Por Marina Pereira
Sabemos, segundo estatísticas, que o país vem envelhecendo ao longo dos anos, ou seja, temos um número cada vez maior de idosos no Brasil. Segundo a pesquisa Idosos no Brasil – Vivências, desafios e expectativas na Terceira Idade, realizada pela parceria SESC SP e Fundação Perseu Abramo, o envelhecimento da população é uma realidade e aponta seu crescimento de 8% para 16% nos próximos 25 anos. Junto com esse grande número, surgem também preocupações relacionadas à saúde, bem-estar, convívio e socialização desse grupo tão seleto, por parte de empresas que já trabalham com atividades para a Terceira idade.
Entre essas empresas, destaca-se a entidade SESC SP, que vem há 44 anos promovendo atividades e pensando na saúde física e mental da população de idosos do país. O projeto das práticas esportivas no SESC começou em 1974. O pensamento da época não era tão favorável a atividades para a Terceira idade, até mesmo pela falta de conhecimento do corpo na velhice. O pensamento da época quanto à saúde dessa população se restringia à prescrição de medicamentos, repouso, relacionando a idéia de envelhecimento como uma fase da vida na qual toda sua parte física e mental começa a degenerar. E, além disso, existia o próprio pensamento preconceituoso do idoso de que atividade física é para jovens, o medo de se mostrar ridículo frente às outras pessoas e a falta de contato diário com tais atividades.
Com o tempo, o SESC pode tirar esse pensamento do cotidiano de tais pessoas e integrá-las em atividades físicas, mentais, indo de exercícios como caminhadas e hidroginástica até o condicionamento físico, e mostrar para todos o lema de ser idoso: O esporte existe para todas as idades.
Em um bate-papo com o instrutor do SESC, Herley, ele pode mostrar um pouco de sua experiência com a Terceira idade:
Qual a faixa etária para os cursos disponíveis para a Terceira idade?
Herley – Apesar da Terceira idade na sociedade ser contada à partir dos 65 anos, aqui no Sesc existe uma média de idade de pessoas em torno de 60 anos que já mostram interesse em participar de atividades para tal grupo.
Além dos cursos, existe outra forma de integração entre o grupo?
Herley - Sim, existe um melhor cuidado com as turmas de idosos, justamente para manter esta integração entre eles. O fato de vir para o curso, já se torna importante porque o idoso está tendo tempo de cuidar dele e tem com isso a iniciativa de vir para a aula, porque sabe que outros de seu grupo também pensam assim. Um exemplo disso é um senhor que está impossibilitado de praticar a aula por uns tempos, mas mesmo assim, vem todos os dias à unidade do SESC para encontrar sua turma. Eles se identificam entre si.
Vocês têm alguma outra atividade extra que saia do cotidiano dos cursos?
Herley - Sim, a nossa última aula do mês é uma aula diferenciada. Diferenciada no espaço, no horário e no próprio instrutor. Esta última aula consta na troca de cursos, ou seja, quem faz o condicionamento físico terá aula de hidroginástica, e quem tem hidroginástica terá aula de reeducação postural e vice-versa. Assim, os idosos têm conhecimento sobre outros cursos e se integram com outras turmas de várias idades e outros instrutores, uma possível tática para não viverem somente no mundo dos idosos e interagirem com pessoas de outras faixas etárias.
Vocês têm algum tipo de avaliação relacionada ao desenvolvimento deste idoso dentro do curso praticado?
Herley - Nós temos alguns critérios de avaliação como a presença do aluno, o número de desistentes do curso, o feedback dentro da aula, através do fisiológico, emocional, físico, ou seja, eles medem o clima da aula. E, além disso, existe uma percepção subjetiva do esforço em aula, ou seja, saber dosar até onde vai a capacidade do aluno.
O que representa pra você, a Terceira idade dentro do SESC?
Herley - É sempre um desafio, porque exige de você paciência, experiência, saber dosar as atitudes dentro da aula, porque junto com o usuário do curso vem também toda sua carga, experiência de vida, sua história acumulada e com certeza que quer ser passada adiante.
Existe, portanto, ao longo do tempo, um leque de possibilidades de atividades físicas que proporcionaram a integração dos idosos entre si, e também como fator importante, entre pessoas de outras idades, vivenciando não só o seu cotidiano como idoso, mas o cotidiano de um jovem. A partir daí, o incentivo à cultura e conscientização do idoso para o mundo do esporte começa a crescer e se tornar um estímulo à vida de tantas pessoas que se tornam crianças dentro da aula, aprendendo algo novo a cada dia.
A procura pelo novo
O idoso muitas vezes começa a procurar o SESC por recomendação médica, se focando, na maioria das vezes, em um único curso. Quando conhece melhor o que a entidade proporciona para sua idade, percebe a amplitude de atividades culturais que ultrapassam a simples escolha de um curso como, passeios para cidades diferentes, dias de integração, colônias de férias, etc., assim afirma Jaime, também instrutor do SESC.
Jaime que participa de muitas atividades e estudos relacionados à Terceira Idade comenta, que antigamente o esporte para idoso era visto como sinônimo de quedas, problemas ósseos, algo difícil para um grupo tão delicado fisiologicamente. Hoje em dia, os idosos procuram diversos esportes para saber lidar com sua própria saúde. Por exemplo, segundo Jaime, muitas indicações médicas sofrem equívocos ao indicar somente hidroginástica como único exercício possível de ser realizado por alguém com certa idade. Ele afirma que nesta fase da vida ocorre uma grande perda de cálcio no organismo e a forma de recuperar um pouco dessa perda é através do impacto, algo que a hidroginástica não propõe com tanta potência. Por isso que o impacto das aulas, por exemplo, de condicionamento físico, onde existe o trabalho com pesos e aparelhos, pode ser totalmente recomendável para tal grupo. Além destas atividades, ele pesquisa outras áreas de esporte que podem sofrer adaptações para idosos como vôlei, basquete, handball, baseball, etc. proporcionando assim um retrocesso da velhice fisiológica, e uma maior liberdade para o idoso se identificar com seu esporte preferido.
Para encerrar essa matéria, mais uma boa notícia: segundo a pesquisa Idosos no Brasil – Vivências, desafios e expectativas na Terceira idade, metade dos idosos brasileiros costuma fazer caminhadas. Mas há ainda aqueles que se dedicam à ginástica, passeio de bicicleta, entre outras atividades físicas. Se pensarmos nos prejuízos que o sedentarismo impõe à saúde, constatamos uma evolução positiva nos hábitos de vida da Terceira Idade.