Pedagogas expõem seu TCC durante a Semana Acadêmica
Publicado por carlacarrara em 30/Outubro/2007
Por Carla Carrara
Na última quinta-feira, 16 de outubro, durante o 1° Congresso de Pesquisa Discente da PUC-SP, cujo simpósio foi “A pesquisa e os desafios da contemporaneidade: educação, ambiente e vida”, ocorreu a palestra, cujo tema foi “Os desafios educacionais relativos à uma criança de 0 a 6 anos em sua realidade concreta” com a Professora Doutora e Orientadora Neide Barbosa Saisi.
A apresentação, realizada na sala 240 do prédio novo, deveria ter início às 19h, porém iniciou às 19:45h devido a problemas técnicos com o data show. A proposta do trabalho era a apresentação do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de 5 garotas que estavam na finalização do trabalho; e de uma Iniciação Científica de uma aluna que concluiu o trabalho ano passado.
Os temas dos trabalhos têm uma relação entre si. Maria Inês iniciou a apresentação da sua Iniciação Científica, que foi posteriormente um complemento para o Doutorado de Neide Saisi, cujo tema era: “Interação entre Escola de Educação Infantil e Família”. Após uma longa pesquisa de campo, Inês afirma que “há um descompasso entre as normas da escola e as normas que devem ser seguidas em casa”. O pai deixa seu filho na escola com seus conceitos pré-estabelecidos e não participa do que a escola tem a oferecer, prejudicando o próprio filho. O que é muito comum acontecer quando o aluno está indo mal na escola é um querer colocar a culpa no outro; um reconhece a importância do outro, mas não quer a culpa para si. Então chegou a conclusão de que deve ser feito uma parceria entre Escola e Família com um único foco: o aluno.
Danielle Rodrigues assumiu o papel da apresentação. O tema do seu trabalho é “A importância do brincar na Educação Infantil”, que foi tratado também na apresentação seguinte, a de Paula Schein. O foco do trabalho foi: Porque o brincar é importante no desenvolvimento da aprendizagem e no desenvolvimento infantil? Há um grande preconceito dos pais com relação ao assunto: os pais acham que a escola é feito para brincar e os filhos acabam não brincando em casa muitas vezes por falta de tempo.
Já no tema a brincadeira do faz de conta, afirma que a brincadeira é uma linguagem infantil, com qual a criança aprende e mentaliza as coisas enfrentando seus medos. Para Jean Piaget, o brincar de faz de conta é o apogeu do jogo infantil; a criação de uma imagem mental na ausência do objeto, fazendo uma re-significação do mesmo; a criança incorpora o mundo a sua maneira, ela imita a vida do adulto.
Para Lev Vygotsky, o brincar é uma satisfação da criança. Uma criança de 0 a 3 anos se não realiza o que quer, ela se frustra, pois lida apenas com os aspectos figurativos, só da significado aos objetos. Porém a de 3 anos em diante se não consegue o que quer ela brinca do faz de conta e se realiza na brincadeira. Abordaram ainda o papel do professor no aprendizado: é sempre necessário que o professor esteja presente nas brincadeiras das crianças, analisando e muitas vezes até participando daquela fantasia, pois isso pode julgar traços importantes de sua personalidade, de suas fraquezas.
O tema de Pollyana Faria foi “A importância da arte na educação infantil”. Afirma que “a escola não valoriza a arte das crianças, pois a sociedade não a valoriza também”. O desenho de uma criança é a expressão de seus medos, alegrias e angústias, no entanto a escola coloca modelos a serem seguidos inibindo essa arte. “A escola tira do sujeito a autoria de sua própria vida”, Neide complementou.
Faria usa um exemplo: quando é para desenhar uma flor, não deixa o aluno desenhar o que pra ele é uma flor, mas modela a mesma, pétala por pétala até que todas as flores tenham a mesma cara. Uma das alunas presentes completou: “Meu primo de seis anos levou para casa uma lição de casa: um desenho pronto apenas para pintá-lo. Pintou e acrescentou no desenho uma flor azul com bolinhas brancas. Quando entregou o trabalho ao professor, este alegou que o desenho estava errado, pois não existia flor azul com bolinhas brancas, e então o menino respondeu: E desde quando coelho anda de bicicleta? (se referindo ao desenho)”. Foi uma resposta genial, mas a maioria das crianças se reprimiria e nunca mais usaria seu senso criativo para fazer algo semelhante. A escola quer pular fases, inibindo a criança de certos aspectos.
Verena Buelau tem como tema de seu TCC “O vínculo entre professor e aluno”. O trabalho está ainda em andamento, todavia afirmou que fez esse trabalho para suprir uma angústia própria. É professora em uma escola e se apega muito ao seus alunos, e a cada fim de ano é uma tortura, pois eles vão embora e a deixam para a próxima turma. Então chega a conclusão de que qualquer vínculo humano é provisório, no entanto ninguém nasceu para ficar sozinho. Demorou muito tempo para entender esse seu apego com os alunos e para achar uma justificativa para isso, o que deu início ao seu TCC.
Por último Nayta assumiu a posição com um tema bem diferente: “A influência da música em crianças altistas e com Síndrome de Down”. Sempre teve muito interesse por esse assunto e trabalha com pessoas com esse tipo de doença. Concluiu que era sobre esse assunto que queria fazer seu TCC quando percebeu que a única coisa que acalmava seu aluno, portador de Síndrome de Down, quando chorava muito era a música. A mãe confirmou que isso realmente o acalmava, então Nayta começou a pesquisar sobre o assunto e ficou fascinada com suas descobertas, porém o trabalho ainda está com pouca pesquisa, por isso preferiu não aprofundar muito o assunto.
Ao fim de todas as apresentações, aconteceu um debate sobre todos os assuntos e como eles se relacionavam. As descobertas são realmente incríveis e todas são validas de um TCC. Neide Saisi se orgulha muito de ser orientadora dessas meninas e do tema de suas pesquisas.