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Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Posts de Outubro 27th, 2007

Gael García Bernal divulga seu primeiro filme como diretor

Publicado por lemendes em 27/Outubro/2007

Por Letícia Mendes

Natália Peixoto

O mexicano Gael García Bernal anuncia seu primeiro filme: “A boa notícia é que é um filme curto”

     De passagem pelo Brasil por exatos três dias, o atraente ator mexicano Gael García Bernal  foi convidado para participar do debate promovido pela 31ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, realizado no sábado, dia 20, no auditório da FAAP.

     O debate foi precedido da exibição do filme “Déficit” que marca a estréia do ator como diretor. O filme conta um dia na vida de Cristobal (interpretado pelo próprio Gael), rapaz de vinte e poucos anos, esnobe e de classe alta, fã de rap e filho de um dos políticos mais corruptos e poderosos do país. Por meio desse personagem, ”Déficit” explora uma determinada camada da sociedade e a relação desta com as demais classes sociais.

     Esse tema foi lembrado pelo diretor da Mostra, Leon Cakoff, na abertura do debate, que também contou com as presenças do diretor da Faculdade de Comunicação da FAAP, Rubens Fernandes Júnior, do produtor Pablo Cruz e do apresentador Serginho Groisman, que intermediou a mesa.

Letãia Mendes

O ator mexicano Gael García Bernal entre o diretor da Mostra, Leon Cakoff, e o produtor do filme “Déficit”, Pablo Cruz

         Questões financeiras também foram discutidas. Quando perguntado sobre as dificuldades em distribuir um filme independente, Gael o comparou a um produto orgânico, cujo número de interessados no mundo industrial em que se vive ainda é pequeno. “Para entrar nos grandes esquemas de distribuição, o filme tem de ser épico, de grande impacto, o que não é a proposta de uma produção independente”, afirmou o ator. Sobre o custo da produção Gael não quis responder o valor exato, mas deu a certeza de que “Déficit” foi mais barato que o filme “Titanic”.

     Com essa mesma simpatia Gael seguiu durante o debate todo, inclusive respondendo perguntas feitas pela platéia. Uma estudante de cinema, ao falar que teve uma sensação de vazio, de que faltava algo mais no filme e ao perguntar se o Gael faria outro filme seguindo a mesma temática, obteve a seguinte resposta do ator: “Você quer assistir ao “Superávit”?”. Depois de altas gargalhadas da platéia, Gael explicou o significado do título. “O filme se chama “Déficit”, porque é sobre uma geração que cresceu com essa palavra”, afirmou Bernal. Inclusive todo os personagens possuem “um déficit emocional e de identidade”. ”Esse sonho idôneo dos países da América Latina de entrar no primeiro mundo ruiu completamente”, finalizou Gael.

     Agora, resta ao público que não pôde participar da 31ª Mostra esperar que o filme seja distribuído pelas salas de cinema do Brasil. Para os que não têm paciência para esperar, uma boa notícia: Gael García Bernal é protagonista do filme “O Passado”, de Hector Babenco, que estará em cartaz a partir de hoje, sexta, 26 de outubro.

Tumulto na entrada da FAAP antecede o debate com o ator Gael García Bernal 

Por Bruna Campos

Natália Peixoto

     A 31° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo conta com inúmeras atrações gratuitas, muitos filmes podem ser assistidos no vão do Masp, no Memorial da América Latina, no Centro Cultural São Paulo e na Fundação Armando Álvares Penteado, a FAAP.

     Os filmes em exibição contemplam diversos tipos de público. São filmes estrangeiros e nacionais; lançamentos ou clássicos e alguns conseguem agradar gregos e troianos. Esse é o caso do filme “Déficit”, dirigido pelo ator mexicano Gael García Bernal. O longa foi apresentado em três ocasiões distintas e em todas as salas ficaram super lotadas.

     Entre as três exibições havia uma mais especial, a do dia 20 de outubro na FAAP. Segundo a programação da 31ª Mostra, nesse dia seria feita a última apresentação do filme, com um detalhe especial: o diretor estaria presente e depois de concluída a projeção ele iria relatar a sua experiência por trás das câmeras.

     No próprio dia 20 de outubro o evento especial foi divulgado pelos jornais e para ampliar a receptividade do programa, a entrada era gratuita. Os jornais, no entanto, não divulgaram o horário de distribuição das senhas e eu, como muitas interessadas, liguei para a Fundação para obter mais detalhes. Liguei e a informação era: as senhas serão distribuídas uma hora antes do início da sessão, ou seja, às 18h30.

     Ainda eram 14h. Fui tomar um banho e almoçar, sem saber que a fila já era razoável nos portões da FAAP. Peguei o ônibus e cheguei à fila às 17h, ou seja, uma hora e trinta minutos antes das senhas serem distribuídas. Pensei “acho que vai dar”, mas estava enganada. Pedi para guardarem o meu lugar na fila e fui até a entrada me interar da situação, lá encontrei duas amigas que já tinham passado da catraca para dentro. “Como assim? Ainda são 17h”.

     A explicação dos monitores da Mostra era a seguinte: o pessoal chegou às 13h e pediu para passar as catracas porque estavam furando fila. Eram cerca de oitenta pessoas sentadas do lado de dentro da Fundação, todas com a senha garantida. O restante das pessoas, as do lado de fora, estavam inconformadas. Tinham chego antes da hora marcada, mas isso não adiantou nada.

     Depois de esclarecido o primeiro problema, o desrespeito ao horário divulgado pela Mostra, descobri um segundo aspecto desagradável. Dos 300 lugares do auditório da FAAP, duzentos eram reservados para os estudantes da mesma. E mais uma conclusão: um evento primeiramente voltado para o público em geral privilegiava os estudantes de uma das faculdades mais caras do país.

     Entre esclarecimentos e bate-bocas, carros da PM e do Deic iam e viam, um deles solicitado por parte do público que queria fazer um boletim de ocorrência.

     Estávamos todos aguardando um comunicado oficial dos organizadores, a fila já tinha se transformado em um grande amontoado no “Gate 1”, enquanto isso no “Gate 2 “ os alunos da universidade passavam tranqüilamente suas carteirinhas no sensor e entravam para assistir ao filme.

     O tempo foi passando e a insatisfação aumentando. Um dos produtores foi chamado aos gritos por uma das “filantes” que lhe pediu esclarecimentos. O produtor chegou mais perto do público e disse que estava negociando mais lugares com a Fundação. Segundo ele o problema era que a FAAP, uma das patrocinadoras da Mostra, não tinha explicitado em contrato a posse de 67% dos assentos para os seus alunos.

     Já eram quase 19h30 e nada tinha mudado, ou melhor, tinha. Apesar de não conseguirem entrar, os “filantes” se organizaram e começaram a passar um abaixo-assinado. As assinaturas seriam entregues aos organizadores e se possível ao próprio Gael, o texto do abaixo-assinado fazia referência ao descumprimento de horário e ao privilégio dos estudantes da universidade particular.

     A cada instante uma nova manifestação acontecia: primeiro as assinaturas, depois os gritos de guerra, cantados por algumas centenas de pessoas, “A FAAP é uma merd…”. Tudo isso sendo acompanhado atentamente pelos seguranças da Fundação e pelos jornalistas presentes: “Istoé, gente”, “Band News” etc.

     Por volta das 20h, as pessoas começaram a se dispersar, voltaram para casa, foram para o bar, mas antes tinham feito algumas resoluções: enviar e-mails para o site da Mostra e entregar aos responsáveis pelo evento as mais de 300 assinaturas recolhidas durante cerca de três horas de protesto e indignação.

     Não vimos o Gael, nem o seu primeiro filme, mas demos um toque para que, ano que vem, certas parcerias sejam revistas e de que gostamos de cinema e, sobretudo, de respeito.

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