Por Gabriela L Moncau
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, desde que assumiu a direção, em vez de incentivar a inclusão social através do esporte, se preocupou em transformar aquela entidade numa mera empresa organizadora de eventos esportivos com o intuito de dar lucro e projetar a sua figura nacional e internacionalmente.
Além disso, há algumas informações curiosas que foram publicadas em relação à organização dos Jogos Panamericanos.
Em primeiro lugar, não houve licitação para a contratação da segurança do Pan, com o argumento de que era assunto sigiloso e não poderia ser exposto. Além disso, a empresa que foi contratada anunciou um mês antes do Pan que não seria possível fazer tudo que tinha que ser feito.
Em segundo lugar, a agência de turismo que presta serviço ao COB é de Cristina Lowndes, grande amiga de Nuzman, em uma licitação até hoje contestada. A empresa que organizou as festas de abertura e encerramento, também sem licitação, é ligada ao Alexandre Accioly, sócio do diretor do COB Marcus Vinicius Freire. É uma grande festa para um grupo pequeno.
A licitação é promovida por um organismo chamado CO-Rio, que organiza as empresas e organizações ligadas ao Pan (a prefeitura, o Ministério do Esporte, o governo do Estado). É uma empresa privada e presidida por Carlos Arthur Nuzman. Ele é presidente da CO-Rio e do COB.
O governo (prefeitura e governos federais e estaduais) ia gastar R$ 720 mi., mas a fatura fechou em algo em torno de R$ 3 bi. A mídia, porém, desde o início praticamente não indicou estouro de orçamento nem atraso nas obras. Nada do tipo passou no Jornal Nacional, no Globo Esporte, na Record, na Bandeirantes. E isso ocorre porque tendo os direitos do evento, esses veículos de comunicação acabam por virar sócios do dono do evento, e assim, não o criticam.
Foi prometido para o Pan, a despoluição da lagoa Rodrigo de Freitas e da baía de Guanabara e uma nova linha de metrô ligando o aeroporto à Barra da Tijuca. As coisas que seriam verdadeiramente importantes para o Rio de Janeiro não foram cumpridas.
O Estado carioca matando indistintamente nas favelas, para que a TV Globo pudesse exibir os Jogos Panamericanos como se aqui fosse um exemplo de segurança pública – eliminados os pretos e pobres dos morros e conseguida a “paz” social, a forçada “conciliação” entre as classes sociais inculcada nas mentes alienadas.
Um blog chamado A verdade do Pan fazia o cliping de tudo o que saía na imprensa e sérias acusações e críticas em relação à organização dos Jogos Panamericanos e ao Estado do Rio de Janeiro. Misteriosamente foi tirado do ar.
A cobertura da televisão
Do dia 13 a 29 de julho, os jornais dos principais canais de TV aberta passaram apenas informações sobre o acidente da TAM e os jogos panamericanos. E a imagem da “cidade maravilhosa” era construída, enquanto se escondia embaixo do tapete as inúmeras mortes nos morros, seja de guerra entre traficantes ou com a polícia. No meio tempo dos Jogos, só para citar alguns dos numerosos acontecimentos e tragédias que foram ignorados pela mídia televisiva: três jovens suspeitos de terem assaltado um carro morreram num confronto com a polícia em Jardim Nóia, na altura da Favela do Dique; dia 26 corpos de dois homens de 20 e 25 anos foram encontrados na favela Para-Pedro em Irajá; dois jovens foram mortos no dia 15, em tiroteio com a polícia militar, garoto de 16 anos morreu vítima de bala perdida enquanto preparava café dentro de sua casa, em Jacarézinho. Isso sem citar a megaoperação policial ocorrendo no Complexo do Alemão, no qual de acordo com os números oficiais, 44 pessoas foram mortas e 78 feridas. O caso, conhecido como a “Chacina do Alemão”, chegou a ganhar repercussão internacional.
Esses assuntos, porém, não foram frisados pela televisão. Preocupada em construir uma convencida imagem de saudáveis e fortes atletas americanos, canadenses e mexicanos chegando e competindo na “cidade maravilhosa”, limpa e paradisíaca do nosso país tropical, a TV Globo ganhou muito dinheiro disfarçado de patriotismo.
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