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Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Posts de Outubro, 2007

Semana Acadêmica discute religião

Publicado por Luana Lila em 31/Outubro/2007

Por Luana Lila

     A Semana Acadêmica da PUC-SP trouxe a oportunidade de reflexão e troca de conhecimento. Durante as atividades os alunos puderam expor suas teses, pesquisas e iniciações científicas para a comunidade.

     No dia 26 de outubro, oito alunos se reuniram para discutir seus trabalhos sobre Filosofia da Religião, com a coordenação de Luiz Felipe Pondé. 

     Por ser um tema abrangente, os trabalhos era bem diferentes entre si. Foram desde o erotismo na religião até Dostoiékski e o despedaçamento do ser. 

     Sentados em uma grande roda, cada aluno tinha cerca de dez minutos para ler a introdução de suas pesquisas e, em seguida, recebiam a avaliaçao e os comentários do coordenador. 

     Para o ouvinte que não conhecesse o tema era difícil se interessar pela discussão, pois trata-se de algo muito específico. A filosofia da religião é múltipla, mas, como afirma o programa do curso de pós-graduação, capacita o pesquisador a entrar no diálogo com a difícil tarefa de re-introdução da questão religiosa no debate contemporâneo.

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Pedagogas expõem seu TCC durante a Semana Acadêmica

Publicado por carlacarrara em 30/Outubro/2007

Por Carla Carrara

     Na última quinta-feira, 16 de outubro, durante o 1° Congresso de Pesquisa Discente da PUC-SP, cujo simpósio foi “A pesquisa e os desafios da contemporaneidade: educação, ambiente e vida”, ocorreu a palestra, cujo tema foi “Os desafios educacionais relativos à uma criança de 0 a 6 anos em sua realidade concreta” com a Professora Doutora e Orientadora Neide Barbosa Saisi.

     A apresentação, realizada na sala 240 do prédio novo, deveria ter início às 19h, porém iniciou às 19:45h devido a problemas técnicos com o data show. A proposta do trabalho era a apresentação do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de 5 garotas que estavam na finalização do trabalho; e de uma Iniciação Científica de uma aluna que concluiu o trabalho ano passado.

     Os temas dos trabalhos têm uma relação entre si. Maria Inês iniciou a apresentação da sua Iniciação Científica, que foi posteriormente um complemento para o Doutorado de Neide Saisi, cujo tema era: “Interação entre Escola de Educação Infantil e Família”. Após uma longa pesquisa de campo, Inês afirma que “há um descompasso entre as normas da escola e as normas que devem ser seguidas em casa”. O pai deixa seu filho na escola com seus conceitos pré-estabelecidos e não participa do que a escola tem a oferecer, prejudicando o próprio filho. O que é muito comum acontecer quando o aluno está indo mal na escola é um querer colocar a culpa no outro; um reconhece a importância do outro, mas não quer a culpa para si. Então chegou a conclusão de que deve ser feito uma parceria entre Escola e Família com um único foco: o aluno.

     Danielle Rodrigues assumiu o papel da apresentação. O tema do seu trabalho é “A importância do brincar na Educação Infantil”, que foi tratado também na apresentação seguinte, a de Paula Schein. O foco do trabalho foi: Porque o brincar é importante no desenvolvimento da aprendizagem e no desenvolvimento infantil? Há um grande preconceito dos pais com relação ao assunto: os pais acham que a escola é feito para brincar e os filhos acabam não brincando em casa muitas vezes por falta de tempo.

     Já no tema a brincadeira do faz de conta, afirma que a brincadeira é uma linguagem infantil, com qual a criança aprende e mentaliza as coisas enfrentando seus medos. Para Jean Piaget, o brincar de faz de conta é o apogeu do jogo infantil; a criação de uma imagem mental na ausência do objeto, fazendo uma re-significação do mesmo; a criança incorpora o mundo a sua maneira, ela imita a vida do adulto. 

     Para Lev Vygotsky, o brincar é uma satisfação da criança. Uma criança de 0 a 3 anos se não realiza o que quer, ela se frustra, pois lida apenas com os aspectos figurativos, só da significado aos objetos. Porém a de 3 anos em diante se não consegue o que quer ela brinca do faz de conta e se realiza na brincadeira. Abordaram ainda o papel do professor no aprendizado: é sempre necessário que o professor esteja presente nas brincadeiras das crianças, analisando e muitas vezes até participando daquela fantasia, pois isso pode julgar traços importantes de sua personalidade, de suas fraquezas.

     O tema de Pollyana Faria foi “A importância da arte na educação infantil”. Afirma que “a escola não valoriza a arte das crianças, pois a sociedade não a valoriza também”. O desenho de uma criança é a expressão de seus medos, alegrias e angústias, no entanto a escola coloca modelos a serem seguidos inibindo essa arte. “A escola tira do sujeito a autoria de sua própria vida”, Neide complementou.

     Faria usa um exemplo: quando é para desenhar uma flor, não deixa o aluno desenhar o que pra ele é uma flor, mas modela a mesma, pétala por pétala até que todas as flores tenham a mesma cara. Uma das alunas presentes completou: “Meu primo de seis anos levou para casa uma lição de casa: um desenho pronto apenas para pintá-lo. Pintou e acrescentou no desenho uma flor azul com bolinhas brancas. Quando entregou o trabalho ao professor, este alegou que o desenho estava errado, pois não existia flor azul com bolinhas brancas, e então o menino respondeu: E desde quando coelho anda de bicicleta? (se referindo ao desenho)”. Foi uma resposta genial, mas a maioria das crianças se reprimiria e nunca mais usaria seu senso criativo para fazer algo semelhante. A escola quer pular fases, inibindo a criança de certos aspectos.

     Verena Buelau tem como tema de seu TCC “O vínculo entre professor e aluno”. O trabalho está ainda em andamento, todavia afirmou que fez esse trabalho para suprir uma angústia própria. É professora em uma escola e se apega muito ao seus alunos, e a cada fim de ano é uma tortura, pois eles vão embora e a deixam para a próxima turma. Então chega a conclusão de que qualquer vínculo humano é provisório, no entanto ninguém nasceu para ficar sozinho. Demorou muito tempo para entender esse seu apego com os alunos e para achar uma justificativa para isso, o que deu início ao seu TCC.

     Por último Nayta assumiu a posição com um tema bem diferente: “A influência da música em crianças altistas e com Síndrome de Down”. Sempre teve muito interesse por esse assunto e trabalha com pessoas com esse tipo de doença. Concluiu que era sobre esse assunto que queria fazer seu TCC quando percebeu que a única coisa que acalmava seu aluno, portador de Síndrome de Down, quando chorava muito era a música. A mãe confirmou que isso realmente o acalmava, então Nayta começou a pesquisar sobre o assunto e ficou fascinada com suas descobertas, porém o trabalho ainda está com pouca pesquisa, por isso preferiu não aprofundar muito o assunto.

     Ao fim de todas as apresentações, aconteceu um debate sobre todos os assuntos e como eles se relacionavam. As descobertas são realmente incríveis e todas são validas de um TCC. Neide Saisi se orgulha muito de ser orientadora dessas meninas e do tema de suas pesquisas.

 

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Semana Acadêmica aborda tema da sexualidade em deficientes

Publicado por inapereira em 29/Outubro/2007

Por Marina Pereira

     No penúltimo dia do ciclo de palestras da Semana Acadêmica na Pontifícia Univerdade de São Paulo, 26 de Outubro, participei de um debate sobre a sexualidade de deficientes físicos, mentais e sensoriais, basicamente formado por alunas do 5º ano de psicologia e uma professora e atuante da área.

     Assim como as palestrantes, boa parte da sala onde foi realizado o debate, ás 10 da manhã na sala T41 localizada no Prédio Velho, era formada por alunos de todos os anos de psicologia – o que pude perceber como este assunto é de grande interesse para esta área.

     A palestra inicia-se com uma breve explicação sobre Sexualidade e namoro, dada pela Professora Ana Laura Schlieman, do núcleo acadêmico de Psicologia, mostrando como este tema é de grande relevância pela existência de muitos preconceitos relacionados ao assunto e estigmas gerados por grande falta de informação nesta área. Ana Laura continua explicando que a sexualidade é uma das características mais naturais do ser humano, e luta pela aceitação e melhor informação por parte de amigos, família, pais e principalmente a da própria pessoa.

     Como parte de suas experiências Ana Laura participou de projetos na Favela do Buraco Quente com pais e adolescentes. Através de entrevistas com pais e filhos e pesquisas pela região, ela pôde perceber que existia uma grande deficiência de informação relacionada a assuntos sobre sexualidade, por parte dos pais e que este assunto raramente era tratado com os filhos. Como exemplos citados por Ana Laura, houve depoimentos de pais, os quais tomavam ambos a pílula antes de uma relação sexual, ou de uma mulher que fazia tudo com o marido, mas não beijava na boca, pois esta atitude sim, engravidava, entre outros. Ana Laura, portanto começa a ter uma experiência maior com deficientes físicos que moravam na favela, justamente para entrar no assunto da sexualidade que, para este grupo específico, era um assunto bem mais delicado a ser discutido, principalmente com os pais.

     Inicia a sua apresentação informando que, pelo Conceito da Organização Mundial da Saúde de 1975, a sexualidade é entendida por:
. Ser parte integral da personalidade de cada um;
. Ser parte do desenvolvimento da identidade humana, que é constituído pela atividade cultural e social compatíveis com o gênero sexual, os papéis sexuais e a vivência sexual.

     E mostra, portanto, que apesar de ser tão natural, é vista com muito preconceito pelos pais, pois muitos, segundo Ana Laura acham que é papel da escola informar seus filhos sobre a sexualidade. Esta deveria vir em primeiro lugar da educação familiar e não de comentários de amigos, colegas de sala, etc. diz a psicóloga.

     As cinco meninas do 5º ano de psicologia mostraram seus TCC (Trabalhos de Conclusão de Curso), relacionados a este tema. Partiram para as duas análises de Deficiência pela OMS (Organização Mundial da Saúde), explicando que no ano de 1976 a explicação de deficiência ressaltava o lado do problema físico, sendo que somente em 2001 a OMS mudou sua visão de deficiência, mostrando ser um problema enfrentado pelo indivíduo com a sociedade em que se vive.

     O trabalho das cinco meninas baseou-se na pesquisa de filmes que relacionavam as deficiências mental, sensorial e motora com a sexualidade vivida por seus personagens. Cada uma ficou responsável por volta de dez filmes, dentre eles, dois de cada deficiência foram mais aprofundados, como: O oitavo dia e Simples como amar que ressaltaram a deficiência mental; Nascidos no silêncio e Á primeira vista que ressaltaram a deficiência sensorial e Gaby e Nascido em 4 de julho que ressaltaram a deficiência física.

     Todas mostraram que pela sua análise e pelas experiências vividas nas Instituições especializadas existe um forte retrato de preconceito, como a família foge de tal assunto ou como são extremamente conservadores, considerando o ato sexual apenas paraprocriação.

     A última apresentação foi um outro trabalho de TCC de Bianca Ramos Pereira do 5º ano de psicologia com o tema “Um amor marcado pelo não”, do qual registra a sua experiência com famílias e instituições de pessoas com deficiência intelectual (Síndrome de Down). De sua análise pôde perceber a deficiência vinda, não somente dos pais, como também das instituições que não possuem uma estrutura suficiente para informar seus pacientes sobre tais assuntos.

     Assim como outras pessoas que tentam tocar neste assunto com as instituições, Bianca também foi rejeitada ao tentar entrar em contato com os adolescentes, mostrando que nem os pais, nem as instituições tinham interesse em ampliar suas mentes e talvez esclarecer dúvidas que muitos adolescentes podem ter.

     Como parte de sua experiência, Bianca registra algumas frases ditas pelos pacientes e pelos poucos pais que aceitam esta situação, como: “Liberdade de expressão, Liberdade para me tocar, E me ver crescer como mulher!” de Ana Beatriz Paiva – Síndrome de Down; “A inclusão tem que ser total…inclusive sexual!” de Maria Silvia Bertilli – Mãe de um deficiente intelectual.

     Como última parte da palestra, foi aberto um debate e questões que alguém poderia manifestar. Dentre algumas perguntas e depoimentos, surge uma questão minha que foi feita para Bianca Ramos. Perguntei se ela havia enfrentado muitas barreiras por parte das Instituições e dos pais para chegar até os adolescentes, no qual ela respondeu: “A dificuldade de aceitação da própria instituição em discutir sobre a sexualidade era tão grande, e tive tantas rejeições, que acabei partindo para o boca-a-boca e tentar descobrir pessoas que sofriam de tal problema dentro de casa. Muitas vezes pensei em desistir, pois existe um obstáculo muito grande antes do próprio problema enfrentado pelo adolescente: os pais.”

     Pude perceber que a palestra mostrou um grave problema que vem ocorrendo nas casas e instituições de tais pessoas e que só a naturalidade da informação, assim como a sua convivência é que conscientizará a cabeça de muitos pais preocupados, antes de tudo, com a vida em sociedade de seus filhos.

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Pós-graduanda defende tese na Semana Acadêmica

Publicado por gustavoassano em 28/Outubro/2007

Por Gustavo Assano

    

     No dia 25 de outubro aconteceu às 10 horas da manhã, durante a Semana Acadêmica da Pontifícia Universidade Católica, a defesa de tese de mestrado em direito constitucional da pós-graduanda formada em jornalismo e direito pela PUC, Eveline Denardi.

 

     Na bancada estavam o orientador Marcelo Figueiredo, o professor Roberto Dias da Silva, da área de direito, e o professor Laurindo Leal Filho, da área de comunicação. A tese é intitulada “O direito constitucional ao sigilo na relação entre jornalistas e fontes de informação”.

    

     A sala 500, onde a explanação se deu, estava completamente lotada, com espectadores em pé ao fundo acompanhando as considerações dos membros da bancada e da defensora, sendo que este amplo interesse por parte do público, como observou o professor Laurindo durante sua fala, é uma característica atípica para eventos acadêmicos como este.

    

     As observações feitas pelos professores sobre a tese, cumpridas primeiramente pelo professor Laurindo seguido do professor Roberto, ressaltavam a importância do tema escolhido e a necessidade de que fosse levantado com maior freqüência no meio acadêmico. Foram muitas as considerações, críticas e questões levantadas.

 

     Nas primeiras perguntas, sendo estas proferidas pelo professor Laurindo, eram abordadas as limitações do trabalho jornalístico, a extensão da capacidade de cobertura de um vínculo midiático sobre o Estado e a forma como estão configuradas as legislações dos meios impressos em relação aos meios de rádio-difusão, pois este possui uma legislação especifica, enquanto aquele é mediado pela legislação civil criminal.

     O professor Laurindo também fez uma crítica sobre um determinado trecho da tese, onde a autora descrevia a não-renovação da concessão da RCTV na Venezuela com um discurso “carregado de adjetivos, de forma intempestiva, completamente destoante em relação ao formato do que foi escrito anteriormente, desconsiderando uma versão que afirma exatamente o contrário do que está escrito na tese”.

     Para responder estas primeiras questões, a defensora descreveu a forma como a legislação sobre a atuação jornalística é muito pouco difundida entre estudantes que pretendem seguir o ofício, e acrescentou que quando de fato o tema é abordado, é cumprido sempre de forma superficial e insuficiente. Caracterizou os jovens estudantes pejorativamente como sonhadores que desconhecem a lógica do jornalismo no mercado de trabalho, onde acham que tudo pode e tudo é permitido.

     Eveline respondeu cada uma das questões calmamente, seguindo anotações que fez em um caderno conforme os comentários do professor eram feitos. Descreveu a dificuldade que teve em definir uma linguagem para a estrutura do trabalho, se teria um foco mais jurídico ou jornalístico. Sobre seus comentários sobre o episódio na Venezuela, reconheceu que analisou o ocorrido precipitadamente e reescreveria o trecho em caso de uma possível publicação da tese.

      As questões feitas pelo professor Roberto Dias da Silva tiveram um tom amigável, já no início dando a advertência de que suas observações seriam intencionalmente provocativas. Entre suas principais questões envolviam as restrições jurídicas sobre a obrigatoriedade ou não da revelação de uma fonte e a necessidade da comprovação da existência da mesma, a colisão entre direitos fundamentais e a liberdade de imprensa e a identificação de quem diz o que é importante para a sociedade. Fez uma distinção entre a idéia de interesse público e interesse do público, ilustrando com as ações dos repórteres da Rede Globo na entrevista com Suzane Richthofen e outros exemplos.

      Novamente a mestranda foi bastante cuidadosa em anotar as questões levantadas e respondeu-as rigorosamente. Respondeu primeiramente que seria preferível um Conselho Federal de jornalismo a um sindicato, pois, segundo a autora, o conselho seria um mediador das questões envolvendo impasses jurídicos como o das fontes e de questões contraditórias de cunho ético e moral, e daria maior base para a classe jornalística responder ao judiciário.

      Eveline respondeu a questão sobre a escolha do que é e o que não é importante de forma genérica e subjetiva, afirmando que, para ela, as notícias importantes são as que interferem nos rumos da sociedade e que suscitem questões polêmicas, como aborto e violência, por exemplo.

      Foram muitos os temas discorridos, com explicações e abordagens de difícil reprodução. O grande alerta que a tese de Eveline Denardi parece querer passar é a imediata necessidade de uma maior atenção aos direitos constitucionais dos atuantes desta profissão em seu processo de formação como um todo. Sendo as estruturas institucionais que formam o aparelho jurídico justamente o que media as relações sociais numa esfera pública, e sendo a mídia o grande reprodutor desta esfera, a advertência é visivelmente coesa.

     A única observação a ser feita quanto ao norteamento desta discussão, que ainda engatinha, pois não ganhou ainda as proporções que merecer ter, poderia ser o quão cristalizadas e canônicas serão as concepções jurídicas a serem pautadas na formação do jornalista. É preciso ter em mente que a mediação social vigente, eloqüente e esclarecida, carrega dentro de si o gérmen de sua própria negação. Deve-se ter cuidado para que uma orientação jurídica não se torne uma pregação ideológica ou panfletagem vulgar do status quo. Afinal, todos são iguais perante a lei, mas nunca o são na realidade efetiva onde seus tentáculos coercitivos atuam.

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Gael García Bernal divulga seu primeiro filme como diretor

Publicado por lemendes em 27/Outubro/2007

Por Letícia Mendes

Natália Peixoto

O mexicano Gael García Bernal anuncia seu primeiro filme: “A boa notícia é que é um filme curto”

     De passagem pelo Brasil por exatos três dias, o atraente ator mexicano Gael García Bernal  foi convidado para participar do debate promovido pela 31ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, realizado no sábado, dia 20, no auditório da FAAP.

     O debate foi precedido da exibição do filme “Déficit” que marca a estréia do ator como diretor. O filme conta um dia na vida de Cristobal (interpretado pelo próprio Gael), rapaz de vinte e poucos anos, esnobe e de classe alta, fã de rap e filho de um dos políticos mais corruptos e poderosos do país. Por meio desse personagem, ”Déficit” explora uma determinada camada da sociedade e a relação desta com as demais classes sociais.

     Esse tema foi lembrado pelo diretor da Mostra, Leon Cakoff, na abertura do debate, que também contou com as presenças do diretor da Faculdade de Comunicação da FAAP, Rubens Fernandes Júnior, do produtor Pablo Cruz e do apresentador Serginho Groisman, que intermediou a mesa.

Letãia Mendes

O ator mexicano Gael García Bernal entre o diretor da Mostra, Leon Cakoff, e o produtor do filme “Déficit”, Pablo Cruz

         Questões financeiras também foram discutidas. Quando perguntado sobre as dificuldades em distribuir um filme independente, Gael o comparou a um produto orgânico, cujo número de interessados no mundo industrial em que se vive ainda é pequeno. “Para entrar nos grandes esquemas de distribuição, o filme tem de ser épico, de grande impacto, o que não é a proposta de uma produção independente”, afirmou o ator. Sobre o custo da produção Gael não quis responder o valor exato, mas deu a certeza de que “Déficit” foi mais barato que o filme “Titanic”.

     Com essa mesma simpatia Gael seguiu durante o debate todo, inclusive respondendo perguntas feitas pela platéia. Uma estudante de cinema, ao falar que teve uma sensação de vazio, de que faltava algo mais no filme e ao perguntar se o Gael faria outro filme seguindo a mesma temática, obteve a seguinte resposta do ator: “Você quer assistir ao “Superávit”?”. Depois de altas gargalhadas da platéia, Gael explicou o significado do título. “O filme se chama “Déficit”, porque é sobre uma geração que cresceu com essa palavra”, afirmou Bernal. Inclusive todo os personagens possuem “um déficit emocional e de identidade”. ”Esse sonho idôneo dos países da América Latina de entrar no primeiro mundo ruiu completamente”, finalizou Gael.

     Agora, resta ao público que não pôde participar da 31ª Mostra esperar que o filme seja distribuído pelas salas de cinema do Brasil. Para os que não têm paciência para esperar, uma boa notícia: Gael García Bernal é protagonista do filme “O Passado”, de Hector Babenco, que estará em cartaz a partir de hoje, sexta, 26 de outubro.

Tumulto na entrada da FAAP antecede o debate com o ator Gael García Bernal 

Por Bruna Campos

Natália Peixoto

     A 31° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo conta com inúmeras atrações gratuitas, muitos filmes podem ser assistidos no vão do Masp, no Memorial da América Latina, no Centro Cultural São Paulo e na Fundação Armando Álvares Penteado, a FAAP.

     Os filmes em exibição contemplam diversos tipos de público. São filmes estrangeiros e nacionais; lançamentos ou clássicos e alguns conseguem agradar gregos e troianos. Esse é o caso do filme “Déficit”, dirigido pelo ator mexicano Gael García Bernal. O longa foi apresentado em três ocasiões distintas e em todas as salas ficaram super lotadas.

     Entre as três exibições havia uma mais especial, a do dia 20 de outubro na FAAP. Segundo a programação da 31ª Mostra, nesse dia seria feita a última apresentação do filme, com um detalhe especial: o diretor estaria presente e depois de concluída a projeção ele iria relatar a sua experiência por trás das câmeras.

     No próprio dia 20 de outubro o evento especial foi divulgado pelos jornais e para ampliar a receptividade do programa, a entrada era gratuita. Os jornais, no entanto, não divulgaram o horário de distribuição das senhas e eu, como muitas interessadas, liguei para a Fundação para obter mais detalhes. Liguei e a informação era: as senhas serão distribuídas uma hora antes do início da sessão, ou seja, às 18h30.

     Ainda eram 14h. Fui tomar um banho e almoçar, sem saber que a fila já era razoável nos portões da FAAP. Peguei o ônibus e cheguei à fila às 17h, ou seja, uma hora e trinta minutos antes das senhas serem distribuídas. Pensei “acho que vai dar”, mas estava enganada. Pedi para guardarem o meu lugar na fila e fui até a entrada me interar da situação, lá encontrei duas amigas que já tinham passado da catraca para dentro. “Como assim? Ainda são 17h”.

     A explicação dos monitores da Mostra era a seguinte: o pessoal chegou às 13h e pediu para passar as catracas porque estavam furando fila. Eram cerca de oitenta pessoas sentadas do lado de dentro da Fundação, todas com a senha garantida. O restante das pessoas, as do lado de fora, estavam inconformadas. Tinham chego antes da hora marcada, mas isso não adiantou nada.

     Depois de esclarecido o primeiro problema, o desrespeito ao horário divulgado pela Mostra, descobri um segundo aspecto desagradável. Dos 300 lugares do auditório da FAAP, duzentos eram reservados para os estudantes da mesma. E mais uma conclusão: um evento primeiramente voltado para o público em geral privilegiava os estudantes de uma das faculdades mais caras do país.

     Entre esclarecimentos e bate-bocas, carros da PM e do Deic iam e viam, um deles solicitado por parte do público que queria fazer um boletim de ocorrência.

     Estávamos todos aguardando um comunicado oficial dos organizadores, a fila já tinha se transformado em um grande amontoado no “Gate 1”, enquanto isso no “Gate 2 “ os alunos da universidade passavam tranqüilamente suas carteirinhas no sensor e entravam para assistir ao filme.

     O tempo foi passando e a insatisfação aumentando. Um dos produtores foi chamado aos gritos por uma das “filantes” que lhe pediu esclarecimentos. O produtor chegou mais perto do público e disse que estava negociando mais lugares com a Fundação. Segundo ele o problema era que a FAAP, uma das patrocinadoras da Mostra, não tinha explicitado em contrato a posse de 67% dos assentos para os seus alunos.

     Já eram quase 19h30 e nada tinha mudado, ou melhor, tinha. Apesar de não conseguirem entrar, os “filantes” se organizaram e começaram a passar um abaixo-assinado. As assinaturas seriam entregues aos organizadores e se possível ao próprio Gael, o texto do abaixo-assinado fazia referência ao descumprimento de horário e ao privilégio dos estudantes da universidade particular.

     A cada instante uma nova manifestação acontecia: primeiro as assinaturas, depois os gritos de guerra, cantados por algumas centenas de pessoas, “A FAAP é uma merd…”. Tudo isso sendo acompanhado atentamente pelos seguranças da Fundação e pelos jornalistas presentes: “Istoé, gente”, “Band News” etc.

     Por volta das 20h, as pessoas começaram a se dispersar, voltaram para casa, foram para o bar, mas antes tinham feito algumas resoluções: enviar e-mails para o site da Mostra e entregar aos responsáveis pelo evento as mais de 300 assinaturas recolhidas durante cerca de três horas de protesto e indignação.

     Não vimos o Gael, nem o seu primeiro filme, mas demos um toque para que, ano que vem, certas parcerias sejam revistas e de que gostamos de cinema e, sobretudo, de respeito.

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A 4° Semana Acadêmica: Repercussões.

Publicado por Bruna Campos em 26/Outubro/2007

Por Bruna Campos   

     A semana acadêmica acontece na PUC desde o ano de 2004, mas neste ano ela traz uma novidade. Centralizada na pesquisa discente, a semana conta com o 1° Congresso de Pesquisa Discente, que pressupõe a participação de diferentes modalidades de pesquisa: TCC, Mestrado, Doutorado e iniciação científica.

    São 147 simpósios acontecendo nos campos de Sorocaba, Barueri, Marquês de Paranaguá, Monte Alegre e Santana. Os temas abordam as áreas de tecnologia, humanidades e ciências médicas. O objetivo desses simpósios é divulgar os trabalhos de pesquisa, estimular o diálogo entre aluno e pesquisador e favorecer a troca de experiências teóricas.

    Essa é a proposta da PUC para a semana do dia 22 ao 27 de outubro. No entanto participando do evento percebemos um abismo entre proposição e aplicação. Pude acompanhar dois simpósios e em ambos tive a mesma impressão: a semana não foi incorporada pelos membros universidade e seu fomento é deficitário.

    No dia 23 me dirigi a sala T45, não para assistir um simpósio, mas sim para ter uma aula regular: História e Arte. No entanto, depois de me acomodar, percebi que o professor da matéria, Antonio Rago Filho, faria nesse horário o debate sobre “Formas da dominação autocrático-burguesa no Brasil e na América Latina na segunda metade do século XX: ditaduras militares, luta de classes, representações ideológicas e projetos nacionais”.

    Tanto os alunos quanto o professor estavam supresos, pois tal simpósio estava marcado para as 19h30min do dia seguinte. Perdemos mais uma aula, já que na semana anterior a universidade estava de recesso e o curso de História, especificamente, tivera a sua semana.

     Os alunos do 2° ano ficaram ligeiramente revoltados, por dois motivos: não foram informados sobre o cancelamento de sua aula, nem da existência de uma semana acadêmica. Enquanto os alunos saiam da sala, o professor dava início às apresentações, estavam presentes alunos de iniciação científica e mestrado e nenhum deles abordou temas tocantes à matéria do semestre, no caso, Arte.

     Alguns dias depois, dia 25, acompanhei um simpósio; mas dessa vez como estudante de jornalismo. O tema era “Terrorismo contemporâneo e a Nova Ordem Mundial”, estavam presentes o professor Reginaldo Mattar Nasser e os alunos-pesquisadores: David Magalhães, Roberto Simão, Thiago Zati, Gustavo Cília, Mariana Vianna e Paula Giassi. Todos envolvidos com o curso de Relações Internacionais, exceto Mariana Vianna que cursa Direito.

     No início, 14h20min, a sala P75 do prédio velho estava lotada, mas com o passar do tempo o público diminuía; no fim da apresentação eram apenas oito ouvintes. O tema era bastante interessante e sobre ele foram feitos diversos recortes, mas esses eram voltados para um segmento muito específico; o academicismo da conversa não permitia um grande envolvimento.

    Muitos teóricos e teorias eram citados, mas poucos, além dos pesquisadores e professor, tinham intimidade com eles. O primeiro recorte fazia referência à Invasão do Iraque e dava ênfase a formação conturbada dessa nação. A questão do Curdistão, território ocupado pelos curdos, (maior etnia sem Estado do mundo) foi levantada como um dos problemas para afirmação de um Estado Iraquiano forte. O mestrando David Magalhães frisou a todo instante o problema de formar uma Nação sem levar em conta suas diferenças tribais.

    Cada pesquisador tinha quinze minutos para expor o seu projeto, mas como acontece normalmente, esse tempo era ultrapassado. Outras abordagens do tema foram sobre “A percepção francesa dos EUA no momento da 2° invasão do Iraque”, “O terrorismo e a guerra justa”, “O discurso terrorista”, “Os aspectos penais do Terrorismo” e por fim “ Grupos de promoção da paz no Mundo”.   

     O público teve espaço para fazer perguntas nos dois simpósios, no entanto poucos as fizeram, pois o conhecimento sobre os assuntos era muito recente e superficial.

     A semana acadêmica é em si um bom projeto, mas o modo como está sendo realizada não me parece o mais adequado; ou amplia-se o evento para toda universidade (reformulando os horários, a linguagem e o método de apresentação) ou se restringe o debate aos pesquisadores.                                      

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Professor cubano dá palestra na PUC sobre o marxismo

Publicado por gabrielamoncau em 25/Outubro/2007

Por Gabriela L Moncau

     A segunda palestra do Ciclo da América Latina coordenada pelo professor José Arbex Jr (Núcleo de Estudos de Jornalismo Perseu Abramo) e Maria de Sousa (Escola Nacional Florestan Fernandes) ocorreu dia 9 de outubro, numa terça-feira. Seu início não foi muito diferente do primeiro encontro, realizado dia 20 de setembro, deu-se ás 19:30, na Apropuc.

     O palestrante dessa vez era o cubano Fernando Martinez. É professor doutor em direito pela Universidade de Havana e pesquisador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Cultura Cubana Juan Marinello. Foi pesquisador e coordenador de áreas no Centro de Estudos sobre Europa Ocidental (1976-1979) e no Centro de Estudos sobre América (1984-1996), em Havana. Hoje em dia é, também, membro da União de Escritores e Artistas de Cuba e da União Nacional de Historiadores.Bem humorado, usando uma camisa listrada, riu ao se atrapalhar em ajustar a cadeira e o microfone. O professor Arbex, sabendo que não tenho facilidade com o espanhol, pediu para que o convidado discursasse devagar, “Abla mui dispassio”, apontando para mim (já bem vermelha), explicando minha precária compreensão. Martinez sorriu e disse que se esforçaria, “para mim isso não é nenhuma tortura”.

     As câmeras finalmente ficaram prontas e a palestra começou. O tema foi o Marxismo atualmente na América Latina. Fernando Martinez explicou que a oposição ao capitalismo foi se quebrando e que hoje a integração latino-americana se dá de modo diferente, pois o capitalismo desgastou sua ideologia de progresso e democracia, atualmente não admite um plano para o futuro. Segundo ele, a hegemonia burguesa está bastante desnacionalizada e os movimentos populares reivindicativos são a esperança.

     Com uma feição um pouco mais séria e bastante gesticulação, colocou que Cuba, Venezuela e Bolívia são as principais marcas de solidariedade com os injustiçados e representam atualmente a resistência na América Latina. Para ele, o marxismo, que sofreu muito abandono por causa da repressão e do conservadorismo neoliberal, é o melhor instrumento para se pensar em socialismo. Depois do fim do chamado socialismo real, o marxismo tornou-se a principal fonte para voltar a pensar em uma elaboração de um sistema de esquerda. Além disso, considera o marxismo atual necessário para a conscientização das sociedades, independente do sistema.

     Difícil, porém, interpretar e definir o marxismo do século XXl, existem muitas posturas diante das teorias. Martinez, angustiado, disse que em Cuba o conhecimento é muito restrito. De tempos para cá o entendimento das teorias marxistas vem empobrecendo e as discussões são raras, algo extremamente preocupante para uma nação que se diz anticapitalista.

     “Hoje o processo de hegemonia cultural imperialista é mais perigoso que uma hegemonia militar” provocou o palestrante. Explicou essa frase argumentando que o totalitarismo sobre a informação pública implica em várias coisas, entre elas, o parasitismo capitalista. Hoje em dia ainda se fala da morte da princesa Diana e enquanto isso, em Moçambique, por exemplo, milhares de pessoas morrem de fome. Como pod um país ser um importante exportador de alimentos e ter metade de sua população desnutrida? O problema é que com exceção de Cuba, por mais que se lute contra o sistema, na vida cotidiana só se pode viver como o capitalismo manda. Será possível alcançar a democracia?

     Foi pedido que Fernando fizesse uma avaliação de Fidel Castro. Colocou-se, então, que o presidente cubano saiu do cargo por enfermidade e lugar para manter a situação. Chega a ser uma situação interessante, todos vão ao trabalho, músicos continuam tocando música, pintores continuam pintando, como se não houvesse uma ausência no governo, pois o líder da revolução está vivo mas já praticamente não tem condições de exercer suas funções. A ditadura já tem meio século, e apesar de Raul Castro estar se prepararando para assumir o cargo do irmão com a intenção de manter a mesma estrutura, os dois são diferentes e uma variação na política é inteligente. Citou uma fala de Raul Castro: “Fidel falava por horas porque tinha muito a dizer. Eu não tenho muito, por isso falou pouco”. Há, assim, do ponto de vista político uma curiosa continuidade e descontinuidade, não são a mesma pessoa. Como será a transição?

     Há grande dificuldade entre a sociedade cubana e o socialismo implantado. Muitos marxistas dizem que a idéia de nação é capitalista e o marxismo de nada serve para a América Latina, a situação não está fácil. Realmente idéias nacionais são direcionadas pela burguesia. “Eu sou marxista e socialista mas tenho que ter duas almas pois sou também (contradiotoriamente) nacionalista e patriota para impulsionar o desenvolvimento da minha nação, que representa uma soberania nacional batendo de frente com um poder tão grande como os EUA” disse Martinez.

     Nesse momento o microfone caiu duas vezes do apoio. O convidado passou a segurar o microfone com a mão. Um braço levantou-se no ar, trazendo uma pergunta sobre o cultivo do pensamento de Che em Cuba. Fernando Martinez continuou sua fala, dizendo que além de argentino, Che Guevara foi cubano também. Há um sentimento de elo nacional com Che, ele acaba por representar uma força moral, econômica e política. Crianças na escola falam antes de entrar na classe: “Defenderemos o comunismo. Seremos como Che”. É necessário consolidar a idéia do comunismo e do socialismo. Tem que se conseguir produzir revoluções culturais progressivas. Che Guevara tornou-se um elemento cultural, intelectual e teórico, não é visto apenas como um revolucionário de ação. Na cultura do capitalismo, as coisas são eliminadas ou engolidas, Che torn-se um exemplo de resistência e grande força. Os cubanos possuem conhecimento profundo sobr Che.

     Quando o assunto Brasil e Lula foi levantado, ele logo respondeu “Não sou diplomático, mas não gosto de falar sobre o próprio país que estou visitando, pois todos vocês devem saber muito mais do que eu. Sou ignorante em relação ao Lula. Porém, como marxista, acredito na centralidade de líder para a luta de classes”.

     Perguntaram, então, sobre a forte ascenção dos movimentos populares de forte base indígena e campesina. Martinez explicou que esses movimentos, que ganham força principalmente na Bolívia com Evo Morales, são importantíssimos diante do capitalismo atual e considera interessantes os aspectos democráticos dos movimentos indígenas. Apontou, porém, que os movimentos de classe operária vem se enfraquecendo e que discussões e articulações de movimentos distintos são imprescindíveis.

     A última questão que foi levantada foi a antiga relação Cuba – União Soviética. Iniciou sua fala explicitando a enorme importância da URSS como símbolo de insatisfação com o capitalismo e luta de esquerda, apesar de seu fracasso. Deixou claro que a troca que ocorria de petróleo por açúcar e armamentos não estruturava nenhum tipo de relação imperialista, mas sim de sobrevivência e estratégia. Eram aliados, porém sempre houve muito embargo. Durante 30 anos, por exemplo, a URSS se negou a vender uma siderúrgica à Cuba. Há pouquíssimo conhecimento sobre Cuba, algo lastimável, pois a história política e econômica de um país que se liberou do neoliberalismo deveria ser motivo de forte estudo. Sobre a economia cubana, está e tem estado há muito tempo em crise completa, já apelou à muitas medidas. Atualmente, o turismo tem sido a maior fonte de entrada de capital. A imersão estrangeira na economia do país não é muito forte pois em Cuba não se encontra nada para seduzir a forte ganância capitalista.

     Finalizando a palestra, Fernando Martinez retomou o assunto do marxismo e socialismo do século XXl. “O que me encanta no socialismo do século XXl é que não se define-o, mas de qualquer modo me preparo para ele.”

     A próxima palestra do ciclo ocorrerá numa quarta-feira, dia 31 de outubro, no terceiro andar do prédio novo da PUC, auditório 333. O belga François Houtart falará sobre o imperialismo hoje e a resistência dos movimentos sociais.

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A difícil compreensão do Universo

Publicado por dmekari em 24/Outubro/2007

Por Danilo Mekari 

     Não é a toa que cada pequena descoberta sobre o universo onde vivemos gera grandes repercussões. Não há nada mais intrigante para nós do que o brilho da estrela, o gigantismo da galáxia, o inexplicável buraco negro. Afinal, são poucas as perguntas que o homem — tecnologicamente mais avançado do que nunca — não sabe responder. Nestas questões, o tema principal não está entre nós, e sim muito longe, na imensa escuridão universal.

     Para tentar esclarecer algumas dúvidas — ou aumentá-las, como ocorreu —, fui ao Planetário Aristóteles Orsini, localizado no Parque do Ibirapuera, na zona sul paulistana. Era sábado à noite, e a última sessão começaria dali a 10 minutos, marcada para as sete horas em ponto.

     O clima no parque, normalmente movimentado, era solitário, e os ambulantes que vendiam salgados e doces se preparavam para voltar ao lar. Alguns corriam e outros pedalavam ao som de grasnidos dos patos à beira do lago. A noite já dominava o céu. “Olha a pipoca quentinha, saindo agora”. O pipoqueiro parou o carrinho em cima da Rosa dos Ventos no chão, bem na frente do planetário.

     Depois de sete anos fechado para reformas, no dia 22 de setembro último completou-se um ano de sua reabertura. E, segundo uma das vendedoras na bilheteria afirmou, a reforma foi um sucesso: “É preciso entender que o planetário em 1999 era considerado uma obra antiga, impopular e quase não atraia mais o público. Hoje, é difícil sobrar cadeiras livres aqui”. Ainda fora, seis jovens dividiam três telescópios para tentar observar melhor algum astro. Havia em torno de dez pessoas na fila para comprar ingresso para a sessão, e dois seguranças conferiam-nos na hora da entrada.

     Em sete anos, o planetário se modernizou e está impecável. Um elevador panorâmico — que sobe apenas um andar — chamou a atenção de todas as crianças, enquanto adultos admiravam a pequena bancada que expunha meteoritos de variados tamanhos. Ao entrar na sala, todos os olhos se dirigiam ao enorme equipamento de projeção localizado no centro da sala. Totalmente negro, o projetor em forma de globo é o personagem principal da atração. Os assentos — incrivelmente reclináveis — estavam tomados, e a tranqüilidade externa se opunha à bagunça interna, com risadas infantis e casais que trocavam beijos e confissões. A música de fundo parecia ter sido copiada daqueles filmes sobre o espaço sideral. As crianças já não agüentavam mais esperar, queriam logo ver as estrelas naquilo que parecia uma imensa parede branca de formato oval. Em seguida, o narrador chamado André agradeceu a presença de todos e explicou que, em caso de saída durante a sessão, não seria permitido voltar, pois segundo ele “o olho humano demora para se adaptar ao escuro, e qualquer entrada de luz externa vai atrapalhar”. E o aviso logo surtiu efeito: a mãe de uma criança que começara a chorar se retirou do local para não mais voltar. “Desejo uma boa sessão a todos vocês”, finalizou André.

     Quando as primeiras estrelas começaram a piscar, o público não esperava que aqueles astros — eram milhares — faziam parte do céu daquela noite em São Paulo, imperceptíveis por causa de nuvens e poluição. Foram contadas histórias da mitologia grega sobre os símbolos que as estrelas formam no céu, e questões como “de onde vem a luz? Por que de noite o céu é escuro? Há vida em outros lugares?” tomaram a maioria das explicações.

     A sessão — nomeada “O Lado Escuro do Universo” — usou nomes como Galileu Galilei, Isaac Newton e Albert Einsten para tentar explicar de maneira clara o mistérioso além-Terra. Não conseguiu, porém, transformar essa complexa discussão em algo simples. Passados os primeiros 20 minutos, as crianças aparentavam desgosto e já conversavam entre si. Até mesmo adultos não conseguiram acompanhar o ritmo intenso do que foi explicado. Indubitavelmente, explicar o universo em que vivemos de uma maneira simplista é uma tarefa árdua. Na saída, uma mulher falava no celular e reclamou: “São muitas informações sobre o universo em apenas uma hora. Tenho que vir de novo”.

     O parque, quase deserto, era iluminado pelos postes de luz, enquanto a fonte fazia seu show com luzes coloridas e música clássica para os transeuntes da avenida. No céu, não havia sequer uma estrela, bem diferente do que mostrou o planetário Aristóteles Orsini.

Planetário Aristóteles Orsini Local: Parque do Ibirapuera – SP
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Portão 10 (entrada pedestres) ou portão 3 (entrada para estacionamento)
Valor único do ingresso: R$ 5,00
Sessões regulares (Sábados e domingos):
15h – “O lado escuro do universo”
17h – “Olhar o céu de São Paulo outra vez”
19h – “O lado escuro do universo”

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Beatles embala filme sobre anos 60

Publicado por Marcelo Martino em 23/Outubro/2007

Por Marcelo Martino   

      No próximo dia 27 os beatlemaníacos receberão um presente na 31ª mostra internacional de cinema, que está ocorrendo na cidade de São Paulo e tem seu término previsto para 1° de novembro. Será exibido no IG cine, localizado no bairro de Pinheiros, o filme “Across de Universe” (música dos Beatles lançada no álbum “Let it Be” de 1970), que como trilha sonora de sua trama conta somente com canções do revolucionário grupo inglês.
    
     O longa, dirigido por Julie Taymor (de “Frida”), conta a história do jovem Jude (Jim Sturgess), que deixa a cidade portuária de Liverpool (qualquer semelhança não é mera coincidência). O garoto parte para os EUA  a fim de encontrar o pai, porém, lá se encontra com um estudante e se apaixona por sua irmã, Lucy (mais uma relação com o “Fab four”),  interpretada pela atriz Evan Rachel Wood. A relação do casal é enfeitada pela série de mudanças comportamentais que ocorreram nos intensos anos 60.
 
     Entre as músicas do quarteto de Liverpool podem ser encontradas, durante a passagem do filme, clássicos como “Let it Be”, “If I Fell”, “Dear Prudence”, “Strawberry Fields Forever” e “Revolution”.
 
     O filme ainda conta com as participações pra lá de especial da atriz Salma Hayek e dos músicos Joe Cocker e Bono, que ajudam a dar um toque especial na trama.
 
     Além da exibição do próximo dia 27, os fãs de cinema e de Beatles poderão conferir o longa nos dia 28 e 29, no Cinesesc e Cine Bombril, respectivamente.

Ingressos
27 e 28/10: R$ 16,00
29/10: R$13,00

IG Cine:
R. Fradique Coutinho, 361
Tel. 5096-0585

Cinesesc:
R. Augusta, 2075
Tel. 3082-0213

Cine Bombril:
Av. Paulista, 2073
Tel. 3285-3696

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GP do Brasil divide opinião dos moradores

Publicado por karllatatto em 22/Outubro/2007

Por Karlla Tatto

     Raikonnen campeão mundial, Felipe Massa não levou o primeiro lugar, Hamilton “amarelou” e Alonso parecia feliz pelo companheiro de equipe ter tropeçado, mesmo ficando com o terceiro lugar no campeonato. Isso tudo você já sabe. Dentro do autódromo tudo é documentado, filmado, registrado. Mas fora dele o movimento também é intenso.

     O Autódromo José Carlos Pace é sede do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 desde 1940. E desde então a vida da população de Interlagos e de seus arredores se transforma nos dias do grande evento. São cambistas, ficais de trânsito, caminhões, famosos, imprensa e milhares de curiosos que lotam a região.

     Para os moradores comuns, as mudanças não são tão positivas. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) desenvolve todos os anos um esquema especial de transporte. Um posto da empesa é montada todos os anos na praça Enzo Ferrari para cadastrar os moradores da região. Com a identidade, documento do carro e comprovante de residência é possível garantir o adesivo que dá acesso às áreas restritas. “É uma chateação. Você fica impedido de ir e vir a qualquer hora. É trânsito pra todo lado. Gente gritando. ‘Flanelinhas’ pra cima e pra baixo com carro em estacionamento. Um inferno!”, reclama Sandra Nogueira, que mora na região.

     O barulho também é motivo de queixa. “Na sexta feira, primeiro dia de treino, é impossível ter aula. Todos os anos cancelamos as aulas nesse dia porque seria inviável. É muita agitação, muito barulho, os alunos perdem o foco”, queixa-se Rosane Paranhos, coordenadora do colégio Exato.

    Para esse ano, era esperada uma diminuição do trânsito nos arredores de Interlagos devido à inauguração da estação Autódromo da linha azul da CPTM que fica a 600m do portão G. No entanto, houve trânsito lento na saída do evento. Foram registrado 70km de lentidão só nas Avenidas Interlagos e Robert Keneddy. Maria de Lourdes, 43, trabalha aos fins de semana e mora na região da Cidade Dutra: “Pra quem tá indo se divertir é uma beleza, agora pra gente que tem que ir trabalhar em pleno domingo essa bagunça toda só atrasa a vida”.

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Fachada da nova estação Autódromo: comodidade para os moradores e para os turistas

     Mas há aqueles que vibram com esses dias tumultuados. A Fórmula 1 movimenta cerca de 200 milhões de reais e são recebidos cerca de 40 mil turistas nos três dias de prova. O setor hoteleiro e as agências de viagem comemoram. A média de ocupação dos hotéis chega a 80%. A maior durante o ano.

Ingresso e camarote alternativos

     Os cambistas, figuras carimbadas em grandes eventos chegam a cobrar R$ 10.000,00 pelo ingresso no Paddock vendido por R$ 2.400,00 na bilheteria, e que é o mais prestigiado por dar acesso aos boxes. Outra artimanha utilizada por eles é “convocar” estudantes das escolas da região para comprarem ingressos de meia-entrada. Alunos dos Colégios Albert Einstein e Salgueiro, os mais próximos do estádio, são assediados na saída das aulas. “Eles dão R$ 20,00 e pagam um refrigerante pra gente ir lá na fila e comprar ingresso pra eles. Eu e meus amigos vamos todo ano. Não custa nada pra gente, pelo contrário, a gente sai ganhando”, conta André Ribeiro, 15. A diretoria do Colégio Albert Einstein tem ficado mais esperta e tenta inibir a ação dos cambistas nos arredores da escola. “Nossos seguranças rondam o quarteirão do colégio e não permitem que pessoas estranhas entrem em contato com os alunos. Mas não podemos segui-los até em casa. Procuramos orientá-los durante as aulas sobre esse tipo de comércio ilegal e tentamos conscientizá-los que esse tipo de ‘serviço’ prejudica o acesso das pessoas a esses eventos, inclusive o deles” explica a diretora do colégio, Andréa Beltrão.

     Os moradores do conjunto Cingapura localizado ao lado do autódromo não perdem a chance de garantir um dinheirinho extra com a corrida. Com vista privilegiada do autódromo os moradores negociam “ingressos” para os “camarotes” informais que às vezes valem mais a pena do que os ingressos oficiais. “Daqui de cima dá pra ver a pista inteira e eu cobro R$ 100,00 no dia da prova. São R$ 50,00 nos dias de treino. No setor G, o mais barato, o cara não compra um ingresso por menos de R$ 300,00 e só fica com a visão de uma parte da pista. É muito mais negócio ver daqui” diz Álvaro, proprietário de um apartamento no 10° do bloco D e que recebeu nove pessoas em sua sacada no último domingo.

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Até o telhado vira arquibancada no Cingapura

      Esse tipo de negócio é um dos mais comuns nessa época. Gilmar possui um sobrado comercial na Avenida Interlagos que possui uma visão privilegiada das curvas do José Carlos Pace que recebeu 67 pessoas no dia prova, cada um pagou R$ 70,00. Chamado de camarote, ele afirma que possui clientela fixa e todos os anos vende os “lugares” meses antes da corrida. “O pessoal tem meu telefone e assim que saem as datas do próximo ano já me ligam pra acertar”. O sobrado é alugado durante o ano todo por comerciantes. “Aqui já foi academia, pizzaria, escola de artes marciais, bar. Tudo! Mas nada vinga. O que dá lucro mesmo são esses dias de corrida”. E o “Camarote do Gilmar” dá todo o conforto pros seus clientes. Espetinho de churrasco, refrigerante, cerveja, transmissão pela TV e até binóculos que podem ser alugados a R$ 2,00.

     Outros que adoram o clima de corrida é a garotada que disputam cada pedacinho de muro ao redor do autódromo para dar uma espiadinha.

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Meninos sobem nas bicicletas para espiar a corrida

     Vale escalar muro, subir na bicicleta, fazer “pézinho” pro amigo e procurar o maior buraquinho possível nos muros pra dar uma olhadinha nos carros passando a toda velocidade. André, 12, reclama das reformas feitas nos últimos dias: “Antes os muros eram cheios de buracos. Tinha uns que tinham quase o tamanho da minha mão. Dava pra ver toda a reta, até o “S” do Senna. Agora taparam tudo, não dá pra ver mais direito. Mas eles não tem como tapar o som. Só essa barulheira já tá valendo”.

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