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Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Posts de Outubro 20th, 2007

Graffiti e o Status de Arte

Publicado por caboehm em 20/Outubro/2007

Por Camila Boehm

     O grafite é uma das artes de rua que se espalha pelos muros, túneis e viadutos da cidade. Pode carregar um significado social, político ou simplesmente ser um vazio artístico. Esse símbolo de rebeldia e clandestinidade surgiu na pichação e foi herdado pelo grafite, tornou-se arte.

      No final da década de 1960 e início dos anos 70, jovens do condado de Bronx, em Nova York, fizeram ressurgir essa forma de arte. Há duas teorias complementares que explicam a origem dos grafiteiros modernos. Uma afirma que o grafite surgiu no Hip Hop. A outra defende que tenha surgido em NY. O que une essas duas visões é o fato de esses grafiteiros serem integrantes das gangues dos guetos de NY, onde o Hip Hop sempre esteve presente.

      Desde o começo, a temática era revolucionária, chamando a atenção para os problemas do governo e questões sociais. Os desenhos estavam, em sua maior parte, nos trens, isso, porque a intenção era passar a mensagem para o maior número de pessoas. Os muros eram alvos constantes também.

      Cada grafiteiro tem um estilo, sua marca, e é possível reconhecer tal artista em qualquer de seus trabalhos. Entre eles o reconhecimento é através do grupo a que pertencem, são as crews. Cada crew tem uma identidade própria, artistas com características comuns nos desenhos. Os integrantes, às vezes, conhecem a arte e o estilo dos companheiros do grupo, tem contato, mas não se conhecem pessoalmente, porque estão espalhados pelo México, Chile, EUA, Brasil, etc.

      Mesmo arte, o grafite não é reconhecido, é tratado como marginal. É preciso escolher um lugar onde ninguém vá utilizar, mas que seja visto por muita gente. Não é fácil alguém dar autorização para se grafitar o próprio muro, mas acontece, principalmente, porque os pichadores respeitam os desenhos e não passam por cima, não rabiscam. Um ato de consideração por parte deles. “E foi a partir disso que as pessoas começaram a pedir para grafitar os muros de suas casas”, diz Aline da crew HNF (Hope Never Fails).

      Aline Moraes Creoruska, que trabalha na casa de câmbio do Aeroporto Internacional de Guarulhos, começou a grafitar através do convite de um amigo e por gostar de arte. Ele estuda na ETE (Escola Técnica Estadual) do Brás, onde a maioria dos grafiteiros de São Paulo se conhece e se forma, ela conta. Nunca pichou e acha horrível, o que contraria a lenda de que todo grafiteiro já foi um dia pichador.

      As origens desses artistas urbanos são bem diferentes. Alguns vêm do Hip Hop, outros dos quadrinhos, ilustrações ou artes plásticas e, sim, há os que passam da pichação para o grafite, mas são poucos.

      Cláudio Donato veio das artes plásticas e vive do grafite e da ilustração. Ele afirma que esse mercado está crescendo muito, sobretudo no exterior. Titi Freak, por exemplo, famoso grafiteiro e reconhecido por seus desenhos característicos na região da Liberdade, está na Inglaterra organizando uma exposição de seus trabalhos.

      Outro exemplo da popularização dessa street art é o trabalho de Donato na capa do CD de Marjorie Estiano. A partir de uma foto dela, usou-se a técnica do stencil (uma forma de grafitar usando papel vazado e, então, aplica-se a tinta por cima desse molde) em muros da Barra Funda em SP. As fotos tiradas desses desenhos foram usadas na capa e no encarte do CD.

      Outro processo que existe é o free hand, em que se pinta livremente, cria-se sem a limitação do molde.

      As pessoas, ao contratarem esses artistas, geralmente não querem nada que pareça rude nem rebelde. Querem personagens já consagrados ou mesmo aqueles criados pelos próprios grafiteiros e até figuras abstratas. O preço depende do tamanho do muro, da parede e fica por volta de R$250,00, sem contar a mão-de-obra. As latas de spray são de R$13,00 a 15,00. Mesmo preferindo todo o trabalho feito com spray, os grafiteiros às vezes misturam látex, isso interfere no preço também.

      Quem grafita por puro hobby banca todo o material, trabalha praticamente de graça e pelo encanto e prazer da arte urbana.

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