Retinas

Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Posts de Agosto, 2007

“Best Sellers” dividem leitores

Publicado por barbaragm em 31/Agosto/2007

Por Bárbara Guimarães

     Localizados sempre em destaque nas livrarias, os Best Sellers dividem opiniões. Odiados por alguns e amados por muitos, livros como O Código Da Vinci, O Alquimista, O Caçador de Pipas e muitos outros apresentam uma qualidade duvidosa, e inauguram um novo estilo literário.

     Best Sellers são livros que demonstram um dualismo: ao mesmo tempo em que recebem esta denominação por terem uma alta vendagem, possuem uma grande procura por seguirem um estilo de escrita típico de Best Seller. A maioria dos “mais vendidos” possuem uma estrutura fixa, facilmente perceptível pelos leitores.

     Segundo Eliane Robert Moraes, professora da PUC SP, duas das principais características de um Best Seller são a preferência por temas já conhecidos e a reafirmação da sociedade. A maioria dos livros desse estilo procuram abordar temas compreensíveis a qualquer idade, sexo, etnia. Mesmo enredos que se passam em lugares com culturas diferentes da ocidental, como em O Livreiro de Cabul, não propõe analisar em profundidade as diferenças culturais, pois muitas vezes são feitos a partir de pouca pesquisa.

     Best Sellers também não costumam criticar a ordem social, não fazem o leitor se questionar sobre sua cultura, sua posição na sociedade; apenas fornecem um rápido período de informações pouco impactantes. Outra característica de Best Sellers é a abordagem de posições moralistas. A respeito deste tema, Eliane cita o livro O Doce Veneno do Escorpião, que termina com uma declaração da autora dizendo que pretende abandonar a prostituição. Segundo Eliane, se no final da obra a autora declarasse que sua vida como prostituta era muito boa, e que não pretendia abandoná-la iria contra o pensamento conservador de grande parte da sociedade, e então, para não desagradá-los, publicou-se esse final.

     Outra característica presente em muitos Best Seller é a escrita rápida e fácil de ler, que não exige do leitor muita concentração ou tempo. “Novelas são mais trabalhadas”, afirma Eliane. Porém esta característica pode não ser apenas negativa. Carla Albano, advogada e estudante de psicologia, afirma que lê Best Sellers por serem rápidos “Dá pra ler em 2, 3 dias”. Carla acredita que por ser mais fácil, esse tipo de livro é uma “porta de entrada” para uma literatura mais complexa.

     Um segundo motivo que Carla cita como definidor para seu hábito de ler Best Sellers é a inserção nas rodas de discussão. Para ela, as pessoas em geral têm uma aceitação maior do que o preconceito em relação à esses livros. E apesar de ler freqüentemente este tipo de literatura, critica dizendo que esses livros fazem parte de uma “cultura fast food”.

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Cumbica abriga pedintes e trabalhadores informais

Publicado por caboehm em 31/Agosto/2007

Por Camila Boehm

     Entre transtornos e sobrecarga no aeroporto de Cumbica em Guarulhos, despercebidos, eles não se queixam. Os pedintes, que encontram banheiro limpo, poltronas confortáveis e esmolas, vivem dentro de um ambiente de pressa e correria com o conforto que não alcançariam em anos de trabalho.

     Lá também encontram um lugar tranqüilo para trabalhar. O saguão dá espaço aos vendedores ambulantes em meio a muitas lojinhas de luxo. Tanto esse trabalho informal quanto os pedintes são alvo de reclamação da maioria dos funcionários. Num restaurante, a atendente diz que as crianças que pedem dinheiro não podem entrar lá e, se entram, a Polícia Federal é chamada. Mas a área é pública, ninguém poderia obrigá-los a sair dali.

     Alguns meninos andam em grupo e atrapalham o andamento natural do saguão no aeroporto. Correm, brincam na escada rolante, jogam coisas no chão e nos passageiros, que acionam a segurança, mas não há o que fazer. Um agente de viagem indignado reclama muito dessa situação, e diz já ter presenciado furtos e intimidações aos passageiros.

     Existem outras partes da mesma história, como um menino que fica pelo restaurante à espera de sobras, restos que ficam na bandeja, e mal é notado. “Da última vez que eu fui, ele estava sentado conversando com um senhor. Disse que morava na favela que tem aqui perto, queria estudar e tal. E era inteligente, falava bem…”, conta uma funcionária da Infraero.

     Uma mulher idosa dorme nos bancos em cima de suas sacolas e às vezes ocupa o banheiro de deficientes, por ser espaçoso. Mas logo cedo, quando amanhece, ela some. É vista pedindo dinheiro pouquíssimas vezes. “É educada, não incomoda e agradece qualquer ajuda”, diz a mulher do balcão de informações.

     Outras pessoas também só aparecem pra dormir por lá. Uns funcionários já perguntaram e eles falam que é “escurinho, quentinho, tem banheiro limpo, pra quê dormir na rua?”

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Sesc realiza pesquisa sobre Terceira Idade

Publicado por inapereira em 29/Agosto/2007

Por Marina Pereira

     Sabemos, segundo estatísticas, que o país vem envelhecendo ao longo dos anos, ou seja, temos um número cada vez maior de idosos no Brasil. Segundo a pesquisa Idosos no Brasil – Vivências, desafios e expectativas na Terceira Idade, realizada pela parceria SESC SP e Fundação Perseu Abramo, o envelhecimento da população é uma realidade e aponta seu crescimento de 8% para 16% nos próximos 25 anos. Junto com esse grande número, surgem também preocupações relacionadas à saúde, bem-estar, convívio e socialização desse grupo tão seleto, por parte de empresas que já trabalham com atividades para a Terceira idade.

     Entre essas empresas, destaca-se a entidade SESC SP, que vem há 44 anos promovendo atividades e pensando na saúde física e mental da população de idosos do país. O projeto das práticas esportivas no SESC começou em 1974. O pensamento da época não era tão favorável a atividades para a Terceira idade, até mesmo pela falta de conhecimento do corpo na velhice. O pensamento da época quanto à saúde dessa população se restringia à prescrição de medicamentos, repouso, relacionando a idéia de envelhecimento como uma fase da vida na qual toda sua parte física e mental começa a degenerar. E, além disso, existia o próprio pensamento preconceituoso do idoso de que atividade física é para jovens, o medo de se mostrar ridículo frente às outras pessoas e a falta de contato diário com tais atividades.

     Com o tempo, o SESC pode tirar esse pensamento do cotidiano de tais pessoas e integrá-las em atividades físicas, mentais, indo de exercícios como caminhadas e hidroginástica até o condicionamento físico, e mostrar para todos o lema de ser idoso: O esporte existe para todas as idades.

     Em um bate-papo com o instrutor do SESC, Herley, ele pode mostrar um pouco de sua experiência com a Terceira idade:

Qual a faixa etária para os cursos disponíveis para a Terceira idade?

Herley – Apesar da Terceira idade na sociedade ser contada à partir dos 65 anos, aqui no Sesc existe uma média de idade de pessoas em torno de 60 anos que já mostram interesse em participar de atividades para tal grupo.

Além dos cursos, existe outra forma de integração entre o grupo?

Herley - Sim, existe um melhor cuidado com as turmas de idosos, justamente para manter esta integração entre eles. O fato de vir para o curso, já se torna importante porque o idoso está tendo tempo de cuidar dele e tem com isso a iniciativa de vir para a aula, porque sabe que outros de seu grupo também pensam assim. Um exemplo disso é um senhor que está impossibilitado de praticar a aula por uns tempos, mas mesmo assim, vem todos os dias à unidade do SESC para encontrar sua turma. Eles se identificam entre si.

Vocês têm alguma outra atividade extra que saia do cotidiano dos cursos?

Herley - Sim, a nossa última aula do mês é uma aula diferenciada. Diferenciada no espaço, no horário e no próprio instrutor. Esta última aula consta na troca de cursos, ou seja, quem faz o condicionamento físico terá aula de hidroginástica, e quem tem hidroginástica terá aula de reeducação postural e vice-versa. Assim, os idosos têm conhecimento sobre outros cursos e se integram com outras turmas de várias idades e outros instrutores, uma possível tática para não viverem somente no mundo dos idosos e interagirem com pessoas de outras faixas etárias.

Vocês têm algum tipo de avaliação relacionada ao desenvolvimento deste idoso dentro do curso praticado?

Herley - Nós temos alguns critérios de avaliação como a presença do aluno, o número de desistentes do curso, o feedback dentro da aula, através do fisiológico, emocional, físico, ou seja, eles medem o clima da aula. E, além disso, existe uma percepção subjetiva do esforço em aula, ou seja, saber dosar até onde vai a capacidade do aluno.

O que representa pra você, a Terceira idade dentro do SESC?

Herley - É sempre um desafio, porque exige de você paciência, experiência, saber dosar as atitudes dentro da aula, porque junto com o usuário do curso vem também toda sua carga, experiência de vida, sua história acumulada e com certeza que quer ser passada adiante.

     Existe, portanto, ao longo do tempo, um leque de possibilidades de atividades físicas que proporcionaram a integração dos idosos entre si, e também como fator importante, entre pessoas de outras idades, vivenciando não só o seu cotidiano como idoso, mas o cotidiano de um jovem. A partir daí, o incentivo à cultura e conscientização do idoso para o mundo do esporte começa a crescer e se tornar um estímulo à vida de tantas pessoas que se tornam crianças dentro da aula, aprendendo algo novo a cada dia.

A procura pelo novo

     O idoso muitas vezes começa a procurar o SESC por recomendação médica, se focando, na maioria das vezes, em um único curso. Quando conhece melhor o que a entidade proporciona para sua idade, percebe a amplitude de atividades culturais que ultrapassam a simples escolha de um curso como, passeios para cidades diferentes, dias de integração, colônias de férias, etc., assim afirma Jaime, também instrutor do SESC.

     Jaime que participa de muitas atividades e estudos relacionados à Terceira Idade comenta, que antigamente o esporte para idoso era visto como sinônimo de quedas, problemas ósseos, algo difícil para um grupo tão delicado fisiologicamente. Hoje em dia, os idosos procuram diversos esportes para saber lidar com sua própria saúde. Por exemplo, segundo Jaime, muitas indicações médicas sofrem equívocos ao indicar somente hidroginástica como único exercício possível de ser realizado por alguém com certa idade. Ele afirma que nesta fase da vida ocorre uma grande perda de cálcio no organismo e a forma de recuperar um pouco dessa perda é através do impacto, algo que a hidroginástica não propõe com tanta potência. Por isso que o impacto das aulas, por exemplo, de condicionamento físico, onde existe o trabalho com pesos e aparelhos, pode ser totalmente recomendável para tal grupo. Além destas atividades, ele pesquisa outras áreas de esporte que podem sofrer adaptações para idosos como vôlei, basquete, handball, baseball, etc. proporcionando assim um retrocesso da velhice fisiológica, e uma maior liberdade para o idoso se identificar com seu esporte preferido.

     Para encerrar essa matéria, mais uma boa notícia: segundo a pesquisa Idosos no Brasil – Vivências, desafios e expectativas na Terceira idade, metade dos idosos brasileiros costuma fazer caminhadas. Mas há ainda aqueles que se dedicam à ginástica, passeio de bicicleta, entre outras atividades físicas. Se pensarmos nos prejuízos que o sedentarismo impõe à saúde, constatamos uma evolução positiva nos hábitos de vida da Terceira Idade.

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Entre Satyros e Gigantes

Publicado por gustavoassano em 29/Agosto/2007

     por Gustavo Assano

     Com a estréia de “Arlequim” ocorrida em 1989, a companhia de teatro Os Satyros inaugurou o que seria um longo e profícuo percurso. Marcada pelas dificuldades que toda criação artística enfrenta ao enredar-se pela idéia de inovação (condição árdua cuja dificuldade se potencializa em países como o Brasil), os Satyros marcaram território com uma rara convicção de que tal esforço era necessário. Como Ivam Cabral, um dos fundadores da companhia, atesta em seu depoimento no livro Cia. de Teatro Os Satyros – Um Palco Visceral de Alberto Guzik, “O teatro que se produzia naquele momento (1989) era formal demais, chato demais. Me lembro que a gente falava muito sobre isso, e que o teatro que a gente queria era menos formal, mais visceral. Desejávamos uma relação mais intensa com o teatro, pretendíamos pesquisar novas linguagens, queríamos trabalhar com lugares que não eram teatros”.    

     Reconhecidos por crítica local e de fora, conquistaram tamanho estágio de vivência que podem considerar-se calejados o bastante, ao longo dos 19 anos, quanto aos altos e baixos que o percurso do teatro de grupo pode proporcionar. Viram, fizeram e sentiram de tudo. Das iminentes dissoluções do grupo e esvaziamentos de sala em plena encenação às premiações e reconhecimentos pelo exterior, o parâmetro de experiência é indiscutível.

     Na década presente encenaram memoráveis montagens, dentre elas, duas da premiada dramaturga alemã Dea Loher: “A vida na Praça Roosevelt” e “Inocência”. Já nestes dois espetáculos é exposta em cena uma ambiciosa verve que, reconhecendo e colocando à tapa de forma surpreendente suas limitações, sintetizam com uma eloqüência melancólica o espírito de época que não consegue mais projetar-se sobre si mesmo, e que não consegue dar conta das promessas que antes o sustentava. Esta capacidade rara de expor aquilo que não pode ser explicado em termos categóricos ou em dualismos discursivos, dando conta da formação de texto, forma, personagem, distanciamento e unidade, (tarefas quase impossíveis nestes tempos de século XXI) coloca-os entre os gigantes da cena cultural.

A Praça

     Situados há sete anos na Praça Roosevelt, as transformações do espaço dos Satyros exprime com transparência uma capacidade de aglutinação que não se via na cena teatral desde muitos anos. A efervescência atual que aquele quarteirão produz todas as noites se contrasta radicalmente com o mesmo local há oito anos atrás. Como consta Rodolfo Garcia Vázquez, um dos fundadores e diretor de maior parte das peças, no livro de Guzik, “A praça era muito esquisita. Uns bares muito estranhos. Um bar de michês, outro de travestis, mais outro de prostitutas. À noite era um lugar perigoso, perigoso mesmo”.

     Degradada aos extremos que a brutalidade do desenvolvimento urbano e as tensões entre as estratificações sociais, tão antigas, poderiam proporcionar, a Praça Roosevelt seguia seu papel estigmatizado como habitação para os que protagonizavam tal condição: traficantes, cafetões, travestis, assaltantes, prostitutas, viciados, ou seja, membros da nata pejorativa da sociedade civil comum.

     Mergulhados neste lado do mundo, os membros da companhia reconheceram brutalidades e barbárie ali existentes como realidade vivida e afirmação de um cotidiano impiedoso, tão natural quanto violento. Recriaram um ponto de encontro teatral que lembra fortemente o que, há mais de quarenta anos atrás, a poucos metros da Roosevelt, consolidava-se a lenda viva do Arena. Cumprem-no, porém, sem o “Teatro do Oprimido” ou a certeza de um horizonte de possibilidades, mas com as inadequações da época expostas com todas as dúvidas que a criação atual poderia gerar.

     Este pequeno espaço paulistano construiu em torno de si um peculiar paradigma social para os exemplos de regiões “aculturadas”: não ocorreu a higienização hipócrita da tentativa de mascarar os estigmas que evidenciam o que significa habitar tal lugar. Houve, de fato, uma espantosa melhora no entorno da região. Esta melhora, entretanto, não significou ter seus moradores enxotados para longe, como ocorre nos raros momentos em que mudanças como estas acontecem. Os antigos moradores estão lá e fazem parte do fluxo que compõe a agitação.

Ensaios de “Divinas Palavras”

     Está em processo de montagem a próxima peça a ser encenada pelos Satyros. Chama-se “Divinas Palavras”, do autor galego Ramón Maria Del Valle-Inclán. É um texto publicado em 1920 sobre um grupo de cidadãos miseráveis que tentam virar-se dentro da penúria extrema, cumprindo-o conservando da forma mais precisa possível a lógica da ordem social em que vivem.

     O texto não é uma novidade para os Satyros. Há dez anos, em Lisboa, encenaram-no com um bom respaldo de crítica. Foi o último espetáculo produzido pela companhia em Portugal. O resultado, porém, não foi o esperado. Apesar de ter contado com músicas compostas por Sérgio Godinho, um Chico Buarque de Portugal, “o tempo de ensaio foi muito curto e apresentamos num museu à beira do Rio Tejo, onde a acústica era horrível. O Espetáculo não aconteceu”, consta Vázquez.

      Este resgate do texto, todavia, acontece com ressalvas. Mudam-se atores, contexto, época e o próprio texto. Adaptaram-no para os dias de hoje, passando-se na própria Praça Roosevelt. A penúria ganha, também, uma perspectiva global, tendo os personagens visitando variadas partes do mundo. A estréia está prevista para fins de Setembro. Com o acúmulo de experiência, a montagem acontece numa fluidez espantosa. Lêem os textos várias vezes, discutem-no, debatem importâncias e nuances a serem levados em consideração durante o processo, tudo supervisionado por Rodolfo.

     Esta supervisão, porém, não se firma como absoluta. Entre eles não existe essa de “trabalho alienado”. Cada ator, para que o processo de criação se consolide, deve dar o seu respaldo de criador. Nos momentos de improviso, quando se dividem em grupos que discutem cenas e personagens específicos que cada um representará, o resultado é discutido e debatido entre todos os presentes. Toda opinião, crítica e análise que cada membro da companhia queira fazer é escutada e, se para todos tiver significância, é acatada. Desdobra-se um processo genuinamente coletivo.

     Trabalham numa atmosfera que lembra fortemente o mero convívio entre amigos. Compõem-na, entretanto, sem deixar de lado a disciplina e a paciência que tal procedimento exige. Pouco a pouco, a obra toma forma. Clarifica-se a dança a ser seguida e os paços são marcados. Neste compasso firme, subleva-se a feição do gigante que caminha em terra criada à forma de ovelhas.      

     

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O Corinthians que ninguém vê

Publicado por Marcelo Martino em 28/Agosto/2007

     por Marcelo Martino

    

     Com todos os olhares da imprensa voltados ao futebol profissional, outras áreas menos comerciais do Corinthians acabam passando despercebidas. Aquilo que movimenta, tanto o mercado quanto a mídia, sempre foram os profissionais, e estando estes em péssima fase, é comum e mais fácil generalizar para uma crise no futebol corintiano.

 

     De fato a atual situação política e financeira que o clube atravessa é de deixar qualquer corintiano envergonhado, mas também é preciso ressaltar que apesar das divergências em relação à parte administrativa da entidade, o futebol de base continua seguindo hegemônico como a maior força do futebol paulista, e uma das maiores do Brasil. Isso faz com que o Corinthians seja constantemente convidado para disputar torneios no exterior.

 

     Os números alcançados pelas categorias sub-20, sub-17 e sub-15, nos atuais campeonatos paulista são incontestáveis. Duas delas (sub-17 e sub-15) lideram seus respectivos grupos e estão classificados para a segunda fase da competição. O caso mais impressionante, porém, é o da equipe dos menores de 17 anos, que em 14 jogos disputados pela primeira fase obteve 14 vitórias.

 

     Esses expressivos resultados não são à toa, longe da mídia, os jogadores encontram um ambiente muito mais tranqüilo para trabalhar, sem contar a estrutura do CT de Itaquera, toda ela colocada a disposição dos futuros craques. O centro de treinamento localizado na zona leste de São Paulo contém alojamentos, salão de jogos,  três campos, piscina aquecida, sala de musculação, sala de fisioterapia, refeitório, e outros departamentos que favorecem a formação do atleta. Além do Parque Ecológico, que também é utilizado em treinamentos. Isso tudo proporciona um treinamento intensivo das três principais áreas (técnica, tática e física), porém com maior ênfase na parte técnica dos atletas.

 

     A pressão de jogar em um clube como o Timão é muito grande, por isso que dizem que quem joga no Corinthians joga em qualquer time do mundo.  A cobrança por títulos é constante nas categorias de base, isso torna fundamental a presença do auxílio de uma psicóloga que sempre se reuni com os jovens, normalmente antes da partida. Outro fator que colabora para uma boa formação psicológica dos atletas é o incentivo que o clube dá aos estudos, a partir de um acordo firmado com o colégio João XXIII, aquele que não tirar boas notas e faltar às aulas é impedido de jogar.

 

      Esse intenso convívio diário entre os jogadores faz com que eles formem entre eles um ambiente familiar, se consideram “irmãos” um dos outros. A união dos atletas sem dúvidas favorece um bom desempenho dentro de campo e faz com que mesmo nas derrotas a equipe consiga manter o foco e não se deixar abater.

 

    Porém nem tudo é um mar de rosas, existem dois pontos negativos a se destacar: um é a pouca presença do público aos jogos dos garotos, principalmente quando não ocorrem na capital paulista, com isso a maioria dos espectadores acaba sendo formada por familiares dos jogadores. O outro é o total descaso da comissão técnica do time profissional que não comparece aos jogos para buscar novos valores, normalmente quando alguém da categoria de base recebe uma chance no time de cima e por mera indicação.

 

     A categoria de base é um orgulho dentro do Corinthians, e sempre obtém ótimos resultados, colocando o nome do clube em lugar de respeito. É comum ver no profissional jogadores formados na base, e que por isso recebem especial carinho da fiel torcida, e se tiverem talento se tornam ídolos corintianos.

 

Saiba mais:

Corinthians

FPF

 

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Impunidade é privilégio da classe alta

Publicado por gabrielamoncau em 28/Agosto/2007

Por Gabriela L Moncau

     A juventude da classe alta do Rio de Janeiro demonstrou preconceito, totalitarismo, ignorância e irrascibilidade com o episódio ocorrido dia 22 de junho, ao espancarem no bairro da Barra da Tijuca a empregada doméstica Sirlei Dias Carvalho Pinto.

     Foram cinco jovens universitários e moradores de condomínios de luxo que espancaram e desumanizaram a mulher que aguardava no ponto de ônibus para se dirigir a um médico na periferia, Baixada Fluminense. Justificaram-se da agressão afirmando que a confundiram com uma prostituta. Segundo os valores e a moral dos jovens, então, uma mulher preta e pobre só pode ser uma prostituta e, sendo uma prostituta, ou seja, uma pessoa inferior a eles, merece ser espancada.

     O caso assemelha-se à morte do índio pataxó Galdino de Jesus, em 1997, que dormia no banco de uma praça em Brasília quando cinco jovens de classe média jogaram álcool e atearam fogo ao índio, dizendo depois que tentavam fazer uma “brincadeira”.

     A pergunta que ocorre a qualquer pessoa de sã consciência é: O que se passa na cabeça desses jovens? Jovens que, no caso, cresceram com família, casa, comida, e principalmente, escola. Talvez, o fato de pertencerem a uma classe privilegiada e de alto padrão de vida, trouxe a eles uma sensação de impunidade, inconsequência e onipotência. Com certeza há algum desvio ideológico na formação (provavelmente familiar) de cada um deles. Não entendem o que é uma prostituta, uma pessoa pobre, um índio, uma pessoa de outra cor de pele. Porém, cada pessoa é independente e tem seu próprio senso crítico, acredito que mesmo com valores distorcidos passados pelos pais dentro de casa, uma pessoa tem condições de questioná-los e não aceitar como absoluto qualquer ideal que lhe é transmitido pela família.

     A fala do pai de um dos meninos acusados pela agressão: “Não é justo prender cinco jovens que estudam, que trabalham, que têm pai e mãe, e juntar com bandidos que a gente nem sabe de onde vieram. Imagina o sofrimento desses garotos”. Um sofrimento que ele não parou para pensar é o de uma mulher espancada covardemente por cinco garotos enquanto apenas aguardava seu ônibus. Sim, foram colocados com outros bandidos, alguns que fizeram coisas menos graves que o ato cometido por eles, outros não. O comentário feito pelo pai já demonstra o caráter com o qual criou o filho e o pensamento de desumanização de pessoas de classe mais baixa ou mesmo de qualquer pessoa que não seja seu próprio filho e seus colegas.

     Um episódio como esse faz com que paremos para pensar também nas relações sociais estabelecidas na sociedade em que vivemos. Num sistema onde somente o lucro, o consumo e a praticidade são valorizados, as relações entre as pessoas passam a ser quantitativas, todos são rotulados de acordo com o benefício que podem trazer. Assim, já à primeira vista, uma pessoa é distinguida por sua classe social, o seu modo de sustento e a partir disso estabelece-se uma relação melhor ou pior. As relações sociais estão deixando ser qualitativas, começa-se a questionar se elas são realmente para o bem estar de todos.

     Os espancadores da empregada Sirlei, assim como muitos outros jovens ricos, estão sendo formados em ambientes nos quais a socialização, a educação e a humanização são substituídos por consumismo, banalização do conhecimento, superioridade e onipotência.

Saiba mais:

O Globo

O Estado de São Paulo

Último Segundo

Top Internews

Folha de São Paulo

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Ortografia será unificada nos países de língua portuguesa

Publicado por nathynhan em 28/Agosto/2007

por Nathália Nhan

    A partir de 2008, por volta do mês de janeiro, a língua portuguesa passará por algumas mudanças. Todos os integrantes da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) — Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor Leste — terão a sua ortografia unificada. Algumas das modificações serão: as letras “k”, “w” e “y” serão incorporadas ao alfabeto; o trema — dois pontos utilizados geralmente sobre a letra “u” — será extinto; paroxítonas terminadas em “o”, como vôo, enjôo, perdôo, não levarão mais o acento circunflexo; e todas as paroxítonas terminadas em ditongos abertos “ei” e “oi”, também deixarão de ser acentuadas. Além dessas alterações, em Portugal, as letras “c” e “p” não serão mais escritas quando não pronunciadas, como no caso de acção, facto, adopção e baptismo.

     A unificação teria o intuito de acabar com equívocos que podem ocorrer devido às diferenças ortográficas entre esses países de mesma língua. Para a estudante Luciana Perin, 17, “[A unificação] pode melhorar a comunicação entre esses países, sim. O problema é se acostumar com as novas normas gramaticais.”. Mas para a, também estudante, Mayara Riquetto, 18, o problema vai além do costume. “Têm algumas formas verbais que, com a mudança, fariam muita diferença e até confundiriam as pessoas”, diz. Por exemplo, a palavra pára perderia o seu acento em uma das novas regras e daria ambigüidade ao seu significado (poderia ser entendido, tanto como uma conjugação do verbo parar, quanto como a preposição para).

     Professor de lingüística da PUC-SP, Bruno Dallari discorda desse novo acordo. “Essa mudança é motivada por um interesse geopolítico de criar uma comunidade lusófona. Mas na verdade as línguas já estão se separando”, critica. Além de ressaltar que a língua portuguesa é muito pouco falada na África, por exemplo, Dallari acredita que as línguas se desenvolvem em seus respectivos países de forma independente. “O certo seria simplesmente deixar que cada país seguisse o seu projeto ortográfico próprio, de acordo com as mudanças que acontecem nas respectivas línguas e de acordo, justamente, com as percepções que cada um tem sobre qual é a direção que essas línguas devem tomar”, e ainda observa que “o esforço de modificar grafias não vai ter nenhum efeito no sentido de recuperar qualquer unidade da língua portuguesa, porque não se pode ter esse poder”.

     Segundo a coluna de quinta-feira, 23 de agosto, do professor Pasquale Cipro Neto no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo, essa não é a primeira vez que tentam incorporar novas regras ao português. Em 1990 foi assinado o “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, por todos os países lusófonos da época (o Timor Leste ainda não havia sido incorporado), e deveria entrar em vigor a partir de 1994, segundo o 3º artigo do texto oficial, “após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados juntos do governo da República Portuguesa”, que, por sinal, nunca foram depositados. Não seria melhor investir mais na educação e na alfabetização antes de tentar inserir esses falantes do português em uma tentativa ideológica de unificação? Já se sabe que a maioria dos países que integram a CPLP — com exceção, talvez, apenas a Portugal — é subdesenvolvida, portanto precisa de mais atenção para as áreas básicas como, a própria educação, saúde e saneamento, do que para as “graves” dificuldades de comunicação entre esses países de colonização portuguesa.

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Terremoto de grande intensidade era inesperado

Publicado por lemendes em 21/Agosto/2007

por Letícia Mendes

     Viagem de férias em período letivo. Programei uma semana no Peru, do dia 12 a 19 de agosto, a fim de conhecer os principais pontos turísticos, como Cusco, Nazca e uma das sete maravilhas do mundo: Machu Picchu, e relatar para o Retinas a cultura do país. Após uma viagem tranqüila, cheguei à capital Lima, mais conhecida como o lugar onde as pessoas não sabem o que é um guarda-chuva, pelo fato de não chover. Nas ruas, a ordem é a da buzina. Como não há sinalização no trânsito, o direito de passagem é de quem buzinar primeiro. Também não há taxímetros, o preço da viagem depende se você é um bom pechinchador.

      Na quarta-feira, dia 15, às 18h41 (20h41 no horário de Brasília), eu estava em Águas Calientes, prestes a conhecer as Fontes Termais, quando aconteceu. A notícia de que um sismo de grande intensidade tinha ”sacudido” o país e que isso não era visto há 38 anos, espalhou-se facilmente. Após algumas horas, o presidente do Peru, Alan Garcia, fez uma declaração em rede nacional, anunciando a verba que iria ser distribuída para os afetados e pedindo para que a solidariedade fosse despertada pelo povo peruano.

      Voltei a Lima, e o panorama do desastre não tinha comparação ao de Pisco e Chincha, as cidades mais castigadas pela catástrofe. Imagens na televisão peruana mostravam escombros, famílias lamentando a perda de tudo e cadáveres, que permaneciam horas jogados nas Plazas de Armas. Mais de 500 mortos e 2000 feridos.

cadáveres permaneceram horas nas praças das cidades

     Angústia por falta de informação dos familiares

      Sem linha telefônica pelo país todo, só consegui comunicar-me com o Brasil no dia seguinte. A televisão e os impressos noticiavam alerta de tsunami. O desespero começou a aumentar, principalmente quando comecei a sentir as réplicas, que são os tremores de terra em menor tempo e intensidade. Os sismógrafos registraram mais de 370, porém, não são todas as pessoas que sentem todas as réplicas. No meu caso, senti três vezes. Inclusive, na última delas eu estava no aeroporto de Lima prestes a embarcar para o Brasil.

     Diversas peças arqueológicas sofreram danos irreparáveis

     Parte das formações rochosas conhecidas como “La Catedral y El Fraile” (A Catedral e o Frade) da Reserva Nacional de Paracas em Pisco (Ica), foi derrubada devido ao forte sismo. Eram parte da Bahia de Paracas, declarada Reserva Nacional em 1975. Infelizmente, não pude conhecê-las pois a estrada Panamericana Sur também foi destruída.

ponto turótico destruäo pelo terremoto.    

     Vários países, entre eles, o Brasil, enviaram doações para o Peru. O povo afetado pelo desastre natural precisa de água, alimentos e roupas, porém, a má distribuição dos donativos deixa os peruanos desesperados, brigando entre si nas ruas e fazendo com que o espírito de solidariedade e a calmaria sumam estremecidos mais do que o terremoto da quarta-feira.

Saiba como fazer doações às vítimas do terremoto no Peru

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Cinemateca apresenta 18° festival de curtas de São Paulo

Publicado por mauricio moraes em 21/Agosto/2007

Público no Festival de Curtas

     Por Maurício Moraes

     Cinemateca brasileira abre o 18° festival de curtas metragens de São Paulo nesta quinta-feira, 23. Parceira mais antiga do festival há 10 anos, a residência do acervo de Audiovisual do pais desde 1940, reside na Vila Mariana no antigo Matadouro Municipal, Largo Senador Raul Cardoso, 207, desde 1992.

     O Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo completa 18 anos com a apresentação de 417 filmes de 48 países, em 9 salas da capital. A programação do festival começa nesta quinta-feira, 23 e se estende até dia primeiro de Setembro.

     O tema deste ano será “sonhos e limites”. Nesta edição, o festival que contempla a produção de Audiovisual nacional e estrangeira, desde 1989, completa sua maioridade e temas considerados “adultos” estarão em evidência. Desde os retratos de guerras, culturas periféricas, o festival também abrirá espaço para o tema adulto, pornografia, que nesta edição, em especial, será aberto o programa “Proibido para Menores”.

     Segundo a curadoria, esta não é a única oportunidade que o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo encontrou para exibir estes temas, “o festival sempre teve uma preocupação em apresentar lado a lado temas complexos e temas lúdicos e o curta-metragem é um formato que por sua diversidade se presta bastante a isso”.O festival que conta com selecionados do Brasil, América Latina e Internacional mostrará temas polêmicos e cotidianos das mais variadas retinas da produção audiovisual. Entre os curtas que mais se destacaram, estão: “ A TV com um chapéu”, vencedor da categoria curta-metragem no festival Sundance nos Estados Unidos; “ O Mozart dos batedores de carteiras”, vencedor do Festival de Clermont-Ferrand; “Como frear uma descida”, vencedor do Leão e Ouro em Veneza e “Mei”,vencedor do Urso de Prata em Berlim.

     O festival tem a direção da produtora Zita Carvalhosa e a organização é da Associação Cultural Kinoforum, a entrada é franca em todas as salas que participam da mostra, são elas: Museu da Imagem e do Som, Cinesesc, Centro Cultural São Paulo, Espaço Unibanco de Cinema, Unibanco Arteplex Frei Caneca, Cinusp e Fundação Armando Álvares Penteado, além de duas salas na Cinemateca Brasileira. Para conferir a programação acesse o site http://www.kinoforum.org.br/curtas/2007/galeria.php?f=45&idioma=1

     Cinemateca Brasileira

     Fundada em 1940 por iniciativa de alunos da USP (Universidade de São Paulo), a cinemateca hoje comporta espaços para projeções, cursos, laboratório de recuperação, biblioteca, além do maior acervo de Audiovisual da América Latina com mais de 30 mil filmes.

     O acervo foi constituído e ainda é reforçado por inúmeras doações. A sua maior ampliação  foi com o acréscimo do acervo de filmes que constituía a Filmoteca do Museu de Arte Moderna (MAM).

     Localizada onde era o antigo Matadouro Municipal, o local foi cedido pela prefeitura à Cinemateca em 1992. O antigo matadouro inaugurado no século XIX, foi tombado pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo- e restaurado. Com um ar rústico e bem mobiliado, além de seus eventos com preços populares, a Cinemateca é uma boa dica para assistir ao Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.

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A aventura está próxima

Publicado por Luana Lila em 21/Agosto/2007

Por Luana Lila       

 Arborismo é uma das atrações do local

     Esportes de aventura, matas preservadas, cachoeiras e infra-estrutura fazem de Brotas a capital do ecoturismo do Estado de São Paulo. 

    

     Partindo de São Paulo de carro percebemos aos poucos a extrema mudança do ambiente ao redor: do centro urbano para um interior rural, repleto de pastos e plantações. Após cerca de três horas e 242 km percorridos, chega-se na pequena cidade composta por uma praça central, com a Igreja Matriz, e duas ruas principais que desembocam no rio.

    

     Sendo parte de uma das regiões mais desenvolvidas do país, Brotas é um dos raros locais em que, apesar da intensa atividade rural, manteve-se grande parte da natureza intacta. A cidade teve sua fase de maior desenvolvimento com a expansão do café para o oeste paulista. Sua principal atividade econômica é a agroindústria, mas ela investe cada vez mais no seu maior atrativo: o ecoturismo.

    

     Povoada por cerca de 20 mil habitantes, Brotas costuma receber um número significativo de turistas, ainda assim, nos finais de semana é possível desfrutar da calmaria típica de qualquer cidade interiorana, já que ela ainda não faz parte do itinerário turístico da maioria da população do Estado.

    

     A região é famosa por ser um ótimo local para a prática de esportes radicais, porém, por lá gosta-se de ressaltar o que ela realmente oferece: os esportes de aventura, que nada mais são do que uma sutil variação dos radicais, a diferença é que os esportes praticados em Brotas são compatíveis com qualquer um e com qualquer idade.           

    

     Para obter mais comodidade e segurança muitas vezes é necessário contratar agências, que oferecem uma grande variedade de atividades, como boya-cross, arborismo, rappel e rafting, a escolha depende apenas do gosto, da coragem e do capital de cada um.           

    

     De qualquer maneira nenhum dos passeios impõe grande dificuldade. Para o rafting, por exemplo, faz-se uma preparação na qual os guias ensinam cada movimento que será utilizado mais tarde nas corredeiras. Inicia-se então o percurso pelo Rio Jacaré, às margens de grandes extensões de fazendas. 

    

     O passeio segue por corredeiras de classe 3 e 4, não tão pequenas, mas perfeitamente enfrentáveis, lembrando que em época de chuva essa classificação se altera devido ao grande volume das águas. No meio do percurso há ainda uma surpresa: a parada para a tirolesa opcional. Trata-se de deixar o bote por um momento, subir numa plataforma e descer por um cabo até a outra margem do rio, passando por uma bela paisagem e obtendo-se uma emocionante dose de frio na barriga.           

    

     Após o rafting sobra tempo para curtir a cidade, ou ainda, para os mais animados, encarar outro passeio. Há, como opção mais tranqüila, a visita ao Hotel Fazenda Areia que Canta. Para chegar lá são cerca de 10 km do centro de Brotas e uma estrada de terra cercada de eucaliptos. Na fazenda vale desfrutar do delicioso almoço caseiro e da simpatia peculiar dos donos do local.

    

     A maior atração da fazenda está a 1 km de caminhada, passando por uma plantação de laranjas até chegar à nascente da Corredeira dos Tamanduás, que produz cerca de 70.000 litros de água por hora e tem aproximadamente 1 milhão de anos. A cor azul transparente da água é proporcionada pela areia de quartzo que, quando pressionada entre as mãos, emite um som como se cantasse, é, portanto, a Areia que Canta.

    

     Na nascente é permitido o mergulho apenas com colete salva vidas para preservar a nascente. O mais interessante é a areia movediça e o local em que não se sente os pés devido à pressão da água. A 700 metros dali há ainda um córrego com bunda-cross e hidromassagem.             

    

     Para quem quer mais emoção, uma grande atração da cidade é o arborismo, esporte em que se caminha pelas copas das árvores, preso por cordas e enfrentando diversos desafios. 

    

     Além de aventura, Brotas oferece também suaves caminhadas para cachoeiras com quedas que podem chegar a mais de 75 metros de altura. Nelas existem várias opções: pode-se apenas aproveitar as belas piscinas e a vegetação exuberante; se divertir nos escorregadores naturais; ou ainda praticar canyoning, trekking e cavalgadas.

    

     Canyoning é equivalente ao rappel, ou seja, é um tipo de alpinismo praticado nas cachoeiras e trekkings são caminhadas mais elaboradas em trilhas que possibilitam o contato direto com a mata nativa e que podem durar de meio período a vários dias. 

    

     Depois de tanta adrenalina, o boya-cross é perfeito para aproveitar as águas limpas e a tranqüilidade do interior. Não oferece nenhuma dificuldade, basta apenas se acomodar nas bóias individuais e descer o rio curtindo a paisagem através de pequenas corredeiras. Com sorte é possível encontrar alguns animais, como macacos, atravessando o rio. 

    

     Mais perto do que esperamos e ainda não completamente descoberta pelo turismo, Brotas é o lugar certo para aqueles a fim de fugir da agitação e se aventurar em um contato mais íntimo com a natureza.

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