Por Bruna Campos
A semana acadêmica acontece na PUC desde o ano de 2004, mas neste ano ela traz uma novidade. Centralizada na pesquisa discente, a semana conta com o 1° Congresso de Pesquisa Discente, que pressupõe a participação de diferentes modalidades de pesquisa: TCC, Mestrado, Doutorado e iniciação científica.
São 147 simpósios acontecendo nos campos de Sorocaba, Barueri, Marquês de Paranaguá, Monte Alegre e Santana. Os temas abordam as áreas de tecnologia, humanidades e ciências médicas. O objetivo desses simpósios é divulgar os trabalhos de pesquisa, estimular o diálogo entre aluno e pesquisador e favorecer a troca de experiências teóricas.
Essa é a proposta da PUC para a semana do dia 22 ao 27 de outubro. No entanto participando do evento percebemos um abismo entre proposição e aplicação. Pude acompanhar dois simpósios e em ambos tive a mesma impressão: a semana não foi incorporada pelos membros universidade e seu fomento é deficitário.
No dia 23 me dirigi a sala T45, não para assistir um simpósio, mas sim para ter uma aula regular: História e Arte. No entanto, depois de me acomodar, percebi que o professor da matéria, Antonio Rago Filho, faria nesse horário o debate sobre “Formas da dominação autocrático-burguesa no Brasil e na América Latina na segunda metade do século XX: ditaduras militares, luta de classes, representações ideológicas e projetos nacionais”.
Tanto os alunos quanto o professor estavam supresos, pois tal simpósio estava marcado para as 19h30min do dia seguinte. Perdemos mais uma aula, já que na semana anterior a universidade estava de recesso e o curso de História, especificamente, tivera a sua semana.
Os alunos do 2° ano ficaram ligeiramente revoltados, por dois motivos: não foram informados sobre o cancelamento de sua aula, nem da existência de uma semana acadêmica. Enquanto os alunos saiam da sala, o professor dava início às apresentações, estavam presentes alunos de iniciação científica e mestrado e nenhum deles abordou temas tocantes à matéria do semestre, no caso, Arte.
Alguns dias depois, dia 25, acompanhei um simpósio; mas dessa vez como estudante de jornalismo. O tema era “Terrorismo contemporâneo e a Nova Ordem Mundial”, estavam presentes o professor Reginaldo Mattar Nasser e os alunos-pesquisadores: David Magalhães, Roberto Simão, Thiago Zati, Gustavo Cília, Mariana Vianna e Paula Giassi. Todos envolvidos com o curso de Relações Internacionais, exceto Mariana Vianna que cursa Direito.
No início, 14h20min, a sala P75 do prédio velho estava lotada, mas com o passar do tempo o público diminuía; no fim da apresentação eram apenas oito ouvintes. O tema era bastante interessante e sobre ele foram feitos diversos recortes, mas esses eram voltados para um segmento muito específico; o academicismo da conversa não permitia um grande envolvimento.
Muitos teóricos e teorias eram citados, mas poucos, além dos pesquisadores e professor, tinham intimidade com eles. O primeiro recorte fazia referência à Invasão do Iraque e dava ênfase a formação conturbada dessa nação. A questão do Curdistão, território ocupado pelos curdos, (maior etnia sem Estado do mundo) foi levantada como um dos problemas para afirmação de um Estado Iraquiano forte. O mestrando David Magalhães frisou a todo instante o problema de formar uma Nação sem levar em conta suas diferenças tribais.
Cada pesquisador tinha quinze minutos para expor o seu projeto, mas como acontece normalmente, esse tempo era ultrapassado. Outras abordagens do tema foram sobre “A percepção francesa dos EUA no momento da 2° invasão do Iraque”, “O terrorismo e a guerra justa”, “O discurso terrorista”, “Os aspectos penais do Terrorismo” e por fim “ Grupos de promoção da paz no Mundo”.
O público teve espaço para fazer perguntas nos dois simpósios, no entanto poucos as fizeram, pois o conhecimento sobre os assuntos era muito recente e superficial.
A semana acadêmica é em si um bom projeto, mas o modo como está sendo realizada não me parece o mais adequado; ou amplia-se o evento para toda universidade (reformulando os horários, a linguagem e o método de apresentação) ou se restringe o debate aos pesquisadores.