Retinas

Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Posts de Setembro, 2007

Procura-se tradutor

Publicado por dmekari em 30/Setembro/2007

Por Danilo Mekari

     Durou pouco mais de uma hora a reunião entre o ministro da Justiça Tarso Genro com Philippe Narmino, diretor dos Serviços Judiciários de Mônaco, e nela foi anunciada que a decisão sobre o pedido de extradição do banqueiro Salvatore Cacciola — preso em Mônaco no último dia 15 — provavelmente sairá na segunda metade de novembro. Também estava presente na reunião a Procuradora Geral de Mônaco, Annie Brunet-Fuster, e Genro entregou para a dupla um resumo do processo contra Cacciola.

     Outros documentos, porém, não puderam ser oficialmente entregues, pois não estão traduzidos. É o caso de dois mandatos de prisão do ex-banqueiro e principalmente sua sentença de condenação, que tem 552 páginas — em português.

     Além deste — de fato importantíssimo —, o governo brasileiro ainda tem de entregar um documento que comprove a manutenção do mandato de prisão de Cacciola, emitido em 2000.

     Segundo Narmino, “isso ocorreu há sete anos e preciso constatar se a avaliação desse juiz continua a mesma”.

     O ministro brasileiro voltará a Mônaco para entregar todos os documentos prontos no dia 3 de outubro. Até lá certamente os tradutores já terão feito seu trabalho.

     A legislação monegasca é curiosamente diferente. Após a entrega oficial dos documentos, se reunirá no dia 20 de outubro a Corte de Apelações de Mônaco para iniciar a análise do processo. A decisão deve sair no fim do mesmo mês e será entregue ao príncipe Albert 2º, que dará o veredicto do caso de extradição. Apenas na metade final de novembro.

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Índice de adolescentes grávidas continua alto em SP

Publicado por carlacarrara em 28/Setembro/2007

Por Carla Carrara

     A Secretaria Estadual de Saúde declarou que o número de adolescentes grávidas em São Paulo diminuiu 4% de 2005 para 2006, porém ainda hoje um quinto das mães tem menos de 20 anos. Para o governador do Estado, José Serra, o índice ainda continua alto: “A gravidez na adolescência limita a vida da mãe, temos meninas de 14 anos, 15 anos que estão grávidas, que têm que abandonar a escola e acabam sem liberdade de escolha”, declarou ao jornal O Estado de S. Paulo dia 12 de outubro.

     Segundo o governador, essa queda é resultado da distribuição gratuita em 20 estações do metrô de anticoncepcionais e de pílula do dia seguinte. No entanto, para o secretário de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, a diminuição está associada aos anos de instrução que o adolescente tem na escola; a distribuição de métodos contraceptivos de nada adianta sem que haja uma orientação.

A situação nas escolas

     De acordo com a pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o maior índice de gravidez ocorre nas regiões mais carentes de São Paulo, ou seja, onde estão as pessoas menos informadas. Todavia, as escolas públicas continuam sem orientação sexual, como é o caso da Escola Professora Zuleika de Barros M. Ferreira, localizado na zona oeste da capital paulista. A coordenadora do curso, I.M.*, disse que “não há orientação sexual, apenas eventuais palestras” e esquivou-se do assunto. Ainda na mesma região, a coordenadora do Colégio Miss Browne, B.A.*, disse que “os alunos não têm aula sobre o assunto, mas isso tem a ver com o programa adotado pelo Estado”.

     Nos colégios particulares não ocorre o mesmo. O Colégio Rio Branco, por exemplo, tem o projeto Qualidade de Vida, proposto aos alunos da 7ª e 8ª séries. Os estudantes desenvolvem o trabalho durante o ano, orientados por uma professora, e no último trimestre apresentam seminários no auditório para todos os alunos do Ensino Fundamental II, como declara a orientadora C.G.*. Além desse projeto, no terceiro ano do Ensino Médio, o professor de biologia Silvio Higa faz pesquisas com os alunos e publica as estatísticas em seu site. Higa afirma que “mesmo após a orientação no Fundamental, os alunos chegavam no terceiro ano com dúvidas absurdas e isso me fez desenvolver o projeto”.

     Já no Colégio Bandeirantes o projeto é mais extenso. O CPG (Convivência em Processo de Grupo) foi criado para que os adolescentes pudessem obter informações atualizadas, debater e fazer escolhas conscientes. O CPG é desenvolvido em aulas semanais, da 5ª série do Ensino Fundamental II à 1ª série do Ensino Médio. Além do que é desenvolvido em sala, há a seção “Sex Tips” no site do colégio, onde os alunos tiram suas dúvidas online com a especialista em Orientação Sexual, Dra. Maria Helena Vilela, sem precisar se identificar. Questões selecionadas com suas respectivas respostas são publicadas mensalmente no site.

* As pessoas preferiram não ser identificadas.

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O que está por trás da passividade da juventude contemporânea

Publicado por Luana Lila em 27/Setembro/2007

Por Luana Lila

     O relatório que pedia a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros, foi rejeitado, no dia 12 de setembro, por 40 dos 81 membros da Casa. Com essa decisão, ele não terá seus direitos políticos cassados e poderá, se assim desejar, se manter no cargo que ocupa.

     A maior parte da mídia se manifestou contra a decisão dos senadores e a sociedade pôde perceber que, na democracia brasileira, os governantes não são representantes do povo e, sim, de seus próprios interesses.

     A população está indignada mas falta mobilização de sua parte. Sindicatos, partidos, organizações estudantis, nenhum deles se movimentou expressivamente nos dias que se seguiram à absolvição.

     Há 15 anos, quando ocorreu o impeachment de Collor, milhares de estudantes saíram às ruas, no movimento conhecido como Caras Pintadas, para protestar contra a corrupção. Agora, os escândalos se repetem e, após uma seqüência assustadora deles, é curioso que, não só os jovens, como nenhum outro segmento social, tenha se manifestado veementemente sobre o assunto.

     Será que, hoje em dia, a alienação é tão grande assim? Talvez não. Um dos motivos pelos quais não há grandes mobilizações populares se deve ao fato de o PT, principal conciliador de movimentos sociais e das massas, ser agora o partido no poder.

     Além disso, o governo Lula tem oferecido à União Nacional dos Estudantes (UNE) verbas quatro vezes maiores do que a organização recebia no governo FHC. Não que isso seja ruim, afinal esses recursos são utilizados para promoções de debates e eventos culturais, entre outras coisas, mas é difícil pensar que uma organização que nunca lucrou tanto seja capaz de se manifestar contra quem a alimenta.

     Independentemente das explicações acima, é fato que há uma apatia generalizada, principalmente dos jovens, que, teoricamente, são os mais propensos a se manifestarem contra a ordem estabelecida. Para entender melhor essa passividade contemporânea, conversei com estudantes e funcionários da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), todos entre 18 e 35 anos, para tentar entender como e por que os escândalos do país são assimilados com tanta naturalidade.

     Foram cerca de 20 entrevistados que responderam perguntas sobre o acompanhamento dos acontecimentos em relação ao caso de Renan, como se sentiram quanto aos resultados e o que eles pensam ou gostariam de fazer para se manifestar contra os escândalos que vêm acontecendo na sociedade, sendo o caso do senador o último exemplo deles.

     Muitos sentem vontade de se manifestar, mas não sabem como poderiam fazê-lo, ou então, se dizem sem energia para tanto. Afinal, apesar da conjuntura dos fatos ser extremamente prejudicial à situação econômica e social do país, esses jovens têm uma vida privilegiada e gozam de uma espécie de escudo social que impede que os acontecimentos atuais tenham relevância direta sobre eles.

     Porém há aqueles que, ao seu modo, estão fazendo algo sobre o assunto. Paola*, 22, aluna do curso de Multimeios, já enviou três cartas ao Senado fazendo críticas à situação, mas não recebeu nenhum retorno.

     Enquanto Marcos*, 33, estudante de Geografia, vota nulo em todas as eleições. Ele vê a organização de passeatas como uma manipulação, já que, no final, a ordem continua sempre a mesma e a situação real nunca muda. Talvez, se todos os cidadãos votassem nulo nas eleições, os políticos seriam capazes de perceber a insatisfação da população e a necessidade de mudança.

     Já Alan*, 34, faz mestrado em Psicologia Social e pensa em se candidatar a vereador ou deputado, para estar apto a promover mudanças.

     Há exemplos de jovens que, apesar de não realizarem suas idéias efetivamente, estão pensando sobre o assunto. Constantino*, 27, formado em Direito e Relações Internacionais, sabe que há muito para se fazer, como, por exemplo, entrar com ações contra o poder público, alegando ofensa à moralidade administrativa, ou promover discussões, escrever artigos e assim por diante.

     José Octavio Paes, 19, aluno de Multimeios, crê na arte como forma de mudança, pois, para ele, ela mexe com o sentimento e não com a razão e, desse modo, pode-se fazer política.

     Houve críticas em relação às organizações estudantis ou partidos. Por exemplo, Pedro Sang, 19, estudante de Psicologia, se sente incomodado e acomodado ao mesmo tempo. Porém, apesar de achar que deva participar, não gostaria que seu ato fosse tutelado pelos movimentos que organizam as mobilizações. Para ele, deveria haver um modo para que qualquer um pudesse se manifestar, sem ter de se encaixar em formas ou idéias pré-formadas.

     Ana Roman, 19, estudante de Psicologia, concorda. No seu ponto de vista, militantes de partidos ou movimentos estudantis muitas vezes não percebem que fazem parte de um jogo maior. Eles assumem posições previamente estabelecidas, afirmando sempre ser contra, mas não buscam caminhos que levem a novas indagações ou posições autênticas.

     Ana Noronha, 19, que cursa Artes do Corpo, acredita que as pessoas não estejam se perguntando sobre questões reais. Por exemplo, por que, no Brasil, a democracia permite tantas brechas? Qual é a origem dessa realidade? Para ela, a mídia é, em grande parte, responsável por isso, pois ela fornece fatos e, com eles, passa a impressão, de que se sabe muito sobre o assunto, porém, a própria mídia não faz as perguntas certas, não expõe análises ou saídas.

     Independentemente de se manifestarem ou não, ficou claro que os jovens não sabem como se mobilizar, mas isso porque não vêem esperanças de mudanças. Muitos querem extravasar sua indignação, porém, além de não saberem como fazê-lo, crêem que não haverá resultado algum. A situação do país tem sido a mesma por tanto tempo que os jovens sentem como se vivessem um presente perpétuo, sem possibilidades de alterações.

* As pessoas preferiram não ser identificadas.

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Timão fecha com Nelsinho Batista

Publicado por mauricio moraes em 26/Setembro/2007

Por Maurício Moraes 

     Após a derrota para o arqui-rival Palmeiras neste domingo por 1 a 0, o técnico interino José Augusto deixou o cargo. Segundo a diretoria do Corinthans, Zé não deixará o clube, provavelmente voltará a comandar as equipes de base do clube paulista, ou será auxiliar da equipe principal.

     Para o lugar de Zé Augusto foi fechado contrato com Nelsinho Batista, ex-treinador da Ponte Preta, demitido neste final de semana após empate com o Ituano. Figurinha conhecida da torcida alvinegra, Batista teve três passagens pelo clube a mais marcante em 1990, quando foi campeão brasileiro. A mais recente em 1997 quando foi campeão paulista.

     A diretoria do clube do Parque São Jorge, só anunciou a contratação do técnico na madrugada desta terça-feira. Segundo o clube, o único impasse que existia era em relação ao contrato, Batista queria assinar até o final de dezembro de 2008, mas a diretoria em situação delicada sem saber quem será o próximo presidente, após a renuncia de Dualib, achou mais seguro fechar o acordo até o final de 2007, com possibilidade de prorrogação de contrato.

     Após 10 anos desde a última passagem pelo clube, Nelsinho Batista tem agora que evitar o rebaixamento da equipe paulista: com apenas 33 pontos o Corinthans é o 17° colocado. Segundo nota divulgada no globoesporte.com, Nelsinho vê a situação como desafio: “Você trabalha em uma grande empresa e não vai querer sair para uma menor. Isso também ocorre no futebol. O Corinthians é um grande clube, independentemente da situação que está no Brasileiro. É um desafio, e gosto de desafios”. O técnico será apresentado oficialmente nesta terça, 25, às 14h.

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Projeto de cinema no SESC relembra grandes cineastas

Publicado por inapereira em 25/Setembro/2007

Por Marina Pereira

     O SESC Santana, através de projetos conscientizadores, infantis, teatro, música, entre outros, insere em sua programação mais uma atividade para cinéfilos de todas as idades, trazendo, acima de tudo, a memória de grandes cineastas.

     O projeto chamado “Última chance em 35”, acontece todos os meses na unidade, cada mês com um diretor diferente através de quatro coletâneas de seus filmes que passam a cada terça-feira do mês. O objetivo do projeto, segundo Cristiano do setor de programação do SESC, é uma interação de toda a comunidade no sentido de integrar cinéfilos, pessoas que já conheciam os filmes, pessoas interessadas em conhecer e até crianças curiosas por seus temas de uma forma bastante democrática: gratuitamente.

A película de 35mm

     Criada por George Eastman em 1889 para a fotografia , a película de 35mm logo passou a ser utilizada em experiências cinematográficas. Os primeiros filmes rodados pelos irmãos Lumiére, em 1895, foram realizados em 35 mm. Mais tarde, em 1927, o filme foi adaptado para receber som óptico. Mesmo atualmente com o avanço da tecnologia digital, o formato 35 mm continua sendo o mais utilizado no cinema do mundo inteiro, tanto para filmagem quanto para projeção.

    Mas para onde vão todos estes rolos com tantos filmes maravilhosos depois que saem de cartaz? Quando terminam os contratos de direitos de exibição, que duram aproximadamente cinco anos, entre as distribuidoras e os grandes estúdios, estes filmes costumam ser incinerados ou adquiridos por colecionadores. Antes que isto ocorra, o projeto “Última Chance em 35″ oferece uma oportunidade derradeira a cinéfilos e ao público em geral de assistirem grandes produções em ciclos de filmes de diretores consagrados em produções recentes.

     Com o avanço das produções digitais, as charmosas exibições em 35 mm estão cada dia mais sujeitas à extinção. Por isso, o projeto do SESC Santana tem como objetivo principal resgatar essas sessões, sempre com foco no cinema de arte, até mesmo para tirar de foco os filmes Hollywoodianos, vistos como base de cinema para muitas pessoas. O cinema não é apenas um meio de lazer e entretenimento, mas um veículo de formação e aprimoramento cultural.

Preparação

     Para definir as obras que farão parte dos ciclos, a equipe de programação do SESC Santana faz uma pesquisa abrangente entre as dezenas de distribuidores, cinematecas e colecionadores sobre a disponibilidade de cópias. Depois desse levantamento, outros fatores norteiam a programação, como a importância da obra e do autor no contexto mundial. Diretores consagrados, revelações, sucessos de crítica, bilheteria e temas relevantes também são fatores decisivos na hora da escolha. Em alguns casos, há os ciclos que compõem uma temática, ou seja, fazem parte de um projeto cultural maior, o qual não só se abrange o cinema, mas também teatro, dança, música, contações de histórias, etc.

     Dentre tantas pessoas tocadas pelos filmes, surgiu o depoimento de Nivaldo, ator e grande admirador de Ingmar Bergman, um dos grandes cineastas homenageados no mês de Setembro: “Os filmes de Bergman sempre me impressionam pela intimidade dos dramas vividos por suas personagens. Sempre recorro ao Bergman quando preciso de inspiração para fazer alguma cena ou pesquisa. Seus filmes sugerem um monte de interpretações e sensações diferentes a cada vez que você assiste”.

     Antes de Ingmar Bergman, já passaram pelo ciclo de cinema da unidade Santana, Woody Allen, Quentin Tarantino, Pedro Almodóvar e Luchino Visconti, e agora no mês de Outubro François Ozon trazendo públicos de variados perfis, mas com uma vontade em comum: o cinema.

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Palestra na PUC trata dos Movimentos Populares na Argentina

Publicado por gabrielamoncau em 24/Setembro/2007

Por Gabriela L Moncau

     Na quinta-feira, dia 20 de setembro, ocorreu a primeira palestra do ciclo da América Latina, no auditório da Associação dos Professores da PUC-SP, localizado na rua Bartira. O palestrante foi o argentino Néstor Kohan, abordando o tema “A resistência e os desafios dos Movimentos Populares na Argentina”. Néstor é pesquisador da Universidade de Buenos Aires e tem contribuído para a articulação dos movimentos sociais na América Latina. Alguns de seus livros: Marx en su (Tercer) Mundo; El Capital: historia y método; Introducción al pensamiento marxista; Ideario Socialista; DeIngenieros al Che: ensayos sobre el marxismo argentino y latinoamericano, entre outros.

     Às 19:30, no pequeno auditório da Apropuc, a palestra já havia começado há alguns minutos. As cadeiras vermelhas foram logo todas ocupadas, e apesar do calor daquela noite, a sala foi se enchendo e houve pontos do debate em que pessoas estavam sentadas no chão ou em pé na porta e no corredor.

Neoliberalismo reina na América Latina

     Kohan começou seu discurso falando sobre a forte hegemonia do neoliberalismo na América Latina. Citou uma rebelião popular contra o presidente e a forma de se fazer política na Argentina que ocorreu em dezembro de 2001. No mesmo dia o governo argentino assassinou mais de 30 pessoas. Segundo ele, o presidente Néstor Carlos Kirchner sempre pertenceu a partido burguês clássico. Propagandas a seu favor são muito eficazes, ele utiliza o discurso progressista. Critica o neoliberalismo como estratégia de marketing.

     Iniciou o seu mandato com um discurso de crítica ao neoliberalismo do governo anterior (Eduardo Alberto Duhalde), porém, manteve a forma tradicional de fazer política na Argentina. As palavras “direitos humanos” passaram a ser fundamentais na retórica de Kirchner e para o papel progressista que incorporou enquanto beneficia a direita e traz a modernização do sistema neoliberal.

     A Argentina tem dependência econômica e de mercado com a Inglaterra e os EUA; sua base de exportação era carne e leite. Os principais cultivos sempre estiveram nas mãos de grandes corporações. Houve, então, um grande desenvolvimento na exportação da soja transgênica, destruindo o campo e trazendo muitos efeitos negativos, como qualquer monocultura transgênica. Transformou-se em uma das maiores fontes de capital.

Os meios de comunicação

     Uma outra idéia que o palestrante defendeu, é a de que os meios de comunicação de toda a América Latina foram tomados pelo capitalismo. Explicitou alguns exemplos para comprovar sua tese. Na província de Santa Cruz houve uma manifestação de professores e professoras na qual um funcionário de Kirchner atropelou 17 professoras. Não saiu nada na televisão. Falou também sobre um jornal periódico da Argentina, o Página 12. Foi fundado por uma organização guevarista em 1987 (não se sabe da onde vinha o dinheiro, alguns dizem que era roubado de grandes bancos inclusive como protesto contra a concentração de renda). O jornal era de extrema esquerda, denunciando o poder. Depois da década de 90 foi se transformando, e ao ser comprado por Clarín, manteve um discurso progressista, porém perdeu o caráter esquerdista. Foram cooptados os direitos humanos, os movimentos populares e nesse caso, um meio de comunicação independente (mesmo sendo pequeno). “Assim como o subcomandante Marcos ganhou muito consenso político a favor dos zapatistas através dos meios de comunicação, Kirchner conseguiu consenso a favor do capitalismo por meio dos veículos midiáticos” falou Kohan. O professor da Pontifícia Universidade Católica de São Pauo (PUC-SP), José Arbex Jr., chegou a fazer uma piada nesse momento, perguntando se o subcomandante Marcos e o presidente da Argentina queriam as mesmas coisas.

     Kohan deixou claro o quanto está complicado protestar na Argentina. Para a realização de qualquer manifestação é necessário pedir antecipadamente autorização à polícia. Além disso, existem presos políticos no país. Relatou uma história que durante um ato, um policial jogou uma bomba de gás na nuca de um manifestante e o matou. O policial não está preso. Quem está preso são dois amigos do homem assassinado (conhecidos de Néstor) que repudiaram o assassinato do companheiro.

     Somando-se à questão da repressão policial e do governo, é necessário perceber que a esquerda está muito fragmentada. Não se sente representada e aposta em outro tipo de política, uma corrente que não participa das eleições, infinitamente pequena. As atuações do Movimento Estudantil argentino são raras. Há três correntes: uma maoísta e duas trotskystas, porém, nenhuma delas possui poder para grandes manifestações de massa, até mesmo porque a maioria dos estudantes não é politizada. Os movimentos populares se desintegraram bastante com a subida de Kirchner no governo. Esse, por exemplo, nomeou os principais líderes de movimentos de massa como funcionários públicos, no ministério.

     Cristina Kirchner (a provável futura presidente) promulgou recentemente a “lei antiterrorismo”, freiando os movimentos estudantis e sindicais. Na Argentina, para essa próxima eleição as opções de candidatos são ou a direita mais clássica, disposta a atropelar com um tanque os movimentos populares ou o governo Kirchner (de Cristina), disposto a fazer o mesmo, mas disfarçado de medidas democráticas.

     No governo Kirchner o desemprego chegou a 20% da população econômica ativa. Os salários estão congelados e os preços estão subindo, inclusive produtos básicos (carne, leite, pão). Se é considerado um governo progressista, por que favoreceu tanto o capitalismo?

     Indignado com a diferença entre o que o governo se propõe a ser e o que ele realmente faz, Kohan relatou um caso ocorrido com um dirigente argentino muito popular na década de 90, Carlos “el pero” Santichán. Suas filhas de 9 e 11 anos foram sequestradas e largadas em meio aos antigos campos de concentração da época da ditadura (1966 – 73). Onde estão os direitos humanos, tão utilizados no discurso do governo? E a democracia?

A articulação dos países latino-americanos

     Assim que a palestra foi aberta para as perguntas, foi levantada a questão de Hugo Chávez ter comprado as dívidas argentinas e ter ajudado a salvar a economia do país. Segundo o palestrante, os países da América Latina não estão passando pelos mesmos processos. Cuba está tentando, aos tropeços, sustentar um país não capitalista. Hugo Chávez na Venezuela inicia um processo supostamente bolivariano (inspirado no líder revolucionário “libertador da América” Simón Bolívar, responsável pela independência de vários territórios da América Espanhola). Evo Morales na Bolívia, apesar de não falar em socialismo, sustenta um movimento indígena/campesino muito importante. Esses países têm a pretensão de se unirem para enfrentar a maior potência do planeta, o imperialismo americano. Desse modo, precisam buscar relações com o resto da América latina, provavelmente foi com a intenção de romper laços dos EUA e estabelecer uma espécie de aliança por necessidade diplomática que Chávez ajudou a Argentina.

     O presidente Lula foi pouco discutido durante a palestra, mas foi considerado que talvez seja pior que Kirchner, por ser associado a um caráter traidor; formou-se a partir dos movimentos sociais, era sindicalista, lutou contra a ditadura, mantinha um discurso esquerdista e acabou por manter um governo de caráter neoliberal.

     Perguntaram também sobre o Álcool Etanol, mas foi logo explicado que essa questão não repercurtiu na Argentina tanto quanto no Brasil. Pequenos grupos campesinos discutem a questão do álcool e das energias renováveis, porém, não há grande consciência popular.

     Quais as alternativas de fortalecimento da esquerda na América Latina? Essa pergunta também não tardou a aparecer, quase que como uma esperança de que tivesse uma simples fórmula para que isso acontecesse. Há muitas estratégias. Uma delas é unir distintas correntes latino-americanas (MST, correntes sindicais, estudantis etc), algo com perspectiva de revolta popular. Néstor citou o Encontro Cone Sul como uma alternativa. Trata-se de um encontro de diversas organizações sociais para trabalhar o diálogo e a união na América Latina, surgiu em 1980 com Manuel Rodrigues e permaneceu na ilegalidade por muito tempo.

     A palestra chegou ao fim, o convidado foi bastante aplaudido. Na pequena sala, todos levantaram e se dirigiram para a saída, provavelmente com os pensamentos na articulação da América Latina e esperançosamente, com idéias de grandes transformações.

Saiba mais:

Cone Sul

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Exposição amplia olhares

Publicado por Luana Lila em 23/Setembro/2007

Por Luana Lila

     De 11 de setembro à 6 de outubro, a mostra A caminho do Mar, expõe uma série de imagens do renomado fotógrafo Bob Wolfenson  sobre Cubatão na galeria Millan. Reúne 16 imagens da cidade, famosa por sua capacidade industrial e pela poluição que produz.

     É inusitado utilizar um local tão esteticamente degradado como objeto fotográfico, mas Bob Wolfenson tem explicações claras para isso.  Desde a infância passava pela região, à caminho da praia, e sempre a observou como um marco na transição entre a cidade e natureza.

     A exposição foi elogiadíssima por jornalistas e intelectuais, principalmente por fazer uso de uma moderna tecnologia. 

     Parte das fotos estão impressas com jatos de tinta em placas de policarbonato, uma espécie de acrílico, enquanto as outras foram transformadas em gigantescas caixas de luz. Essa forma de impressão remete à pintura, em especial por lembrar a técnica do afresco.

     A fotografia, originalmente, nasceu como representação objetiva da realidade, mas a exposição  coloca o observador em reflexão sobre as formas, texturas e cores apresentadas. Também provoca uma contradição das percepções, afinal, as fábricas e a fumaça acabam proporcionando belas imagens.

     A galeria Millan está localizada na Rua Fradique Coutinho, 1360, Vila Madalena.    

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Invasão da PUC completa 30 anos

Publicado por Marcelo Martino em 22/Setembro/2007

Por Marcelo Martino

     Hoje faz 30 anos que a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) foi brutalmente invadida pela polícia militar paulista, numa ação comandada pelo coronel Erasmo Dias. A invasão se deu devido ao III Encontro Nacional dos Estudantes (ENE), cujo objetivo era tentar reorganizar a UNE, o que foi considerado um ato subversivo pelos homens do exército.

     Na noite de quinta feira, 22 de setembro de 1977, por volta das 21 horas deu-se início um Ato Público na faculdade, com a presença de cerca de 2 mil estudantes. Estava sendo lida a ata da reunião, quando viaturas da tropa de choque pararam na esquina da rua Bartira com a Monte Alegre e surpreenderam os alunos que estavam em frente ao Teatro da Universidade Católica (TUCA). O corre-corre dos estudantes foi geral, e o clima de terror instaurado pelos policiais tomou conta do local, a polícia não fazia a menor distinção, a ação era violenta contra qualquer um que passasse na frente deles.

     Mais de mil estudantes foram pegos e levados ao estacionamento em frente a universidade e passaram por uma triagem policial. Desses, 700 foram levados ao batalhão Tobias de Aguiar, localizado na Av. Tiradentes, onde só foram liberados aos poucos.

Estudar na PUC nos anos de chumbo 

     Para traçar um perfil de como era estudar na PUC no período da invasão,  a ex-estudante de História, Helenize Martins Pessoa, formada em 1979, concedeu uma entrevista para o Retinas.

MM: Em que ano você entrou e saiu da PUC?
    
HM: Eu entrei em 1974 (inclusive meu nº de matrícula era 1174/74), para cursar História, e me formei em 1979.

MM: Como se organizava o movimento estudantil na sua época?
  
HM: Era uma época muito complicada, os movimentos estudantis e os sindicatos eram mal vistos pelo governo, havia uma vigilância constante, até mesmo de agentes se passando por estudantes. Eu não participei de nenhum movimento, por isso não posso te dizer ao certo sobre sua organização. Entretanto, havia reuniões secretas, enfim, tudo era camuflado. Inclusive a invasão ocorreu por causa de uma reunião SBPC proibida pelo governo.
 
MM: Você se considerava uma militante?

HM: Não. Eu trabalhava em período integral e estudava durante a noite, mas tinha consciência do que ocorria.

MM: O que você estava fazendo no dia da invasão?

HM: Eu assistia aula no momento da invasão no prédio novo, e minha irmã assistia à uma assembléia em frente a Universidade. O clima essa noite estava muito pesado e quando nos demos conta da invasão fugimos pela escadaria.

MM: Qual era o clima na universidade nos dias que se seguiram à invasão?

HM: Nos dias que se seguiram o clima foi de tristeza, consternação, revolta, surpresa…

MM: Era comum ver tropas policiais dentro na PUC?

HM: Tropas não, mas sabíamos da existência de agentes infiltrados em salas de aula, entre os estudantes, nas comemorações e festas.
   
MM: Qual foi a importância dessa experiência, a invasão da PUC, na sua vida profissional?

HM: Usei esse episódio como um rico instrumento ilustrativo quando lecionava a respeito da ditadura militar, da defesa da democracia (embora tenha falhas), na importância de votar (com consciência). Neste momento estou me sentindo uma “memória viva” contando isto pra você!

MM: Qual é o seu contato atual com a faculdade?
    
HM: Atualmente meus dois filhos estudam na PUC e, pretendo voltar à faculdade como aluna. 

A PUC hoje em dia 
    
     Matheus Aporta de Araújo, estudante do 2º ano de História, traçou um paralelo entre os estudantes da PUC nos anos da ditadura militar e os de hoje.

MM: Porque você escolheu a PUC?
    
MA: No meu curso, boas opções na cidade de São Paulo só a USP e a PUC. A USP eu não passei, mas na PUC sim, e pela tradição do curso eu resolvi me matricular. Mas a falta de organização do curso me surpreendeu negativamente.

MM: Você tem idéia do papel que a PUC teve na luta contra a ditadura?
    
MA: No meu curso esses fatos são lembrados, tanto pelos professores quanto por alguns alunos, então a gente acaba tendo uma noção disso. Mas eles acabam pondo uma áurea de heroísmo na PUC, o que eu não concordo muito. Ao invés de o pessoal refletir sobre isso, às vezes eles ficam só idealizando, mais ou menos como fazem com o Che Guevara, resguardada as devidas proporções, é claro. Isso por causa da grande admiração para com aqueles que lutaram contra o sistema a época.

MM: O que você sabe sobre a invasão da PUC?

MA: Eu tenho apenas vagas idéias. Na verdade, como eu disse, eu ainda não estudei a ditadura militar em no meu curso de história, o que eu conheço é o que o pessoal fala. Até aquele momento a PUC era um lugar relativamente seguro para os intelectuais, a instituição fazia de tudo para protegê-los, mais até do que na USP. O que eu sei é o que aconteceu em praticamente tudo que é invasão: violência contra os alunos.

MM: Na sua opinião a PUC ainda tem movimento estudantil?

MA: A PUC tem. Mas na minha opinião o movimento mais repele os alunos do que os coloca dentro do debate acadêmico. Por que tem a obrigatoriedade de levar um debate diferente, a turma da noite é bem mais participativa do que a minha. Eu acho que eles são desorganizados, o que acaba limitando o poder de atuação deles, poderia atingir um número bem maior de pessoas. Os alunos querem exigir bem mais coisas, mas não tem um movimento estudantil organizado. O movimento estudantil só se apresenta de fato com cartazes na parede, só assim sabemos dele.

MM: Porque a universidade perdeu essa característica?

MA: Primeiro porque eles são desorganizados. Segundo pelo extremo radicalismo de alguns que organizam o movimento. E terceiro, e mais importante, acho que as pessoas estão menos engajadas, é o fim das ideologias, acabam ficando apáticos. Hoje a preocupação é entrar no mercado de trabalho, não pensam no papel da universidade na sociedade e da força que tem nas mãos.

MM: Você se considera politicamente engajado?
 
MA: Eu me considero, em comparação com o resto da população brasileira, o que é difícil devido a triste situação do sistema educacional. Eu levo a sério meu voto, tomo atitudes que eu considero cidadãs e norteio minha vida por isso, estou numa ONG, e sempre me engajo em movimentos que eu considero coerente.

MM: Você considera seu C.A. (Centro Acadêmico) engajado?

MA: Engajado é, mas acho mesmo é que meu C.A. é desorganizado.

MM: Você considera a PUC de esquerda?

MA: Isso é muito relativo. Se você entrar em qualquer sala de História e falar que é de direita vai ser isolado, em compensação se você entrar em outras salas e for de esquerda vai acontecer o mesmo, eles vão pré-julgar. A PUC é bem dividida. Na sua maioria o prédio velho é mais consciente, e o prédio novo é mais anti-esquerda, o que acusa uma rixa infundada. E afinal, o que é esquerda e direita exatamente? Difícil definir. 
        
     A ação policial acabou tendo um efeito contrário ao esperado, pois só fortaleceu o movimento, e comprovou a força que os estudantes tinham. Uma placa do C.A. 22 de agosto, feita quando se fez um ano da invasão, resume bem a situação e o que se levou desse fatídico dia, ela tem o seguinte dizeres: “Não se cala a consciência de um povo”.

Para saber mais:

Documentário “Não se cala a consciência de um povo”,

http://www.youtube.com/watch?v=1QT94aSvF-k&mode=related&search= - parte 1

http://www.youtube.com/watch?v=P9AGedeSPu4&mode=related&search= - parte 2

http://www.youtube.com/watch?v=718T766fpQA&mode=related&search= - parte 3

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Virada Esportiva promove atividades em 230 locais

Publicado por lemendes em 21/Setembro/2007

Por Letícia Mendes

     Inspirada na Virada Cultural, a primeira Virada Esportiva da cidade de São Paulo terá desde esportes radicais, como a tirolesa e o arborismo, passando por xadrez e chegando até os “boêmios” sinuca e dardo. Serão mais de 400 eventos em 230 pontos da cidade, durante 24 horas – das 14h do dia 22 de setembro às 14h do dia 23.

     Os esportes radicais ocorrerão no Memorial da América Latina. Além dos mencionados, poderão ser praticados no local skate, patins e surfe mecânico. Já quem não gosta de se cansar fisicamente poderá assistir à declamação de um poema do artista uruguaio Carlos Paez Vilaró, na praça do Pôr-do-Sol.

     Tem esporte para todos os gostos e físicos.

     Abaixo, a programação da Virada.

     Parque da Juventude

     O local foi escolhido para a abertura do evento, que contará com a presença de Pelé e Solange Frazão. Haverá apresentações de dança e circo, passeios ciclísticos, caminhadas, arena de lutas e festival de peteca.

     Parque Trianon

     Mequinho, vencedor internacional de xadrez, jogará com 20 desafiantes. Os opositores serão escolhidos amanhã (dia 22) nas estações Jabaquara e Largo 13 de metrô.

     Parque Villa-Lobos

     O parque realizará esportes praianos como futevôlei e vôlei de praia. Também estão previstas atividades para pessoas portadoras de deficiência.

     Unidades do SESC

     Maratona de tênis de mesa e basquete são algumas atrações do Sesc Vila Mariana. No Sesc Pompéia estão programadas práticas de ioga e alongamento com música ao vivo. Muitas outras atividades esportivas irão acontecer nas diversas unidades.

     USP

     Atividades de canoagem acontecem na raia olímpica da Cidade Universitária. No campus, também haverá um treino para a tradicional corrida de São Silvestre.

     Represa de Guarapiranga 

     Regatas a vela e canoagem.

     Vila Madalena

     Terá campeonatos de truco, futebol de botão, pebolim e desafio de sinuca. A rua Aspicuelta terá apresentações de dança de salão. Na praça do Pôr-do-Sol haverá prática de ioga.

     21 CEUs (Centros Educacionais Unificados)

     Gincana na virada.

     Virada Night Bikers

     Passeio ciclístico noturno de 66 km que terá início no parque das Bicicletas.

     Centro Olímpico

     A ex-jogadora de basquete, Paula, mais conhecida como a Magic Paula, comandará uma peneira para escolher crianças e adolescentes para 11 modalidades, como atletismo, basquete, boxe e futsal.

     Estádio do Pacaembu

     Haverá maratona aquática nas piscina do estádio durante 24 horas. No campo, acontece o jogo dos famosos, com integrantes de algumas bandas de rock nacionais.

     Memorial da América Latina

     O Memorial será palco da “Arena da Juventude Radical” com oficinas de skate, patins, frescobol, tobogã e tirolesa. Também haverá algumas modalidades inusitidas como surfe mecânico e pebolim humano.

     Minhocão (Elevado Costa e Silva)

     Caminhadas, práticas de alongamento e ciclismo. O viaduto deve ficar fechado para veículos desde às 8h do sábado até às 5h de segunda.

     Parque Ibirapuera

     Apresentação de basquete de rua da NBA. No domingo, acontece a largada da Maratona de Revezamento Pão de Açúcar.

     Parque da Independência

     Acontecem a abertura dos Jogos da Cidade e uma etapa do mundial do circuito de skate com obstáculos. No domingo, às 14h, show com Trio Mocotó, Rappin’Hood, DJ Patife e Jorge Aragão deve encerrar a programação da Virada.

 Dia Mundial Sem Carro: você vai aderir?

     Amanhã (dia 22), o Movimento Nossa São Paulo também coordena na capital o Dia Mundial Sem Carro. O evento tem o intuito de alertar as pessoas para os problemas causados pelo uso massivo dos automóveis nas grandes cidades. 

     Várias ruas da capital serão bloqueadas para atividades programadas pelo Movimento Nossa São Paulo. Entre as vias interditadas estão o Minhocão (Elevado Costa e Silva), a Praça da Matriz (Freguesia do Ó) e as ruas Leôncio de Carvalho (cruzamento da Avenida Paulista), Rua Maria José (Bela Vista), Colônia Nova (Jardim Ângela) e Belmiro Braga (Vila Madalena).

     Uma série de atividades esportivas e culturais acontece no parque Villa-Lobos, parque Ibirapuera, avenida Paulista, elevado Costa e Silva e praça Matriz da Freguesia do Ó. Alguns eventos integram a Virada Esportiva.

     Aproveite o clima esportivo para guardar o carro na garagem e “desenterrar” sua bicicleta, seu patins, skate, patinete e divirta-se!

Veja a programação completa do Dia Mundial Sem Carro em São Paulo

Veja a história do Dia Mundial Sem Carro

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Jornais gratuitos invadem as ruas de São Paulo

Publicado por karllatatto em 20/Setembro/2007

Por Karlla Tatto 

     Não importa de onde o cidadão vem ou para onde ele vai. Certamente ele encontrará em seu caminho um promotor vestido de verde ou laranja florescente que lhe entregará um jornal gratuito, no formato de um tablóide, quando ele passar. Simples, assim, o cidadão paulistano teve suas manhãs invadidas por esse novo tipo de comunicação há mais ou menos um ano e dois meses com o Destak  e mais recentemente com o Publi Metro.

     O precursor dessa nova moda foi o Destak. Lançado em 06 de julho de 2006, sua primeira tiragem foi de 200 mil exemplares. Antes dele, o Metrô News era distribuído gratuitamente há 30 anos, mas ficava restrito às estações do metrô e não tinha grande alcance popular. Hoje o Destak possui cerca de 1 milhão de leitores (segundo pesquisa Ipsos Marlan) sendo 52% das classes A e B, a maioria com idade entre 18 e 34 anos e 81% dos leitores são economicamente ativos. O foco do empresário André Jordan em parceria com os grupos portugueses Cofina e Destak (proprietários de um jornal com o mesmo nome e características em Portugal) era atender a um público exigente e sem tempo a perder, que busca informação concisa, todovia completa. O Destak é publicado em 38 países e anualmente são distribuídos mais de 60 milhões de exemplares.

     O Publi Metro, lançado pelo Grupo Bandeirantes em parceria com a Metro Internacional, segue a mesma linha do Destak: informação rápida, de qualidade e dirigida a um público jovem. Mundialmente é lido em 21 países totalizando mais de 22 milhões de leitores ao ano. Sua estratégia de divulgação, no entanto, foi mais audaciosa do que a do concorrente direto. Os promotores do Publi metro, vestidos de verde limão e carregando carrinhos lotados de exemplares, invadiram mais de 300 pontos de São Paulo, se aproveitando principalmente das paradas obrigatórias dos automóveis nos cruzamentos mais movimentados da cidade e da grande quantidade de pedestres circulantes nessas regiões.

     Para não perder espaço, semanas depois lá estavam os promotores do Destak, trajados de laranja fluorescente e com o mesmo carrinho (devidamente estilizado) cheio de exemplares, disputando espaço, janelas e mãos nas ruas da cidade.

A concorrência

     Quem não gostou muito dessa história de jornal sendo distribuído pelas ruas foram os donos de bancas. A venda de jornais a preços mais populares como o Agora e o Jornal da Tarde teve uma queda significativa nos locais próximos aos promotores do Destak e do Publi Metro.  ”O trabalhador que passava aqui na frente de manhã e olhava as manchetes nos jornais comprava o mais barato. Agora com esse monte de jornal distribuído de graça não tem mais por que o cara comprar jornal todo dia. Eles só compram quando acham que tem alguma coisa muito importante como no caso do julgamento do Renan Calheiros ou algum jogo de futebol importante”, reclama Antônio Leme da Silva, funcionário da Banca Rebouças que fica no cruzamento da Av. Brasil com a Av. Sumaré e disputa espaço com nada menos que 2 promotores de cada empresa.

     Os pedestres e os motoristas, no entanto, comemoram a iniciativa. “Ele (o Publi Metro) foi uma excelente idéia. A informação chega para as pessoas mesmo que elas não tenham condições de comprar jornais. Até tomei o hábito de ler todos os dias e passo pra galera da empresa”, diz Rose Santec em carta divulgada em uma das edições do jornal. Para os motorizados, além de economizar o tempo e o dinheiro gastos em uma compra, a distribuição nos semáforos ajuda a distrair o motorista nos inúmeros congestionamentos e os fazem chegar ao seu destino já informados das principais notícias. Os transeuntes também não perdem a chance de garantir seu exemplar. “Pego o meu perto do ponto de ônibus e já vou a viagem toda lendo. Assim não preciso esperar até o Jornal Nacional pra saber o que está acontecendo no mundo”, nos conta Irene Carvalho, empregada doméstica.

A crítica

     Com o futuro dos meios de comunicação impressos sendo constantemente discutidos o que não sobra são comentários, críticas e elogios aos jornais gratuitos. Alguns consideram esse tipo de publicação a salvação da mídia diária impressa já que se assemelha à internet pelo estilo notícias-pílula, mas com maior alcance popular. É o tal do saber um pouco de tudo, mas tudo de nada. “Em uma mesa de botequim, ok. Em uma reunião, ferrou!” escreve Daniel Bushatsky no site PodBrasil sobre a qualidade da notícia desse tipo de publicação.

     A maioria das críticas, no entanto, se referem ao verdadeiro papel dos tablóides populares. Por serem gratuitos a publicidade ganha mais espaço ainda na arrecadação de verbas para a manutenção dos gastos e lucros. Muitos escritos sobre o tema consideram esse tipo de veículo de informação verdadeiras propagandas fantasiadas de jornais, até pelo público alvo ser majoritariamente ativo economicamennte.

     O Publi Metro ainda está no processo de conquista de publicidade. Já o Destak já publicou propagandas de mais de 300 empresas diferentes em suas páginas. O site do jornal possui uma seção chamada Publicidade que mostra os tipos de anúncios que podem ser feitos, os modelos e até uma tabela de preços para cada um deles. Medidas como essas pesam contra a premissa da informação e tendem para o lado publicitário da mídia o que prejudica, e muito, a formação do leitor e a qualidade do jornalismo que é distribuído gratuitamente todos os dias. O fenômeno é novo e por isso é cedo demais para tirar conclusões que cercam as premissas da alienação, formação de opinião e da manipulação, mas devemos nos atentar para os riscos e benefícios que essa nova mídia pode acarretar nas populações de massa.

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