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Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Posts de Novembro, 2007

Ópio do povo?

Publicado por gabrielamoncau em 11/Novembro/2007

Por Gabriela L Moncau

     Praça da Sé. Um homem alto, de terno cinza e gravata, falando alto e chamando atenção, dentro de um quadrado de giz pintado no chão. Bíblia na mão.

     “Isso não é heresia não, eu sou o bispo da palavra de deus! Quando você tem coração aplicado e sincero à Jesus, ele responde à sua oração! As portas só vão abrir na sua vida quando você tiver crença e fé em Cristo! Aleluia!”

     Em torno do quadrado de giz umas 25 pessoas assistem concentradamente o homem. Um mendigo deitado ao lado, bêbado, às vezes acorda, às vezes volta a dormir. Está sujo e descalço e o sol do meio-dia a pino começa a esquentar o ambiente embaixo de um céu azul e limpo. Um dos homens que está ouvindo o evangélico falar, usando um boné verde, se aproxima do mendigo e deixa ao lado dele um pé de sapato. Em seguida, volta para a roda e continua atento a ouvir o que lhe é falado, muitas vezes completando com “aleluias” e “deus seja louvado”.

     “Jesus é misericordioso, ele deu o caminho!” continua a gritar o evangélico “Jesus é a porta verdadeira! Há muitas portas, o das drogas, o da prostituição, mas a porta verdadeira é da igreja evangélica! Sem Jesus Cristo o homem não é nada, ele é a única salvação!”
Ao mesmo tempo em que essas palavras são pregadas, um menino passa em volta da roda, distribuindo um panfleto da Bola de Neve Church, no qual estava escrito: Você quer felicidade, paz, saúde e família unida? Jesus é a salvação.
 
     O homem de boné verde que havia dado um sapato para o morador de rua começa a se afastar da roda e sai andando pela Praça da Sé, se distanciando da Catedral. Fui conversar com ele. Chama-se Maurício Ribeiro de Salles e mora em Santo Amaro. Perguntei sobre a religião evangélica, sobre suas crenças e fé. “Olha menina, eu não acredito em nada que esses caras falam não. Se eu te dissesse outra coisa eu seria um mentiroso. Sou cabá da peste, baiano de salvador. Não sou dessa religião, não acredito na igreja evangélica, mas também não sei no que eu acredito não. Você, menina, você trabalha e ganha, eu não ganho nada. Tenho só um carrinho de pobre, de pobre mesmo, não tenho nada a perder. Eu tô assim porque eu quero, mas eu não tenho nada a perder então eu paro e escuto. Por quê eu não vou escutar uma pessoa falando em deus? Mas não sei nada, se eu te dissesse outra coisa eu seria um mentiroso.” Virou-se, andou um pouco e entrou em um bar.

     O pregador, depois de algum tempo, encerrou sua fala e pediu contribuição à sua platéia e pessoas passando na rua. Entre algumas moedas e notas, percebi uma nota de vinte reais ser recolhida. Agradeceu a todos e enquanto pegava uma maleta e arrumava suas coisas, se dispôs a responder algumas perguntas à nós, estudantes da PUC.
Perguntaram se ele não se sentia constrangido de aceitar dinheiro de pessoas de fé, porém que muitas vezes estavam contribuindo com o dinheiro que compraria a única refeição do dia. Ele disse que não, pois ninguém era obrigado a colaborar, as pessoas só obedeciam ao coração e que ele estava orgulhoso e satisfeito por trazer as palavras de Jesus para quem quisesse ouvir. Em relação à vestimenta, explicou que o terno e a gravata serviam para ganhar credibilidade, apesar de que muitas vezes, seu público já era conhecido e frequente.

     Muito difícil fazer a distinção do pregador ser uma pessoa de tal fanatismo religioso a ponto de tornar-se imune ao olhar crítico de todos em volta ou se é mesmo uma espécie de picaretagem e o homem utiliza disso para sustentar sua sobrevevicência. É necessário também levar em conta que os pregadores arcaicos e tradicionais não pediam contirbuição financeira ao final da fala.

     Um dos pressupostos da teoria marxista é de que “a religião é o ópio do povo”, por alienar e mascarar a realidade. Marx acusa a religião de manipulação, de sempre ter sido aliada ao poder das elites dominantes e de ser um mecanismo de controle e coesão.
Enquanto isso, para Max Weber todas as sociedades estão em processo de desencantamento da religião e de misticismos, para dar lugar à valorização da razão lógica e da reflexão em cima da realidade concreta.

     Weber errou, e o que acabou por se dar foi o desencantamento com o próprio mundo. São poucos os que suportam viver no sistema capitalista pós-moderno apenas na racionalidade. Quando não se tem onde morar ou o que comer, o desespero necessita de uma esperança confortante, um apoio, uma fé e então se baseiam na religião como algo que os sustente em pé.

     Durkheim, grande estudioso da sociologia moderna, ressalta o importante papel da religião no papel de coesão social dos indivíduos. Difícil aguentar o modo como se vive sem se identificar e ter algo em comum com outras pessoas, viver em comunidade, e juntar-se a grupos. É um dos importantes pontos da religião na sociedade pós-moderna, e um dos argumentos para a tese de que é impossível que a religião um dia seja extinta, por ser uma necessidade humana.

     Revoltante, porém, o abuso que grandes nomes, organizações e igrejas fazem da fé da população. Entre muitos, destaca-se Edir Macedo com a Neopentecostal Igreja Universal do Reino de Deus. Como lutar contra a manipulação e o abuso de uma cega fé que por mais alienada que seja, acaba se tornando a única esperança de muitos para suportar o desigual e revoltante mundo que vivemos?…

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Nando Reis toca dia 14 em Sampa

Publicado por Marcelo Martino em 8/Novembro/2007

Por Marcelo Martino

     O cantor e compositor Nando Reis volta a sua terra natal no próximo dia 14 em turnê de seu novo disco “Luau MTV”, sétimo CD da carreira solo do ruivo, gravado na praia Vermelha, litoral norte de São Paulo e que conta somente com instrumentos acústicos.
    
     Acompanhado pela banda Os Infernais, formada por Carlos Pontual (guitarra), Felipe Cambraia (baixo), Alex Veley (teclado) e Diogo Gameiro (bateria), Nando sobe ao palco do Credicard Hall pra tocar novas versões de músicas como N, Espatódea, Monóico e Sou Dela, do álbum anterior Sim e Não, e as clássicas Por Onde Andei, A Letra A, Luz dos Olhos, Relicário e outras. Além das inéditas Tentei Fugir e Negra Livre, feita em homenagem à cantora paulista Negra Li.
    
     O show está previsto pra começar as 21:30 hs, e os ingressos variam de R$ 30,00 a R$ 90,00. Provavelmente essa será a última apresentação do cantor esse ano em São Paulo.

     Credicard Hall, Av. das Nações Unidas, 17955, (11) 6846-6000. 

     Para ouvir o CD Luau MTV:

http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umcd&nomeplaylist=009641-6<@>Luau_MTV
 

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Semana Acadêmica discute problemas da África

Publicado por caboehm em 7/Novembro/2007

Por Camila Boehm 

     “A África e o Terrorismo” foi o tema do simpósio das 18 horas do dia 25 de outubro coordenado pelo professor do curso de Relações Internacionais Cláudio Oliveira Ribeiro.

     Três alunos apresentaram seus estudos relacionados à África: sobre refugiados africanos no Brasil, disseminação do terrorismo e instabilidade política e Estados falidos.

   Ao chegar aqui, o refugiado pode procurar a Caritas ou a Polícia Federal e sua solicitação de abrigo é encaminhada a um comitê que julga as informações e motivos da fuga do estrangeiro para acolhê-lo ou não. Esse sistema é falho e não tem como avaliar corretamente cada depoimento, porque falta recurso e a comissão julgadora é pequena.

     A maioria dos que pedem abrigo foge das guerras civis no continente africano. O terrorismo não é a causa dessa instabilidade política, mas contribui para ela.

     Os territórios da Eritréia e da Somália têm grandes problemas com o terrorismo e vivem na iminência de uma guerra desde 2000. Já a Etiópia combate as frentes libertadoras (grupos terroristas) através da conquista militar.

     Os Estados falidos africanos são caracterizados pela crescente corrupção, elite predatória e falta de Estado de Direito. Depois da Segunda Guerra Mundial, os conflitos intraestatais aumetaram nos países mais vulneráveis, com risco de falência.

     Dizia-se que as agitações na África se davam pelo conflito bipolar da Guerra Fria, mas mesmo com o fim desta, os combates em território africano continuaram. As interferências estrangeiras e conseqüências da divisão do continente pelos europeus deixaram e ainda deixam suas marcas violentas entre o povo africano e em sua cultura.

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Djavan volta a São Paulo após três anos

Publicado por dmekari em 2/Novembro/2007

Por Danilo Mekari

     O cantor e compositor Djavan não dava shows na capital paulista desde 2004, ocasião em que lançou seu então novo disco “Vaidade”. Após mais de três anos — sendo que nos dois últimos não deu as caras em lugar algum —, Djavan retorna a cidade para uma mini-turnê que terá mais três apresentações (de 2 a 4 de novembro), além das quatro já realizadas.

     Segundo o próprio, a pausa ocorreu pelo fato de sua esposa ter enfrentado uma gravidez muito difícil para nascer Inácio, o caçula do casal, que tem apenas dez meses. Outros filhos do cantor, Max e João Viana integram a banda que o acompanha — tocam guitarra e bateria, respectivamente —, além de Sérgio Carvalho (baixo), Renato Fonseca (teclados), Marcelo Martins, François Lima e Walmir Gil (trio de metais).

     O trigésimo ano na carreira do alagoano de Maceió também marca o lançamento de seu décimo oitavo álbum, nomeado “Matizes”, e as novas apresentações fazem a propaganda das 12 novas músicas assinadas pelo cantor. A gravadora é a Luanda Records, selo criado por Djavan. É bom lembrar: o músico tem um estúdio profissional em casa.

     O show

     Sexta-feira, dia 26. Aos poucos, o trânsito na rua Jamaris melhora, à medida que a hora marcada para o show se aproxima. Poucos chegam atrasados, e cabe uma explicação: não há lugar marcado nas mesas. Restará a pior posição em relação ao palco para quem por último chegar. O lugar está abarrotado; todos os ingressos foram vendidos. Com início previsto para as 22h, as cortinas sobem exatamente 22h25. Os aplausos são muitos, e só sucumbem quando Djavan sopra as primeiras melodias de uma nova canção.

     A seqüência de músicas — o famoso “set list” — foi bem escolhida: após cada música nova (muitas vezes desconhecidas) vinha uma clássica, em que a platéia descobria o poder de sua voz. É uma boa estratégia para o público ‘não cansar de não cantar’ e até mesmo o oposto. A freqüência ‘desconhecida depois conhecida’ não agüentou até o final, que foi dominado pelos maiores clássicos de Djavan.

     “Faltando um pedaço” é aplaudida do início ao fim, assim como “Eu te devoro” e “Flor-de-lis”. Djavan fala sobre o Rio de Janeiro — onde cresceu artisticamente — antes de declarar-se à cidade na canção “Delírio dos mortais”, que tem um quê de bossa nova no melhor estilo da música carioca. Djavan também sabe surpreender: todos ficam boquiabertos quando toca “Sorri”, tradução que ele mesmo fez para a música de Charles Chaplin, “Smile”.

     Em “Oceano”, mal se ouve a voz — afinadíssima, sempre — do cantor. Já nas primeiras palavras, o canto da platéia supera o do músico. Nas músicas dançantes que marcaram tanto seu estilo, Djavan arrisca uns passos e as mulheres gritam adjetivos para ele. O trio de metais não pára de dançar um minuto sequer: quando o público percebe, começa a dançar junto com eles.     

     No fim da apresentação, ninguém mais está sentado. À frente do palco, mulheres e até marmanjos se apertam para chegar mais perto do ídolo. Djavan cumprimenta a maioria, enquanto embala seus maiores sucessos, “Azul” e “Sina”. Quando finge que acabou, a gritaria é ensurdecedora, aliada aos assovios no tom mais agudo. Djavan aceita voltar, e encerra o show com “Se” e “Lilás”. E todos aplaudem de pé.  A turnê ainda passará pela Europa, Japão e Estados Unidos. O público aprovou, e quem puder ir, vá. Vale a pena.

     Todos sentiram falta de clássicos como “Nem um dia”, “Fato consumado” e “Samurai”, mas  mesmo assim a seleção de músicas foi considerada ótima. Um dos destaques do show foi “Imposto”, canção que figura na última obra do cantor.

     Político

     Atualmente ele se considera apolítico, mas ainda é simpatizante do Partido dos Trabalhadores. Djavan defende ferrenhamente a reforma agrária e mostra preocupação com a saúde e educação. Como artista, Djavan faz o que pode para participar de campanhas sociais que apóia.

     “Imposto”, música inédita, está cheia de críticas a todos os governantes do país. “Integração Social aonde? Só se for no carnaval” e “Pra quem vai tanto dinheiro? Vai pro homem que recolhe o imposto / pois o homem que recolhe o imposto / é o impostor” são alguns dos versos. Quem será o impostor? 

     Ainda no fim da música, Djavan implantou frases do tipo “o voto no congresso tem que ser aberto / o povo tem que saber em quem você votou“, crítica direta ao escândalo Renan Calheiros.

Djavan. Citibank Hall, Av. dos Jamaris, 213, tel (11) 6846-6040. De 2 a 04/11. Sexta e sábado, às 22h, e domingo, às 21h. De R$ 80 a R$ 140. 
 

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Alunos de Letras ressaltam a importância do teatro para a formação crítica do indivíduo

Publicado por nathynhan em 1/Novembro/2007

por Nathália Nhan

     Sexta-feira, dia 26 de outubro, foi a vez dos alunos do curso de Letras demonstrarem seus projetos na Semana Acadêmica da PUC-SP. Este simpósio de número 52, intitulado “Projetos de linguagem e cultura-teatro”, incluía quatro apresentações e foi realizado na sala 06ca às 21:30, seguindo o mesmo tema que já havia sido exposto durante a manhã na sala 42ca, também na Comfil.

     O primeiro projeto, orientado pela Prof. Dra. Eliane Gonçalves, do Departamento de Lingüística, apresentou uma base teórica da utilização do teatro como meio para a construção do indivíduo, baseando-se em ideais de Nitzschie, Brecht e Spolin.

     Em seguida, o tema abordado pelo segundo grupo, com a orientação da Prof. Dra. Sandra Mraz do Departamento de Arte, foi a importância do teatro como meio de formação de uma consciência crítica e inclusão no exercício da cidadania. Inserido durante o ensino escolar, ele abordaria assuntos relacionados ao universo da criança, para que ela pudesse entender e se interessar pela questão proposta.

     Tendo como público alvo o Ensino Médio e guiado pela Prof. Dra. Flamínia Lodovici, também do Departamento de Lingüística, o terceiro grupo enunciou que, através do teatro, é possível ampliar a visão do aluno, não só através da interdisciplinaridade, mas também porque ele vai além da interpretação do ator, envolvendo figurino, montagem de cenários, direção; aprimora a sua leitura e sua interpretação e estimula a criatividade. O grupo também mencionou que para fazer o aluno se interessar, é preciso levá-lo ao teatro, não deixando de citar as regiões carentes que não têm acesso ao mesmo, para que dessa forma, possa conhecê-lo.

     Também coordenado pela Prof. Dra. Flamínia, o último grupo a se apresentar tratou da relevância do teatro na formação política durante a adolescência. Citando que a educação vai além da sala de aula e mencionando o teatro brechtiniano, destacaram que o teatro pode melhorar a relação dialética do indivíduo com os que fazem parte do seu meio. A formação política se dá porque preocupação do ator vai além da atuação. Ele passa uma mensagem ao público e é tido como um porta-voz de questões políticas. O grupo, ainda, fez questão de ressaltar que o jovem deve entender a sua realidade, pois é um espectador do mundo. Para elucidar essa questão, foi lido o poema “O Analfabeto Político” de Bertold Brecht:

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

     Basicamente, o público desse simpósio era formado pelos alunos de Letras que permaneciam na sala por estarem em horário normal de aula. Foi uma pena a falta de organização e a má divulgação dessas palestras, pois os temas eram muito interessantes e, se tivessem sido corretamente noticiados, certamente teria muito mais espectadores.

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