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Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Posts de Outubro 24th, 2007

A difícil compreensão do Universo

Publicado por dmekari em 24/Outubro/2007

Por Danilo Mekari 

     Não é a toa que cada pequena descoberta sobre o universo onde vivemos gera grandes repercussões. Não há nada mais intrigante para nós do que o brilho da estrela, o gigantismo da galáxia, o inexplicável buraco negro. Afinal, são poucas as perguntas que o homem — tecnologicamente mais avançado do que nunca — não sabe responder. Nestas questões, o tema principal não está entre nós, e sim muito longe, na imensa escuridão universal.

     Para tentar esclarecer algumas dúvidas — ou aumentá-las, como ocorreu —, fui ao Planetário Aristóteles Orsini, localizado no Parque do Ibirapuera, na zona sul paulistana. Era sábado à noite, e a última sessão começaria dali a 10 minutos, marcada para as sete horas em ponto.

     O clima no parque, normalmente movimentado, era solitário, e os ambulantes que vendiam salgados e doces se preparavam para voltar ao lar. Alguns corriam e outros pedalavam ao som de grasnidos dos patos à beira do lago. A noite já dominava o céu. “Olha a pipoca quentinha, saindo agora”. O pipoqueiro parou o carrinho em cima da Rosa dos Ventos no chão, bem na frente do planetário.

     Depois de sete anos fechado para reformas, no dia 22 de setembro último completou-se um ano de sua reabertura. E, segundo uma das vendedoras na bilheteria afirmou, a reforma foi um sucesso: “É preciso entender que o planetário em 1999 era considerado uma obra antiga, impopular e quase não atraia mais o público. Hoje, é difícil sobrar cadeiras livres aqui”. Ainda fora, seis jovens dividiam três telescópios para tentar observar melhor algum astro. Havia em torno de dez pessoas na fila para comprar ingresso para a sessão, e dois seguranças conferiam-nos na hora da entrada.

     Em sete anos, o planetário se modernizou e está impecável. Um elevador panorâmico — que sobe apenas um andar — chamou a atenção de todas as crianças, enquanto adultos admiravam a pequena bancada que expunha meteoritos de variados tamanhos. Ao entrar na sala, todos os olhos se dirigiam ao enorme equipamento de projeção localizado no centro da sala. Totalmente negro, o projetor em forma de globo é o personagem principal da atração. Os assentos — incrivelmente reclináveis — estavam tomados, e a tranqüilidade externa se opunha à bagunça interna, com risadas infantis e casais que trocavam beijos e confissões. A música de fundo parecia ter sido copiada daqueles filmes sobre o espaço sideral. As crianças já não agüentavam mais esperar, queriam logo ver as estrelas naquilo que parecia uma imensa parede branca de formato oval. Em seguida, o narrador chamado André agradeceu a presença de todos e explicou que, em caso de saída durante a sessão, não seria permitido voltar, pois segundo ele “o olho humano demora para se adaptar ao escuro, e qualquer entrada de luz externa vai atrapalhar”. E o aviso logo surtiu efeito: a mãe de uma criança que começara a chorar se retirou do local para não mais voltar. “Desejo uma boa sessão a todos vocês”, finalizou André.

     Quando as primeiras estrelas começaram a piscar, o público não esperava que aqueles astros — eram milhares — faziam parte do céu daquela noite em São Paulo, imperceptíveis por causa de nuvens e poluição. Foram contadas histórias da mitologia grega sobre os símbolos que as estrelas formam no céu, e questões como “de onde vem a luz? Por que de noite o céu é escuro? Há vida em outros lugares?” tomaram a maioria das explicações.

     A sessão — nomeada “O Lado Escuro do Universo” — usou nomes como Galileu Galilei, Isaac Newton e Albert Einsten para tentar explicar de maneira clara o mistérioso além-Terra. Não conseguiu, porém, transformar essa complexa discussão em algo simples. Passados os primeiros 20 minutos, as crianças aparentavam desgosto e já conversavam entre si. Até mesmo adultos não conseguiram acompanhar o ritmo intenso do que foi explicado. Indubitavelmente, explicar o universo em que vivemos de uma maneira simplista é uma tarefa árdua. Na saída, uma mulher falava no celular e reclamou: “São muitas informações sobre o universo em apenas uma hora. Tenho que vir de novo”.

     O parque, quase deserto, era iluminado pelos postes de luz, enquanto a fonte fazia seu show com luzes coloridas e música clássica para os transeuntes da avenida. No céu, não havia sequer uma estrela, bem diferente do que mostrou o planetário Aristóteles Orsini.

Planetário Aristóteles Orsini Local: Parque do Ibirapuera – SP
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Portão 10 (entrada pedestres) ou portão 3 (entrada para estacionamento)
Valor único do ingresso: R$ 5,00
Sessões regulares (Sábados e domingos):
15h – “O lado escuro do universo”
17h – “Olhar o céu de São Paulo outra vez”
19h – “O lado escuro do universo”

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