Alunos de Letras ressaltam a importância do teatro para a formação crítica do indivíduo
Publicado por nathynhan em 1/Novembro/2007
por Nathália Nhan
Sexta-feira, dia 26 de outubro, foi a vez dos alunos do curso de Letras demonstrarem seus projetos na Semana Acadêmica da PUC-SP. Este simpósio de número 52, intitulado “Projetos de linguagem e cultura-teatro”, incluía quatro apresentações e foi realizado na sala 06ca às 21:30, seguindo o mesmo tema que já havia sido exposto durante a manhã na sala 42ca, também na Comfil.
O primeiro projeto, orientado pela Prof. Dra. Eliane Gonçalves, do Departamento de Lingüística, apresentou uma base teórica da utilização do teatro como meio para a construção do indivíduo, baseando-se em ideais de Nitzschie, Brecht e Spolin.
Em seguida, o tema abordado pelo segundo grupo, com a orientação da Prof. Dra. Sandra Mraz do Departamento de Arte, foi a importância do teatro como meio de formação de uma consciência crítica e inclusão no exercício da cidadania. Inserido durante o ensino escolar, ele abordaria assuntos relacionados ao universo da criança, para que ela pudesse entender e se interessar pela questão proposta.
Tendo como público alvo o Ensino Médio e guiado pela Prof. Dra. Flamínia Lodovici, também do Departamento de Lingüística, o terceiro grupo enunciou que, através do teatro, é possível ampliar a visão do aluno, não só através da interdisciplinaridade, mas também porque ele vai além da interpretação do ator, envolvendo figurino, montagem de cenários, direção; aprimora a sua leitura e sua interpretação e estimula a criatividade. O grupo também mencionou que para fazer o aluno se interessar, é preciso levá-lo ao teatro, não deixando de citar as regiões carentes que não têm acesso ao mesmo, para que dessa forma, possa conhecê-lo.
Também coordenado pela Prof. Dra. Flamínia, o último grupo a se apresentar tratou da relevância do teatro na formação política durante a adolescência. Citando que a educação vai além da sala de aula e mencionando o teatro brechtiniano, destacaram que o teatro pode melhorar a relação dialética do indivíduo com os que fazem parte do seu meio. A formação política se dá porque preocupação do ator vai além da atuação. Ele passa uma mensagem ao público e é tido como um porta-voz de questões políticas. O grupo, ainda, fez questão de ressaltar que o jovem deve entender a sua realidade, pois é um espectador do mundo. Para elucidar essa questão, foi lido o poema “O Analfabeto Político” de Bertold Brecht:
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Basicamente, o público desse simpósio era formado pelos alunos de Letras que permaneciam na sala por estarem em horário normal de aula. Foi uma pena a falta de organização e a má divulgação dessas palestras, pois os temas eram muito interessantes e, se tivessem sido corretamente noticiados, certamente teria muito mais espectadores.