiente e vida”, ocorreu a palestra, cujo tema foi “Os desafios educacionais relativos à uma criança de 0 a 6 anos em sua realidade concreta” com a Professora Doutora e Orientadora Neide Barbosa Saisi.

     A apresentação, realizada na sala 240 do prédio novo, deveria ter início às 19h, porém iniciou às 19:45h devido a problemas técnicos com o data show. A proposta do trabalho era a apresentação do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de 5 garotas que estavam na finalização do trabalho; e de uma Iniciação Científica de uma aluna que concluiu o trabalho ano passado.

     Os temas dos trabalhos têm uma relação entre si. Maria Inês iniciou a apresentação da sua Iniciação Científica, que foi posteriormente um complemento para o Doutorado de Neide Saisi, cujo tema era: “Interação entre Escola de Educação Infantil e Família”. Após uma longa pesquisa de campo, Inês afirma que “há um descompasso entre as normas da escola e as normas que devem ser seguidas em casa”. O pai deixa seu filho na escola com seus conceitos pré-estabelecidos e não participa do que a escola tem a oferecer, prejudicando o próprio filho. O que é muito comum acontecer quando o aluno está indo mal na escola é um querer colocar a culpa no outro; um reconhece a importância do outro, mas não quer a culpa para si. Então chegou a conclusão de que deve ser feito uma parceria entre Escola e Família com um único foco: o aluno.

     Danielle Rodrigues assumiu o papel da apresentação. O tema do seu trabalho é “A importância do brincar na Educação Infantil”, que foi tratado também na apresentação seguinte, a de Paula Schein. O foco do trabalho foi: Porque o brincar é importante no desenvolvimento da aprendizagem e no desenvolvimento infantil? Há um grande preconceito dos pais com relação ao assunto: os pais acham que a escola é feito para brincar e os filhos acabam não brincando em casa muitas vezes por falta de tempo.

     Já no tema a brincadeira do faz de conta, afirma que a brincadeira é uma linguagem infantil, com qual a criança aprende e mentaliza as coisas enfrentando seus medos. Para Jean Piaget, o brincar de faz de conta é o apogeu do jogo infantil; a criação de uma imagem mental na ausência do objeto, fazendo uma re-significação do mesmo; a criança incorpora o mundo a sua maneira, ela imita a vida do adulto. 

     Para Lev Vygotsky, o brincar é uma satisfação da criança. Uma criança de 0 a 3 anos se não realiza o que quer, ela se frustra, pois lida apenas com os aspectos figurativos, só da significado aos objetos. Porém a de 3 anos em diante se não consegue o que quer ela brinca do faz de conta e se realiza na brincadeira. Abordaram ainda o papel do professor no aprendizado: é sempre necessário que o professor esteja presente nas brincadeiras das crianças, analisando e muitas vezes até participando daquela fantasia, pois isso pode julgar traços importantes de sua personalidade, de suas fraquezas.

     O tema de Pollyana Faria foi “A importância da arte na educação infantil”. Afirma que “a escola não valoriza a arte das crianças, pois a sociedade não a valoriza também”. O desenho de uma criança é a expressão de seus medos, alegrias e angústias, no entanto a escola coloca modelos a serem seguidos inibindo essa arte. “A escola tira do sujeito a autoria de sua própria vida”, Neide complementou.

     Faria usa um exemplo: quando é para desenhar uma flor, não deixa o aluno desenhar o que pra ele é uma flor, mas modela a mesma, pétala por pétala até que todas as flores tenham a mesma cara. Uma das alunas presentes completou: “Meu primo de seis anos levou para casa uma lição de casa: um desenho pronto apenas para pintá-lo. Pintou e acrescentou no desenho uma flor azul com bolinhas brancas. Quando entregou o trabalho ao professor, este alegou que o desenho estava errado, pois não existia flor azul com bolinhas brancas, e então o menino respondeu: E desde quando coelho anda de bicicleta? (se referindo ao desenho)”. Foi uma resposta genial, mas a maioria das crianças se reprimiria e nunca mais usaria seu senso criativo para fazer algo semelhante. A escola quer pular fases, inibindo a criança de certos aspectos.

     Verena Buelau tem como tema de seu TCC “O vínculo entre professor e aluno”. O trabalho está ainda em andamento, todavia afirmou que fez esse trabalho para suprir uma angústia própria. É professora em uma escola e se apega muito ao seus alunos, e a cada fim de ano é uma tortura, pois eles vão embora e a deixam para a próxima turma. Então chega a conclusão de que qualquer vínculo humano é provisório, no entanto ninguém nasceu para ficar sozinho. Demorou muito tempo para entender esse seu apego com os alunos e para achar uma justificativa para isso, o que deu início ao seu TCC.

     Por último Nayta assumiu a posição com um tema bem diferente: “A influência da música em crianças altistas e com Síndrome de Down”. Sempre teve muito interesse por esse assunto e trabalha com pessoas com esse tipo de doença. Concluiu que era sobre esse assunto que queria fazer seu TCC quando percebeu que a única coisa que acalmava seu aluno, portador de Síndrome de Down, quando chorava muito era a música. A mãe confirmou que isso realmente o acalmava, então Nayta começou a pesquisar sobre o assunto e ficou fascinada com suas descobertas, porém o trabalho ainda está com pouca pesquisa, por isso preferiu não aprofundar muito o assunto.

     Ao fim de todas as apresentações, aconteceu um debate sobre todos os assuntos e como eles se relacionavam. As descobertas são realmente incríveis e todas são validas de um TCC. Neide Saisi se orgulha muito de ser orientadora dessas meninas e do tema de suas pesquisas.

 

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Semana Acadêmica aborda tema da sexualidade em deficientes

Publicado por inapereira em 29/Outubro/2007

Por Marina Pereira

     No penúltimo dia do ciclo de palestras da Semana Acadêmica na Pontifícia Univerdade de São Paulo, 26 de Outubro, participei de um debate sobre a sexualidade de deficientes físicos, mentais e sensoriais, basicamente formado por alunas do 5º ano de psicologia e uma professora e atuante da área.

     Assim como as palestrantes, boa parte da sala onde foi realizado o debate, ás 10 da manhã na sala T41 localizada no Prédio Velho, era formada por alunos de todos os anos de psicologia – o que pude perceber como este assunto é de grande interesse para esta área.

     A palestra inicia-se com uma breve explicação sobre Sexualidade e namoro, dada pela Professora Ana Laura Schlieman, do núcleo acadêmico de Psicologia, mostrando como este tema é de grande relevância pela existência de muitos preconceitos relacionados ao assunto e estigmas gerados por grande falta de informação nesta área. Ana Laura continua explicando que a sexualidade é uma das características mais naturais do ser humano, e luta pela aceitação e melhor informação por parte de amigos, família, pais e principalmente a da própria pessoa.

     Como parte de suas experiências Ana Laura participou de projetos na Favela do Buraco Quente com pais e adolescentes. Através de entrevistas com pais e filhos e pesquisas pela região, ela pôde perceber que existia uma grande deficiência de informação relacionada a assuntos sobre sexualidade, por parte dos pais e que este assunto raramente era tratado com os filhos. Como exemplos citados por Ana Laura, houve depoimentos de pais, os quais tomavam ambos a pílula antes de uma relação sexual, ou de uma mulher que fazia tudo com o marido, mas não beijava na boca, pois esta atitude sim, engravidava, entre outros. Ana Laura, portanto começa a ter uma experiência maior com deficientes físicos que moravam na favela, justamente para entrar no assunto da sexualidade que, para este grupo específico, era um assunto bem mais delicado a ser discutido, principalmente com os pais.

     Inicia a sua apresentação informando que, pelo Conceito da Organização Mundial da Saúde de 1975, a sexualidade é entendida por:
. Ser parte integral da personalidade de cada um;
. Ser parte do desenvolvimento da identidade humana, que é constituído pela atividade cultural e social compatíveis com o gênero sexual, os papéis sexuais e a vivência sexual.

     E mostra, portanto, que apesar de ser tão natural, é vista com muito preconceito pelos pais, pois muitos, segundo Ana Laura acham que é papel da escola informar seus filhos sobre a sexualidade. Esta deveria vir em primeiro lugar da educação familiar e não de comentários de amigos, colegas de sala, etc. diz a psicóloga.

     As cinco meninas do 5º ano de psicologia mostraram seus TCC (Trabalhos de Conclusão de Curso), relacionados a este tema. Partiram para as duas análises de Deficiência pela OMS (Organização Mundial da Saúde), explicando que no ano de 1976 a explicação de deficiência ressaltava o lado do problema físico, sendo que somente em 2001 a OMS mudou sua visão de deficiência, mostrando ser um problema enfrentado pelo indivíduo com a sociedade em que se vive.

     O trabalho das cinco meninas baseou-se na pesquisa de filmes que relacionavam as deficiências mental, sensorial e motora com a sexualidade vivida por seus personagens. Cada uma ficou responsável por volta de dez filmes, dentre eles, dois de cada deficiência foram mais aprofundados, como: O oitavo dia e Simples como amar que ressaltaram a deficiência mental; Nascidos no silêncio e Á primeira vista que ressaltaram a deficiência sensorial e Gaby e Nascido em 4 de julho que ressaltaram a deficiência física.

     Todas mostraram que pela sua análise e pelas experiências vividas nas Instituições especializadas existe um forte retrato de preconceito, como a família foge de tal assunto ou como são extremamente conservadores, considerando o ato sexual apenas paraprocriação.

     A última apresentação foi um outro trabalho de TCC de Bianca Ramos Pereira do 5º ano de psicologia com o tema “Um amor marcado pelo não”, do qual registra a sua experiência com famílias e instituições de pessoas com deficiência intelectual (Síndrome de Down). De sua análise pôde perceber a deficiência vinda, não somente dos pais, como também das instituições que não possuem uma estrutura suficiente para informar seus pacientes sobre tais assuntos.

     Assim como outras pessoas que tentam tocar neste assunto com as instituições, Bianca também foi rejeitada ao tentar entrar em contato com os adolescentes, mostrando que nem os pais, nem as instituições tinham interesse em ampliar suas mentes e talvez esclarecer dúvidas que muitos adolescentes podem ter.

     Como parte de sua experiência, Bianca registra algumas frases ditas pelos pacientes e pelos poucos pais que aceitam esta situação, como: “Liberdade de expressão, Liberdade para me tocar, E me ver crescer como mulher!” de Ana Beatriz Paiva – Síndrome de Down; “A inclusão tem que ser total…inclusive sexual!” de Maria Silvia Bertilli – Mãe de um deficiente intelectual.

     Como última parte da palestra, foi aberto um debate e questões que alguém poderia manifestar. Dentre algumas perguntas e depoimentos, surge uma questão minha que foi feita para Bianca Ramos. Perguntei se ela havia enfrentado muitas barreiras por parte das Instituições e dos pais para chegar até os adolescentes, no qual ela respondeu: “A dificuldade de aceitação da própria instituição em discutir sobre a sexualidade era tão grande, e tive tantas rejeições, que acabei partindo para o boca-a-boca e tentar descobrir pessoas que sofriam de tal problema dentro de casa. Muitas vezes pensei em desistir, pois existe um obstáculo muito grande antes do próprio problema enfrentado pelo adolescente: os pais.”

     Pude perceber que a palestra mostrou um grave problema que vem ocorrendo nas casas e instituições de tais pessoas e que só a naturalidade da informação, assim como a sua convivência é que conscientizará a cabeça de muitos pais preocupados, antes de tudo, com a vida em sociedade de seus filhos.

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Pós-graduanda defende tese na Semana Acadêmica

Publicado por gustavoassano em 28/Outubro/2007

Por Gustavo Assano

    

     No dia 25 de outubro aconteceu às 10 horas da manhã, durante a Semana Acadêmica da Pontifícia Universidade Católica, a defesa de tese de mestrado em direito constitucional da pós-graduanda formada em jornalismo e direito pela PUC, Eveline Denardi.

 

     Na bancada estavam o orientador Marcelo Figueiredo, o professor Roberto Dias da Silva, da área de direito, e o professor Laurindo Leal Filho, da área de comunicação. A tese é intitulada “O direito constitucional ao sigilo na relação entre jornalistas e fontes de informação”.

    

     A sala 500, onde a explanação se deu, estava completamente lotada, com espectadores em pé ao fundo acompanhando as considerações dos membros da bancada e da defensora, sendo que este amplo interesse por parte do público, como observou o professor Laurindo durante sua fala, é uma característica atípica para eventos acadêmicos como este.

    

     As observações feitas pelos professores sobre a tese, cumpridas primeiramente pelo professor Laurindo seguido do professor Roberto, ressaltavam a importância do tema escolhido e a necessidade de que fosse levantado com maior freqüência no meio acadêmico. Foram muitas as considerações, críticas e questões levantadas.

 

     Nas primeiras perguntas, sendo estas proferidas pelo professor Laurindo, eram abordadas as limitações do trabalho jornalístico, a extensão da capacidade de cobertura de um vínculo midiático sobre o Estado e a forma como estão configuradas as legislações dos meios impressos em relação aos meios de rádio-difusão, pois este possui uma legislação especifica, enquanto aquele é mediado pela legislação civil criminal.

     O professor Laurindo também fez uma crítica sobre um determinado trecho da tese, onde a autora descrevia a não-renovação da concessão da RCTV na Venezuela com um discurso “carregado de adjetivos, de forma intempestiva, completamente destoante em relação ao formato do que foi escrito anteriormente, desconsiderando uma versão que afirma exatamente o contrário do que está escrito na tese”.

     Para responder estas primeiras questões, a defensora descreveu a forma como a legislação sobre a atuação jornalística é muito pouco difundida entre estudantes que pretendem seguir o ofício, e acrescentou que quando de fato o tema é abordado, é cumprido sempre de forma superficial e insuficiente. Caracterizou os jovens estudantes pejorativamente como sonhadores que desconhecem a lógica do jornalismo no mercado de trabalho, onde acham que tudo pode e tudo é permitido.

     Eveline respondeu cada uma das questões calmamente, seguindo anotações que fez em um caderno conforme os comentários do professor eram feitos. Descreveu a dificuldade que teve em definir uma linguagem para a estrutura do trabalho, se teria um foco mais jurídico ou jornalístico. Sobre seus comentários sobre o episódio na Venezuela, reconheceu que analisou o ocorrido precipitadamente e reescreveria o trecho em caso de uma possível publicação da tese.

      As questões feitas pelo professor Roberto Dias da Silva tiveram um tom amigável, já no início dando a advertência de que suas observações seriam intencionalmente provocativas. Entre suas principais questões envolviam as restrições jurídicas sobre a obrigatoriedade ou não da revelação de uma fonte e a necessidade da comprovação da existência da mesma, a colisão entre direitos fundamentais e a liberdade de imprensa e a identificação de quem diz o que é importante para a sociedade. Fez uma distinção entre a idéia de interesse público e interesse do público, ilustrando com as ações dos repórteres da Rede Globo na entrevista com Suzane Richthofen e outros exemplos.

      Novamente a mestranda foi bastante cuidadosa em anotar as questões levantadas e respondeu-as rigorosamente. Respondeu primeiramente que seria preferível um Conselho Federal de jornalismo a um sindicato, pois, segundo a autora, o conselho seria um mediador das questões envolvendo impasses jurídicos como o das fontes e de questões contraditórias de cunho ético e moral, e daria maior base para a classe jornalística responder ao judiciário.

      Eveline respondeu a questão sobre a escolha do que é e o que não é importante de forma genérica e subjetiva, afirmando que, para ela, as notícias importantes são as que interferem nos rumos da sociedade e que suscitem questões polêmicas, como aborto e violência, por exemplo.

      Foram muitos os temas discorridos, com explicações e abordagens de difícil reprodução. O grande alerta que a tese de Eveline Denardi parece querer passar é a imediata necessidade de uma maior atenção aos direitos constitucionais dos atuantes desta profissão em seu processo de formação como um todo. Sendo as estruturas institucionais que formam o aparelho jurídico justamente o que media as relações sociais numa esfera pública, e sendo a mídia o grande reprodutor desta esfera, a advertência é visivelmente coesa.

     A única observação a ser feita quanto ao norteamento desta discussão, que ainda engatinha, pois não ganhou ainda as proporções que merecer ter, poderia ser o quão cristalizadas e canônicas serão as concepções jurídicas a serem pautadas na formação do jornalista. É preciso ter em mente que a mediação social vigente, eloqüente e esclarecida, carrega dentro de si o gérmen de sua própria negação. Deve-se ter cuidado para que uma orientação jurídica não se torne uma pregação ideológica ou panfletagem vulgar do status quo. Afinal, todos são iguais perante a lei, mas nunca o são na realidade efetiva onde seus tentáculos coercitivos atuam.

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Gael García Bernal divulga seu primeiro filme como diretor

Publicado por lemendes em 27/Outubro/2007

Por Letícia Mendes

Natália Peixoto

O mexicano Gael García Bernal anuncia seu primeiro filme: “A boa notícia é que é um filme curto”

     De passagem pelo Brasil por exatos três dias, o atraente ator mexicano Gael García Bernal  foi convidado para participar do debate promovido pela 31ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, realizado no sábado, dia 20, no auditório da FAAP.

     O debate foi precedido da exibição do filme “Déficit” que marca a estréia do ator como diretor. O filme conta um dia na vida de Cristobal (interpretado pelo próprio Gael), rapaz de vinte e poucos anos, esnobe e de classe alta, fã de rap e filho de um dos políticos mais corruptos e poderosos do país. Por meio desse personagem, ”Déficit” explora uma determinada camada da sociedade e a relação desta com as demais classes sociais.

     Esse tema foi lembrado pelo diretor da Mostra, Leon Cakoff, na abertura do debate, que também contou com as presenças do diretor da Faculdade de Comunicação da FAAP, Rubens Fernandes Júnior, do produtor Pablo Cruz e do apresentador Serginho Groisman, que intermediou a mesa.

Letãia Mendes

O ator mexicano Gael García Bernal entre o diretor da Mostra, Leon Cakoff, e o produtor do filme “Déficit”, Pablo Cruz

         Questões financeiras também foram discutidas. Quando perguntado sobre as dificuldades em distribuir um filme independente, Gael o comparou a um produto orgânico, cujo número de interessados no mundo industrial em que se vive ainda é pequeno. “Para entrar nos grandes esquemas de distribuição, o filme tem de ser épico, de grande impacto, o que não é a proposta de uma produção independente”, afirmou o ator. Sobre o custo da produção Gael não quis responder o valor exato, mas deu a certeza de que “Déficit” foi mais barato que o filme “Titanic”.

     Com essa mesma simpatia Gael seguiu durante o debate todo, inclusive respondendo perguntas feitas pela platéia. Uma estudante de cinema, ao falar que teve uma sensação de vazio, de que faltava algo mais no filme e ao perguntar se o Gael faria outro filme seguindo a mesma temática, obteve a seguinte resposta do ator: “Você quer assistir ao “Superávit”?”. Depois de altas gargalhadas da platéia, Gael explicou o significado do título. “O filme se chama “Déficit”, porque é sobre uma geração que cresceu com essa palavra”, afirmou Bernal. Inclusive todo os personagens possuem “um déficit emocional e de identidade”. ”Esse sonho idôneo dos países da América Latina de entrar no primeiro mundo ruiu completamente”, finalizou Gael.

     Agora, resta ao público que não pôde participar da 31ª Mostra esperar que o filme seja distribuído pelas salas de cinema do Brasil. Para os que não têm paciência para esperar, uma boa notícia: Gael García Bernal é protagonista do filme “O Passado”, de Hector Babenco, que estará em cartaz a partir de hoje, sexta, 26 de outubro.

Tumulto na entrada da FAAP antecede o debate com o ator Gael García Bernal 

Por Bruna Campos

Natália Peixoto

     A 31° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo conta com inúmeras atrações gratuitas, muitos filmes podem ser assistidos no vão do Masp, no Memorial da América Latina, no Centro Cultural São Paulo e na Fundação Armando Álvares Penteado, a FAAP.

     Os filmes em exibição contemplam diversos tipos de público. São filmes estrangeiros e nacionais; lançamentos ou clássicos e alguns conseguem agradar gregos e troianos. Esse é o caso do filme “Déficit”, dirigido pelo ator mexicano Gael García Bernal. O longa foi apresentado em três ocasiões distintas e em todas as salas ficaram super lotadas.

     Entre as três exibições havia uma mais especial, a do dia 20 de outubro na FAAP. Segundo a programação da 31ª Mostra, nesse dia seria feita a última apresentação do filme, com um detalhe especial: o diretor estaria presente e depois de concluída a projeção ele iria relatar a sua experiência por trás das câmeras.

     No próprio dia 20 de outubro o evento especial foi divulgado pelos jornais e para ampliar a receptividade do programa, a entrada era gratuita. Os jornais, no entanto, não divulgaram o horário de distribuição das senhas e eu, como muitas interessadas, liguei para a Fundação para obter mais detalhes. Liguei e a informação era: as senhas serão distribuídas uma hora antes do início da sessão, ou seja, às 18h30.

     Ainda eram 14h. Fui tomar um banho e almoçar, sem saber que a fila já era razoável nos portões da FAAP. Peguei o ônibus e cheguei à fila às 17h, ou seja, uma hora e trinta minutos antes das senhas serem distribuídas. Pensei “acho que vai dar”, mas estava enganada. Pedi para guardarem o meu lugar na fila e fui até a entrada me interar da situação, lá encontrei duas amigas que já tinham passado da catraca para dentro. “Como assim? Ainda são 17h”.

     A explicação dos monitores da Mostra era a seguinte: o pessoal chegou às 13h e pediu para passar as catracas porque estavam furando fila. Eram cerca de oitenta pessoas sentadas do lado de dentro da Fundação, todas com a senha garantida. O restante das pessoas, as do lado de fora, estavam inconformadas. Tinham chego antes da hora marcada, mas isso não adiantou nada.

     Depois de esclarecido o primeiro problema, o desrespeito ao horário divulgado pela Mostra, descobri um segundo aspecto desagradável. Dos 300 lugares do auditório da FAAP, duzentos eram reservados para os estudantes da mesma. E mais uma conclusão: um evento primeiramente voltado para o público em geral privilegiava os estudantes de uma das faculdades mais caras do país.

     Entre esclarecimentos e bate-bocas, carros da PM e do Deic iam e viam, um deles solicitado por parte do público que queria fazer um boletim de ocorrência.

     Estávamos todos aguardando um comunicado oficial dos organizadores, a fila já tinha se transformado em um grande amontoado no “Gate 1”, enquanto isso no “Gate 2 “ os alunos da universidade passavam tranqüilamente suas carteirinhas no sensor e entravam para assistir ao filme.

     O tempo foi passando e a insatisfação aumentando. Um dos produtores foi chamado aos gritos por uma das “filantes” que lhe pediu esclarecimentos. O produtor chegou mais perto do público e disse que estava negociando mais lugares com a Fundação. Segundo ele o problema era que a FAAP, uma das patrocinadoras da Mostra, não tinha explicitado em contrato a posse de 67% dos assentos para os seus alunos.

     Já eram quase 19h30 e nada tinha mudado, ou melhor, tinha. Apesar de não conseguirem entrar, os “filantes” se organizaram e começaram a passar um abaixo-assinado. As assinaturas seriam entregues aos organizadores e se possível ao próprio Gael, o texto do abaixo-assinado fazia referência ao descumprimento de horário e ao privilégio dos estudantes da universidade particular.

     A cada instante uma nova manifestação acontecia: primeiro as assinaturas, depois os gritos de guerra, cantados por algumas centenas de pessoas, “A FAAP é uma merd…”. Tudo isso sendo acompanhado atentamente pelos seguranças da Fundação e pelos jornalistas presentes: “Istoé, gente”, “Band News” etc.

     Por volta das 20h, as pessoas começaram a se dispersar, voltaram para casa, foram para o bar, mas antes tinham feito algumas resoluções: enviar e-mails para o site da Mostra e entregar aos responsáveis pelo evento as mais de 300 assinaturas recolhidas durante cerca de três horas de protesto e indignação.

     Não vimos o Gael, nem o seu primeiro filme, mas demos um toque para que, ano que vem, certas parcerias sejam revistas e de que gostamos de cinema e, sobretudo, de respeito.

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