Retinas

Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Jornais gratuitos invadem as ruas de São Paulo

Publicado por karllatatto em 20/Setembro/2007

Por Karlla Tatto 

     Não importa de onde o cidadão vem ou para onde ele vai. Certamente ele encontrará em seu caminho um promotor vestido de verde ou laranja florescente que lhe entregará um jornal gratuito, no formato de um tablóide, quando ele passar. Simples, assim, o cidadão paulistano teve suas manhãs invadidas por esse novo tipo de comunicação há mais ou menos um ano e dois meses com o Destak  e mais recentemente com o Publi Metro.

     O precursor dessa nova moda foi o Destak. Lançado em 06 de julho de 2006, sua primeira tiragem foi de 200 mil exemplares. Antes dele, o Metrô News era distribuído gratuitamente há 30 anos, mas ficava restrito às estações do metrô e não tinha grande alcance popular. Hoje o Destak possui cerca de 1 milhão de leitores (segundo pesquisa Ipsos Marlan) sendo 52% das classes A e B, a maioria com idade entre 18 e 34 anos e 81% dos leitores são economicamente ativos. O foco do empresário André Jordan em parceria com os grupos portugueses Cofina e Destak (proprietários de um jornal com o mesmo nome e características em Portugal) era atender a um público exigente e sem tempo a perder, que busca informação concisa, todovia completa. O Destak é publicado em 38 países e anualmente são distribuídos mais de 60 milhões de exemplares.

     O Publi Metro, lançado pelo Grupo Bandeirantes em parceria com a Metro Internacional, segue a mesma linha do Destak: informação rápida, de qualidade e dirigida a um público jovem. Mundialmente é lido em 21 países totalizando mais de 22 milhões de leitores ao ano. Sua estratégia de divulgação, no entanto, foi mais audaciosa do que a do concorrente direto. Os promotores do Publi metro, vestidos de verde limão e carregando carrinhos lotados de exemplares, invadiram mais de 300 pontos de São Paulo, se aproveitando principalmente das paradas obrigatórias dos automóveis nos cruzamentos mais movimentados da cidade e da grande quantidade de pedestres circulantes nessas regiões.

     Para não perder espaço, semanas depois lá estavam os promotores do Destak, trajados de laranja fluorescente e com o mesmo carrinho (devidamente estilizado) cheio de exemplares, disputando espaço, janelas e mãos nas ruas da cidade.

A concorrência

     Quem não gostou muito dessa história de jornal sendo distribuído pelas ruas foram os donos de bancas. A venda de jornais a preços mais populares como o Agora e o Jornal da Tarde teve uma queda significativa nos locais próximos aos promotores do Destak e do Publi Metro.  ”O trabalhador que passava aqui na frente de manhã e olhava as manchetes nos jornais comprava o mais barato. Agora com esse monte de jornal distribuído de graça não tem mais por que o cara comprar jornal todo dia. Eles só compram quando acham que tem alguma coisa muito importante como no caso do julgamento do Renan Calheiros ou algum jogo de futebol importante”, reclama Antônio Leme da Silva, funcionário da Banca Rebouças que fica no cruzamento da Av. Brasil com a Av. Sumaré e disputa espaço com nada menos que 2 promotores de cada empresa.

     Os pedestres e os motoristas, no entanto, comemoram a iniciativa. “Ele (o Publi Metro) foi uma excelente idéia. A informação chega para as pessoas mesmo que elas não tenham condições de comprar jornais. Até tomei o hábito de ler todos os dias e passo pra galera da empresa”, diz Rose Santec em carta divulgada em uma das edições do jornal. Para os motorizados, além de economizar o tempo e o dinheiro gastos em uma compra, a distribuição nos semáforos ajuda a distrair o motorista nos inúmeros congestionamentos e os fazem chegar ao seu destino já informados das principais notícias. Os transeuntes também não perdem a chance de garantir seu exemplar. “Pego o meu perto do ponto de ônibus e já vou a viagem toda lendo. Assim não preciso esperar até o Jornal Nacional pra saber o que está acontecendo no mundo”, nos conta Irene Carvalho, empregada doméstica.

A crítica

     Com o futuro dos meios de comunicação impressos sendo constantemente discutidos o que não sobra são comentários, críticas e elogios aos jornais gratuitos. Alguns consideram esse tipo de publicação a salvação da mídia diária impressa já que se assemelha à internet pelo estilo notícias-pílula, mas com maior alcance popular. É o tal do saber um pouco de tudo, mas tudo de nada. “Em uma mesa de botequim, ok. Em uma reunião, ferrou!” escreve Daniel Bushatsky no site PodBrasil sobre a qualidade da notícia desse tipo de publicação.

     A maioria das críticas, no entanto, se referem ao verdadeiro papel dos tablóides populares. Por serem gratuitos a publicidade ganha mais espaço ainda na arrecadação de verbas para a manutenção dos gastos e lucros. Muitos escritos sobre o tema consideram esse tipo de veículo de informação verdadeiras propagandas fantasiadas de jornais, até pelo público alvo ser majoritariamente ativo economicamennte.

     O Publi Metro ainda está no processo de conquista de publicidade. Já o Destak já publicou propagandas de mais de 300 empresas diferentes em suas páginas. O site do jornal possui uma seção chamada Publicidade que mostra os tipos de anúncios que podem ser feitos, os modelos e até uma tabela de preços para cada um deles. Medidas como essas pesam contra a premissa da informação e tendem para o lado publicitário da mídia o que prejudica, e muito, a formação do leitor e a qualidade do jornalismo que é distribuído gratuitamente todos os dias. O fenômeno é novo e por isso é cedo demais para tirar conclusões que cercam as premissas da alienação, formação de opinião e da manipulação, mas devemos nos atentar para os riscos e benefícios que essa nova mídia pode acarretar nas populações de massa.

Deixe uma resposta

Você deve ser logado postar um comentário.