Djavan volta a São Paulo após três anos
Publicado por dmekari em 2/Novembro/2007
Por Danilo Mekari
O cantor e compositor Djavan não dava shows na capital paulista desde 2004, ocasião em que lançou seu então novo disco “Vaidade”. Após mais de três anos — sendo que nos dois últimos não deu as caras em lugar algum —, Djavan retorna a cidade para uma mini-turnê que terá mais três apresentações (de 2 a 4 de novembro), além das quatro já realizadas.
Segundo o próprio, a pausa ocorreu pelo fato de sua esposa ter enfrentado uma gravidez muito difícil para nascer Inácio, o caçula do casal, que tem apenas dez meses. Outros filhos do cantor, Max e João Viana integram a banda que o acompanha — tocam guitarra e bateria, respectivamente —, além de Sérgio Carvalho (baixo), Renato Fonseca (teclados), Marcelo Martins, François Lima e Walmir Gil (trio de metais).
O trigésimo ano na carreira do alagoano de Maceió também marca o lançamento de seu décimo oitavo álbum, nomeado “Matizes”, e as novas apresentações fazem a propaganda das 12 novas músicas assinadas pelo cantor. A gravadora é a Luanda Records, selo criado por Djavan. É bom lembrar: o músico tem um estúdio profissional em casa.
O show
Sexta-feira, dia 26. Aos poucos, o trânsito na rua Jamaris melhora, à medida que a hora marcada para o show se aproxima. Poucos chegam atrasados, e cabe uma explicação: não há lugar marcado nas mesas. Restará a pior posição em relação ao palco para quem por último chegar. O lugar está abarrotado; todos os ingressos foram vendidos. Com início previsto para as 22h, as cortinas sobem exatamente 22h25. Os aplausos são muitos, e só sucumbem quando Djavan sopra as primeiras melodias de uma nova canção.
A seqüência de músicas — o famoso “set list” — foi bem escolhida: após cada música nova (muitas vezes desconhecidas) vinha uma clássica, em que a platéia descobria o poder de sua voz. É uma boa estratégia para o público ‘não cansar de não cantar’ e até mesmo o oposto. A freqüência ‘desconhecida depois conhecida’ não agüentou até o final, que foi dominado pelos maiores clássicos de Djavan.
“Faltando um pedaço” é aplaudida do início ao fim, assim como “Eu te devoro” e “Flor-de-lis”. Djavan fala sobre o Rio de Janeiro — onde cresceu artisticamente — antes de declarar-se à cidade na canção “Delírio dos mortais”, que tem um quê de bossa nova no melhor estilo da música carioca. Djavan também sabe surpreender: todos ficam boquiabertos quando toca “Sorri”, tradução que ele mesmo fez para a música de Charles Chaplin, “Smile”.
Em “Oceano”, mal se ouve a voz — afinadíssima, sempre — do cantor. Já nas primeiras palavras, o canto da platéia supera o do músico. Nas músicas dançantes que marcaram tanto seu estilo, Djavan arrisca uns passos e as mulheres gritam adjetivos para ele. O trio de metais não pára de dançar um minuto sequer: quando o público percebe, começa a dançar junto com eles.
No fim da apresentação, ninguém mais está sentado. À frente do palco, mulheres e até marmanjos se apertam para chegar mais perto do ídolo. Djavan cumprimenta a maioria, enquanto embala seus maiores sucessos, “Azul” e “Sina”. Quando finge que acabou, a gritaria é ensurdecedora, aliada aos assovios no tom mais agudo. Djavan aceita voltar, e encerra o show com “Se” e “Lilás”. E todos aplaudem de pé. A turnê ainda passará pela Europa, Japão e Estados Unidos. O público aprovou, e quem puder ir, vá. Vale a pena.
Todos sentiram falta de clássicos como “Nem um dia”, “Fato consumado” e “Samurai”, mas mesmo assim a seleção de músicas foi considerada ótima. Um dos destaques do show foi “Imposto”, canção que figura na última obra do cantor.
Político
Atualmente ele se considera apolítico, mas ainda é simpatizante do Partido dos Trabalhadores. Djavan defende ferrenhamente a reforma agrária e mostra preocupação com a saúde e educação. Como artista, Djavan faz o que pode para participar de campanhas sociais que apóia.
“Imposto”, música inédita, está cheia de críticas a todos os governantes do país. “Integração Social aonde? Só se for no carnaval” e “Pra quem vai tanto dinheiro? Vai pro homem que recolhe o imposto / pois o homem que recolhe o imposto / é o impostor” são alguns dos versos. Quem será o impostor?
Ainda no fim da música, Djavan implantou frases do tipo “o voto no congresso tem que ser aberto / o povo tem que saber em quem você votou“, crítica direta ao escândalo Renan Calheiros.
Djavan. Citibank Hall, Av. dos Jamaris, 213, tel (11) 6846-6040. De 2 a 04/11. Sexta e sábado, às 22h, e domingo, às 21h. De R$ 80 a R$ 140.
nathynhan disse
Nossa! Adorei o texto!
Achei mto bem escrito mesmo. Me senti no show tb! Pena que eu não estava =/
rs