Por Carla Carrara
Desde o dia 24 de fevereiro desse ano o transporte de bicicletas no metrô está liberado aos sábados, das 15h às 20h, e aos domingos e feriados, das 7h às 20h. Isso não só facilita a vida dos ciclistas como incentiva as pessoas a praticarem esportes.
Não obstante com essa nova medida, os bicicleteiros da cidade de São Paulo fizeram um apelo nas principais avenidas reivindicando uma ciclovia: durante um encontro de ciclistas ativistas, a Bicicletada, na noite de 31 de agosto, eles desenharam, clandestinamente, bicicletas brancas na pista direita de avenidas como a Sumaré e a Paulista. Porém, explica o atuante do grupo e jornalista Beniggio: “São pessoas que foram ao encontro e resolveram protestar isoladamente”. Os principais objetivos deles são: divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, em vias municipais, apenas a prefeitura pode fazer a sinalização. “Só o poder público pode fazer isso”, explica o advogado Cyro Vidal. Ainda não há uma punição estipulada para a infração. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), responsável pelo sistema de sinais na cidade, desconhecia os desenhos, que por sua vez serão avaliados para saber se serão apagados.
O aluno da Global Village, R.C.*, alega que morou em Vancouver por seis meses e os ciclistas tinham uma faixa exclusiva com o desenho no chão, que por sinal é o mesmo que o da manifestação. Além disso, “a bicicleta pode ser carrega em todos os meios de transporte público, todos os dias da semana”, no entanto não nega que a medida tomada em fevereiro no Brasil seja um grande progresso.
E a pergunta que não quer calar: será que uma ciclovia diminuiria o mundaréu de carros que passa por essas grandes vias urbanas? O urologista de 46 anos, que pelada aos domingos com um grupo que sai da frente da Fnac, Wagner Ávila, acredita que “se houver um bom planejamento, as ciclovias deveriam existir nas principais avenidas da cidade” e que isso com certeza acabaria incentivando as pessoas irem trabalhar de bicicleta. “Nos fins de semanas, teríamos um público muito maior. Com isso as pessoas vão estar se exercitando, menos poluição, maior confraternização e melhor uma qualidade de vida”. Assume ainda ter inveja de seu amigo que mora em New York e vai trabalhar três vezes por semana de bicicleta.
Um grande exemplo de que as pessoas estão se conscientizando em São Paulo foi a participação, pela primeira vez, do Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro). O evento começou em 1998 em 35 cidades francesas, se expandiu para a União Européia e em 2001 chegou no Brasil.
O acontecimento teve muitos adeptos. No final de semana, foram mobilizados mais de 300 funcionários da CET para interditar e desviar 130 km de vias para a realização das atividades programadas.
* A pessoa preferiu não ser identificada.