Por Nathália Nhan
Nada de Glamour. Para se transformar em um ator ou uma atriz de talento, é preciso muita ralação. Apesar de algumas diferenças, tanto cursos de formação superior quanto cursos profissionalizantes, preparam o ator para se destacar no seu meio através de muita versatilidade, é o que diz Antônio Canesin, 19 anos, aluno da Escola de Atores Wolf Maya. “[o mercado de trabalho] Está sempre concorrido. Não basta ser um ator, hoje tem que ser de tudo”.
As pessoas que seguem essa carreira profissionalmente, já sofreram muito preconceito. Era difícil alguém que não perguntasse a um jovem que quisesse cursar artes cênicas algo do tipo “e o que mais você vai fazer?”, como se já não fosse suficiente. Mas segundo Canesin, ou Tonho, como gosta de ser chamado, “pessoas com esse pensamento, são pessoas antigas. As coisas mudaram hoje. O campo de trabalho está realmente cada vez mais competitivo”. Ele tem pretensões de cursar Artes Cênicas na USP e hoje se prepara para isso no cursinho e na Escola Wolf Maya. “Acho que um curso profissionalizante não dá tanto embasamento para um ator quanto um curso superior. Eles trabalham muito o corpo, mas há poucas teorias”, diz.
Um exemplo é o curso de Comunicação das Artes do Corpo, da PUC-SP, criado há 11 anos pela professora Christine Greiner, que ainda dá aulas lá. O curso é inédito no Brasil e no mundo, portanto a procura é cada vez maior. Segundo a aluna Fernanda Roman, 19 anos, “artes do corpo não forma só atores, dançarinos e performers, forma artistas”, o que faz muita diferença na hora escolher profissionais para compor um elenco teatral, o que não ocorre na televisão, pois “se você não for bonito e magro vai ser difícil conseguir entrar”, lembra. Roman ainda critica toda essa glamurização da profissão e diz que a grande culpada é a televisão. “Ela trata os atores como deuses, faz festas que passam a tarde em programa de fofoca, e essa é a visão que a massa tem do artista”, critica.
Outro fator também muito criticado é o público brasileiro que não valoriza tanto o artista. Canesin reclama que “o público vai mais a peças comerciais. As peças alternativas são muito boas e muito mais interessantes e não tem tanto público”. E isso tem explicação? Roman arrisca. “Talvez porque a população do Brasil seja tão pobre que não tem tanto contato com a cultura, até porque, convenhamos, os ingressos de teatro são bem caros. Então acabam ficando em casa vendo TV sem se dar conta de que tem muita gente boa fazendo coisa de graça lá fora. Os mesmos, quando passam na rua e vêem alguma representação, não vêem como arte, pois eles não têm essa formação”.
Canesin insiste em dizer que “não existe vida sem arte”. E não existe mesmo. Ele lembra que “é o artista que levanta as questões sociais, que revela mistérios, que faz pensar diferente, que acrescenta vivências, que evidencia a vida”. E a profissão deve ser tão respeitada quanto outra qualquer. “O artista estuda muito!”, ressalta Roman. Portanto, evidenciar ou subestimar demais o ator são erros que não podem mais ser cometidos depois que se passa a conhecer mais sobre a profissão, e a melhor saída para isso está em freqüentar mais teatros, que têm sempre tanto a oferecer e que, também por causa da situação precária da educação brasileira, são tão pouco apreciados.