Retinas

Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

O Baile chega a São Paulo

Publicado por lumigueres em 18/Outubro/2007

Luisa Migueres 

Por Luisa Migueres   

     Em 1980, o diretor italiano Ettore Scola presenteia a história do cinema com o homônimo “Le Bal”. Um musical que conta meio século de história através de um salão de baile. 

     Sempre freqüentado pelas mesmas figuras caricatas, o baile em questão caracteriza-se de acordo com as tendências musicais de cada época. Os personagens também passam por mudanças, tanto na dança, como na moda e comportamento.

     A falta de diálogos é talvez a característica mais marcante no filme de Scola, que na verdade não faz falta alguma, é elemento não apenas bem próprio das cenas, mas também fundamental para uma atenção maior do público aos gestos e trejeitos dos personagens. Não é o tipo de filme que se pode assistir fazendo as unhas. Portanto, existe um cuidado maior em relação às situações retratadas, estabelecendo um limite dramático e cômico. As atuações não são forçadas, o que impede que o silêncio dos atores seja incômodo.  

     A França é o país em questão e o período que define as mudanças da história vai de 1932 a 1980. Nasce a Frente Popular, seguida pelo período de ocupação nazista, a Resistência parisiense, a chegada do rock’n’roll americano etc. Tudo acompanhado por trilhas sonoras marcantes de cada década.

     “O Baile” brasileiro, musical de teatro dirigido por José Possi Neto, renomado no meio artístico – e a cargo de curiosidade, irmão de Zizi Possi – segue o mesmo trajeto do filme, sem diálogos e com uma seqüência dos momentos dos diferentes bailes: a chegada das pessoas, o baile em si,a formação dos casais, a dissolução dos mesmos, as situações engraçadas, a influência dos acontecimentos históricos etc. A situação mais cômica é, sem dúvida, a cena em que dois militares chegam ao baile – durante a ditadura militar – e apreendem todos os objetos que encontram da cor vermelha, fazendo uma referência a perseguição dos comunistas.

     Jean-Claude Penchenat, detentor dos direitos autorais de “O Baile”, deu a seguinte orientação, quando a proposta de montar o espetáculo lhe foi apresentada: todas as montagens da peça devem retratar a história do país em que forem encenadas. Portanto, a montagem brasileira apresenta quatro décadas da história do Brasil – do suicídio de Getulio até a reconquista da democracia. Penchenat é também um dos criadores do Théâtre du Soleil, diretor do Théâtre du Campagnol e foi o responsável pela contratação de Ettore Scola para fazer o filme.

     A produção ficou por conta da atriz global Tássia Camargo, que realiza o projeto idealizado há 7 anos. São 20 atores, 150 figurinos e um quinteto musical reproduzindo músicas populares marcantes na história brasileira. Foram montados 7 bailes diferentes: do Catete, Anos Dourados, Baile da Alvorada, dos Estudantes, Baile Psicodélico, da Discoteca e, por último, o Baile da Saudade, onde os freqüentadores se encontram para uma última dança.

     “O baile” está em cartaz no Teatro Cultura Artística – Sala Esther Mesquita, na Rua Nestor Pestana, 196, as sextas e sábados (21 h) e domingos (18 h) até 25 de novembro. Os preços vão de R$40,00 a R$80,00.

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