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Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Posts de Setembro 12th, 2007

Grupo leva para asilos a arte de fazer rir

Publicado por barbaragm em 12/Setembro/2007

Por Bárbara Guimarães Mengardo

Foto Bárbara Guimarães Mengardo Foto Bárbara Guimarães Mengardo

Muitos sorrisos durante o trabalho dos Andarilhos da Alegria


     O dia mal começa e eles já estão preparados. Colocam suas roupas coloridas e maquiagens no porta-malas, se reúnem uma última vez para combinar os detalhes da viagem e pegam a estrada. O destino: Lar dos Velhinhos São Vicente de Paula, Guararema, interior de São Paulo. Essa é a rotina dos Andarilhos da Alegria, um grupo de pessoas que, todo primeiro sábado do mês, se dispõem a levar alegria aos asilos carentes.

     O grupo é formado por nove pessoas que há três anos divertem idosos vestindo-se de palhaços. Os integrantes não recebem nenhum tipo de ajuda monetária. Todos os materiais e figurinos utilizados nas intervenções são comprados pelos próprios membros do grupo, assim como todo tipo de donativo levado aos asilos, como cestas básicas, fraldas geriátricas ou alimentos. No caminho até Guararema, que durou cerca de uma hora, pude conversar com Agnaldo (palhaço Zé Quinha), e entender um pouco mais sobre o trabalho dos Andarilhos.

     A idéia de formar o grupo surgiu durante a festa de aniversário de uma das integrantes, Sônia (palhaça Panda Fofa), quando foi constatado que havia um interesse em comum entre ela e alguns amigos em fazer um projeto social com o objetivo de ajudar os necessitados. A partir dessa constatação surgiram muitas idéias, como a de distribuir sanduíches aos moradores de rua ou visitar hospitais, mas a sugestão que prevaleceu foi a de ajudar idosos, pois não existem muitos trabalhos voltados a esse público.

     Segundo Agnaldo, que faz parte dos Andarilhos há dois anos, muitas pessoas já passaram pelo grupo, mas apenas algumas o continuam realizando, pois é preciso ter um estado emocional bom. Muitas vezes o grupo vai até os idosos que não recebem visitas há anos, então a reação dessas pessoas é muito imprevisível. Muitos xingam os Andarilhos, pedem para eles saírem de seus quartos, os agridem fisicamente e alguns até pedem para levá-los para casa.

     Agnaldo citou uma situação pela qual eles passaram que foi extremamente difícil. Um dia, em um asilo que eles visitaram, uma das integrantes do grupo, Loli (palhaça Raska Raska) perguntou a um idoso “Como você está?”, e ele respondeu “Você é muito tonta, como você acha que eu estou num lugar desse? Nada acontece aqui!”.

     Em compensação, a maioria dos idosos tem uma ótima reação quando interagem com os palhaços. Segundo Agnaldo, os Andarilhos não costumam entrar em contato com os asilos visitados, mas, na primeira vez em que participou, por insegurança, ele visitou a instituição alguns dias depois e foi informado que após a passagem do grupo a aceitação de medicamentos e alimentos melhorou muito.

     Outro motivo que indica o sucesso do grupo é o fato de eles receberem muitos e-mails e cartas de agradecimentos dos asilos após as visitas. Entretanto, uma característica dos Andarilhos é nunca passar mais de uma vez pela mesma instituição, e essa regra dá origem ao nome do grupo, que nunca se fixa em um mesmo lugar.

A visita

     O local escolhido pelos integrantes do grupo naquele sábado, primeiro de setembro, era um asilo pequeno, dividido entre a ala dos homens e das mulheres. O local, mantido por uma Instituição ligada à Igreja Católica, tinha uma decoração bastante simples, com as janelas e portas dos quartos (que abrigavam, cada um, 3 ou 4 idosos) pintadas de azul, pequenos jardins e uma capela ao centro. O lugar era extremamente silencioso e calmo.

     Enquanto os palhaços se vestiam e maquiavam, pude conversar um pouco com os moradores do local. Entre eles, era um consenso não gostar de morar ali. Muitos deles estavam morando no asilo porque foram abandonados pela família, e apesar de terem amigos ali, gostariam de estar na companhia de seus familiares. Uma das primeiras pessoas com quem conversei, uma mulher que estava em uma cadeira de rodas, disse-me que só não fugia porque as portas do lugar ficavam sempre fechadas.

     Logo que terminaram de se arrumar, os palhaços começaram a interagir com os idosos. O primeiro contato era sempre cauteloso, mas com o tempo cada membro do grupo se sentiu à vontade para brincar e alegrar cada morador do asilo.

     A recepção dos idosos foi muito boa. Ninguém se sentiu incomodado com a presença dos Andarilhos, muitos riam e dançavam ao som de algumas marchinhas de carnaval trazidas pelos palhaços. O que era um lugar quieto e calmo transformou-se repentinamente em um lugar agitado e alegre, com muitas risadas e músicas. O lugar ainda tornou-se mais alegre com a chegada de algumas crianças, que participavam de um coral que cantava durante as missas do asilo. Ao perceberem a presença dos palhaços, logo ficaram alegres e corriam por todo asilo brincando.

    Os palhaços deram aos idosos muitos presentes, e fizeram até os mais calados rirem. Uma mulher que vivia em uma cama e não tinha quase nenhuma reação, nem sequer falar direito, reagiu aos Andarilhos com um largo sorriso.

     Depois que os palhaços se despediram, fui conversar novamente com os idosos, que agora se dirigiam à igreja para assistir à missa; e novamente me deparei com um consenso: todos tinham adorado a visita dos Andarilhos da Alegria, e acharam aquela uma ótima maneira de quebrar a rotina no asilo.

    Voltei então para São Paulo pensando no quão nobre é a atitude dos Andarilhos da Alegria, que, sem nenhuma ajuda ou reconhecimento, fazem rir mesmo os mais deprimidos, fazem surgir um sorriso no rosto daqueles que foram abandonados por suas famílias em asilos e não recebem uma visita há anos; que, segundo Agnaldo, “trabalham levando alegria”.

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