Retinas

Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Arquivo da categoria ‘Esportes’

GP do Brasil divide opinião dos moradores

Publicado por karllatatto em 22/Outubro/2007

Por Karlla Tatto

     Raikonnen campeão mundial, Felipe Massa não levou o primeiro lugar, Hamilton “amarelou” e Alonso parecia feliz pelo companheiro de equipe ter tropeçado, mesmo ficando com o terceiro lugar no campeonato. Isso tudo você já sabe. Dentro do autódromo tudo é documentado, filmado, registrado. Mas fora dele o movimento também é intenso.

     O Autódromo José Carlos Pace é sede do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 desde 1940. E desde então a vida da população de Interlagos e de seus arredores se transforma nos dias do grande evento. São cambistas, ficais de trânsito, caminhões, famosos, imprensa e milhares de curiosos que lotam a região.

     Para os moradores comuns, as mudanças não são tão positivas. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) desenvolve todos os anos um esquema especial de transporte. Um posto da empesa é montada todos os anos na praça Enzo Ferrari para cadastrar os moradores da região. Com a identidade, documento do carro e comprovante de residência é possível garantir o adesivo que dá acesso às áreas restritas. “É uma chateação. Você fica impedido de ir e vir a qualquer hora. É trânsito pra todo lado. Gente gritando. ‘Flanelinhas’ pra cima e pra baixo com carro em estacionamento. Um inferno!”, reclama Sandra Nogueira, que mora na região.

     O barulho também é motivo de queixa. “Na sexta feira, primeiro dia de treino, é impossível ter aula. Todos os anos cancelamos as aulas nesse dia porque seria inviável. É muita agitação, muito barulho, os alunos perdem o foco”, queixa-se Rosane Paranhos, coordenadora do colégio Exato.

    Para esse ano, era esperada uma diminuição do trânsito nos arredores de Interlagos devido à inauguração da estação Autódromo da linha azul da CPTM que fica a 600m do portão G. No entanto, houve trânsito lento na saída do evento. Foram registrado 70km de lentidão só nas Avenidas Interlagos e Robert Keneddy. Maria de Lourdes, 43, trabalha aos fins de semana e mora na região da Cidade Dutra: “Pra quem tá indo se divertir é uma beleza, agora pra gente que tem que ir trabalhar em pleno domingo essa bagunça toda só atrasa a vida”.

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Fachada da nova estação Autódromo: comodidade para os moradores e para os turistas

     Mas há aqueles que vibram com esses dias tumultuados. A Fórmula 1 movimenta cerca de 200 milhões de reais e são recebidos cerca de 40 mil turistas nos três dias de prova. O setor hoteleiro e as agências de viagem comemoram. A média de ocupação dos hotéis chega a 80%. A maior durante o ano.

Ingresso e camarote alternativos

     Os cambistas, figuras carimbadas em grandes eventos chegam a cobrar R$ 10.000,00 pelo ingresso no Paddock vendido por R$ 2.400,00 na bilheteria, e que é o mais prestigiado por dar acesso aos boxes. Outra artimanha utilizada por eles é “convocar” estudantes das escolas da região para comprarem ingressos de meia-entrada. Alunos dos Colégios Albert Einstein e Salgueiro, os mais próximos do estádio, são assediados na saída das aulas. “Eles dão R$ 20,00 e pagam um refrigerante pra gente ir lá na fila e comprar ingresso pra eles. Eu e meus amigos vamos todo ano. Não custa nada pra gente, pelo contrário, a gente sai ganhando”, conta André Ribeiro, 15. A diretoria do Colégio Albert Einstein tem ficado mais esperta e tenta inibir a ação dos cambistas nos arredores da escola. “Nossos seguranças rondam o quarteirão do colégio e não permitem que pessoas estranhas entrem em contato com os alunos. Mas não podemos segui-los até em casa. Procuramos orientá-los durante as aulas sobre esse tipo de comércio ilegal e tentamos conscientizá-los que esse tipo de ‘serviço’ prejudica o acesso das pessoas a esses eventos, inclusive o deles” explica a diretora do colégio, Andréa Beltrão.

     Os moradores do conjunto Cingapura localizado ao lado do autódromo não perdem a chance de garantir um dinheirinho extra com a corrida. Com vista privilegiada do autódromo os moradores negociam “ingressos” para os “camarotes” informais que às vezes valem mais a pena do que os ingressos oficiais. “Daqui de cima dá pra ver a pista inteira e eu cobro R$ 100,00 no dia da prova. São R$ 50,00 nos dias de treino. No setor G, o mais barato, o cara não compra um ingresso por menos de R$ 300,00 e só fica com a visão de uma parte da pista. É muito mais negócio ver daqui” diz Álvaro, proprietário de um apartamento no 10° do bloco D e que recebeu nove pessoas em sua sacada no último domingo.

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Até o telhado vira arquibancada no Cingapura

      Esse tipo de negócio é um dos mais comuns nessa época. Gilmar possui um sobrado comercial na Avenida Interlagos que possui uma visão privilegiada das curvas do José Carlos Pace que recebeu 67 pessoas no dia prova, cada um pagou R$ 70,00. Chamado de camarote, ele afirma que possui clientela fixa e todos os anos vende os “lugares” meses antes da corrida. “O pessoal tem meu telefone e assim que saem as datas do próximo ano já me ligam pra acertar”. O sobrado é alugado durante o ano todo por comerciantes. “Aqui já foi academia, pizzaria, escola de artes marciais, bar. Tudo! Mas nada vinga. O que dá lucro mesmo são esses dias de corrida”. E o “Camarote do Gilmar” dá todo o conforto pros seus clientes. Espetinho de churrasco, refrigerante, cerveja, transmissão pela TV e até binóculos que podem ser alugados a R$ 2,00.

     Outros que adoram o clima de corrida é a garotada que disputam cada pedacinho de muro ao redor do autódromo para dar uma espiadinha.

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Meninos sobem nas bicicletas para espiar a corrida

     Vale escalar muro, subir na bicicleta, fazer “pézinho” pro amigo e procurar o maior buraquinho possível nos muros pra dar uma olhadinha nos carros passando a toda velocidade. André, 12, reclama das reformas feitas nos últimos dias: “Antes os muros eram cheios de buracos. Tinha uns que tinham quase o tamanho da minha mão. Dava pra ver toda a reta, até o “S” do Senna. Agora taparam tudo, não dá pra ver mais direito. Mas eles não tem como tapar o som. Só essa barulheira já tá valendo”.

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Os últimos clássicos paulistas do ano

Publicado por dmekari em 5/Outubro/2007

Por Danilo Mekari

     Clássico é clássico. Os torcedores contam os dias, os jornalistas preparam os textos, os fotógrafos até se alongam para suportar a pressão de tirar fotos de um jogo como este. Os gandulas somem, as lesões surgem, a torcida grita, é gol. Dentre os times paulistas, faltam apenas dois clássicos para encerrar um ano que insiste em não acabar para alguns, enquanto para outros passa muito rápido.

 No Morumbi

    Em busca do título quase confirmado (as chances são de 98%), o São Paulo joga com o seu rival favorito dos últimos anos.

    Em busca da reabilitação (e ela teima em não vir), o Corinthians encara um time semi-campeão, de quem não consegue uma vitória a um bom – digamos, ótimo – tempo.

    Neste domingo, o estádio do Morumbi recebe a última chance de redenção corintiana num ano recheado de confusões e desesperos.

     Do outro lado, o time mais sólido do Brasil. Com a melhor defesa da história do Brasileirão – são apenas dez gols sofridos em 29 jogos, média de 0,34 por jogo –, o São Paulo finalmente entrosou seu ataque, que torna-o uma equipe praticamente imbatível.

    Para o Corinthians é uma das nove chances que ainda lhe restam de conquistar os três pontos e espantar o fantasma do rebaixamento, além de ser (mais) uma possibilidade de encerrar um jejum contra o rival que já dura quase cinco anos.

     Para o São Paulo o jeito é ganhar e dar mais um show à frente de sua torcida. O semi-título é merecido porque a equipe paulistana apresenta regularidade acima da média nacional. Uma média pífia, por sinal.

     O Morumbi estará recheado de torcedores, disso não há dúvidas. Os corintianos ajudarão o time a escapar da Série B, os são-paulinos querem ver mais uma vitória do campeão. Mas, clássico é clássico, e vice-versa…

Na Vila Belmiro

     Dia 13 de outubro, pleno sábado. Na baixada, encerram-se os clássicos paulistas do ano. Santos e Palmeiras brigam diretamente por uma vaga na Copa Libertadores. Quando um entra no G4 (apelido dado ao grupo que se classifica à copa intercontinental), o outro sai, e assim está faz algumas rodadas.

    O Palmeiras peca por sua tremenda irregularidade. Mesmo depois de vencer seu arqui-rival, não conseguiu fazer gols no time que é considerado o pior da história da Série A do Brasileirão.

    O Santos também é irregular, mas não tanto quanto os palestrinos. Provavelmente sem Kléber, destaque do time – que deve ser convocado para o jogo da Seleção dia 14, pelas Eliminatórias da Copa –, o time santista terá de se ajeitar mais se quiser entrar no campo como favorito.

    Mas Vanderlei Luxemburgo sabe que nem sempre é bom jogar um clássico como favorito: no jogo contra o Corinthians, o Santos jogou com um time infinitamente superior, mas perdeu de 2 a 0.

    Agora, não se pode dizer que o público estará presente na Vila. A torcida praiana decepciona até os não-santistas. O jogo tem tudo para ser espetacular. Afinal, é um clássico.

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Timão fecha com Nelsinho Batista

Publicado por mauricio moraes em 26/Setembro/2007

Por Maurício Moraes 

     Após a derrota para o arqui-rival Palmeiras neste domingo por 1 a 0, o técnico interino José Augusto deixou o cargo. Segundo a diretoria do Corinthans, Zé não deixará o clube, provavelmente voltará a comandar as equipes de base do clube paulista, ou será auxiliar da equipe principal.

     Para o lugar de Zé Augusto foi fechado contrato com Nelsinho Batista, ex-treinador da Ponte Preta, demitido neste final de semana após empate com o Ituano. Figurinha conhecida da torcida alvinegra, Batista teve três passagens pelo clube a mais marcante em 1990, quando foi campeão brasileiro. A mais recente em 1997 quando foi campeão paulista.

     A diretoria do clube do Parque São Jorge, só anunciou a contratação do técnico na madrugada desta terça-feira. Segundo o clube, o único impasse que existia era em relação ao contrato, Batista queria assinar até o final de dezembro de 2008, mas a diretoria em situação delicada sem saber quem será o próximo presidente, após a renuncia de Dualib, achou mais seguro fechar o acordo até o final de 2007, com possibilidade de prorrogação de contrato.

     Após 10 anos desde a última passagem pelo clube, Nelsinho Batista tem agora que evitar o rebaixamento da equipe paulista: com apenas 33 pontos o Corinthans é o 17° colocado. Segundo nota divulgada no globoesporte.com, Nelsinho vê a situação como desafio: “Você trabalha em uma grande empresa e não vai querer sair para uma menor. Isso também ocorre no futebol. O Corinthians é um grande clube, independentemente da situação que está no Brasileiro. É um desafio, e gosto de desafios”. O técnico será apresentado oficialmente nesta terça, 25, às 14h.

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O irmão que não conhecemos

Publicado por karllatatto em 1/Setembro/2007

Por Karlla Tatto

            Os jogadores entram no gramado vestindo chuteira, meião, calção e camisa. As arquibancadas com capacidade para 18.000 torcedores estão parcialmente ocupadas. O juiz sorteia a posse da bola entre os capitães das equipes e o jogo está pronto para começar. O palco não é o Palestra Itália, o Morumbi ou o Pacaembu. É o estádio Martins Pereira localizado no São Paulo Athletic Club (Spac) e que foi sede da rodada de abertura do 41º Campeonato Brasileiro de Rugby 2007 no dia 11 de Agosto.

            Fundando em 13 de maio de 1888 no bairro da Consolação por um grupo de engenheiros e comerciários descendentes de ingleses, o Spac é considerado o clube mais antigo da cidade de São Paulo. Hoje a sede campestre e esportiva fica situada às margens da Represa do Guarapiranga na zona sul de São Paulo. A história do rugby brasileiro se confunde com a história do clube. Charles Miller, conhecido por ter introduzido o futebol no Brasil, era sócio do Spac e também foi o precursor do rugby por essas terras. Seu filho mais querido, o futebol, parece ter caído mais no gosto tupiniquim, mas há quem prefira o patinho feio da família.

            Em 1925, no Campo dos Ingleses (antiga sede do clube em Pirituba), o esporte passou a ser jogado regularmente. Vinte e oito anos mais tarde (1963) foi fundada a União de Rugby do Brasil, a primeira entidade destinada a organizar e gerir o esporte no país, mas que teve vida curta sendo substituída pela Associação Brasileira Rugby devidamente reconhecida pelo Conselho Nacional de Desportos.

            Em 40 edições do Campeonato Brasileiro de Rugby o Spac é o grande vencedor com 13 títulos (o último conquistado em 1999). A grande tradição do clube não foi suficiente para mantê-lo entre a elite no século XXI. Neste milênio os clubes que mais levantaram troféus foram o Rio Branco Rugby Club, o Bandeirantes Rugby Club e o São José Rugby Club.

            O Rugby não chega a ser popular em nossa terra apesar de ser praticado em 13 estados. Grande parte dos apreciadores do esporte está em agremiações estudantis. Mackenzie, Faap, USP, PUC, Uni Sant’anna e Unip dentre as universidades paulistas possuem times que estão cadastrados na Associação Brasileira de Rugby. A falta de verba e patrocínio impede a profissionalização e o crescimento dessa modalidade.

            O esporte nasceu na Inglaterra em meados de 1823, mas só foi reconhecido pela associação de futebol do país em 1843. Migrou primeiramente para as colônias britânicas e graças aos ingleses ficou conhecido no mundo todo.

            Um erro bastante comum é pensar que o rugby é filho do futebol americano. Este surgiu nos Estados Unidos com o propósito comercial. Até 1995 o rugby era considerado amador e, portanto os jogadores não poderiam receber para praticá-lo. Para transpor esse obstáculo foi criado um novo esporte com regras diferentes e que foi profissionalizado.

            O jogo - A modalidade mais popular do rugby é o chamado Rugby Union. Duas equipes, formadas por 15 jogadores cada uma, disputam uma bola oval (semelhante à do futebol americano, porém maior, mais pesada e sem costura) num campo de no máximo 100m de comprimento e 70m de largura em dois tempos de 40 minutos com 10 minutos de intervalo. Não há goleiro. As traves e o travessão dos gols formam um “H” e ficam sobre as linhas de metas de cada lado. Atrás das linhas de meta está a área In Goal. O rugby é jogado com os pés e com as mãos. No entanto, os passes manuais só podem ser efetuados para um jogador atrás ou na mesma direção da linha da bola.

            O objetivo é marcar mais pontos que o adversário. Isso pode ser feito de três formas. O Try vale cinco pontos e ocorre quando um time consegue levar a bola até a In Goal e colocá-la em contato com o chão, é a maior pontuação do jogo. Quando isso acontece o time que marcou o ponto tem direito a uma Conversão que é um chute direto ao gol feito em qualquer ponto da reta ortogonal do local de contato do Try. Se a bola passar entre as traves a equipe garante mais dois pontos. O goal kick ou drop kick dá três pontos à equipe se uma bola chutada passar entre as traves durante o decorrer do jogo.

            Apesar de ser considerado um esporte violento, o rugby não é um jogo de vale tudo. É permitido derrubar um jogador (o chamado tackle) somente se ele estiver com a bola. Mesmo assim existem ressalvas: usar as pernas para derrubar o jogador é considerado infração gravíssima bem como chutá-lo, pisoteá-lo e agredi-lo. As paralisações no rugby só ocorrem quando a bola sai pela linha lateral, mediante uma infração ou quando é marcado ponto. Boa parte da fama de esporte violento advém dessa regra, mesmo que um jogador que esteja com a bola for ao chão o jogo prossegue normalmente. O ombro a ombro é permitido. As outras infrações graves são basicamente segurar a bola quando caído no chão, um jogador segurar o outro enquanto estiverem no chão e derrubar um jogador que não tenha a posse da bola. Quando uma falta grave é cometida a equipe prejudicada tem direito a um penalty que deve ser cobrado no local da falta e chutado em direção ao gol e que vale três pontos caso seja convertido.

            Campeonato Mundial - O I Campeonato Mundial de Rugby foi realizado em 1987 e reuniu 16 países. De 06 de setembro a 30 de outubro de 2007 será realizada na França a 6ª edição do Campeonato que contará com 20 times (somente a Argentina representa a América Latina). Rouget Maia foi escalado pela equipe da ESPN Brasil para fazer a cobertura do campeonato. Jogou rugby por mais de 15 anos, foi Campeão Brasileiro e Paulista, disputou três Sul Americanos pela nossa seleção e jogou as Eliminatórias para o Campeonato Mundial em 2003. Atualmente morando em Paris, Rouget nos concedeu uma entrevista via e-mail e diz que os franceses estão vivendo em clima de festa para a abertura do Mundial. “O objetivo de ter 85% dos ingressos vendidos deve ser alcançado facilmente”.

            Rouget nos conta que a principal característica do rugby é o espírito coletivo. “Um velho ditado rola pelo nosso mundo: ‘O rugby é praticado por um grupo de trinta pessoas que só no momento do jogo se separam em dois times de quinze’. Fora de campo não ocorre rivalidade entre as equipes e o clima na vila onde ficam hospedadas as seleções é de total harmonia.”

            Hoje o rugby é o segundo esporte coletivo mais popular no mundo todo. África do Sul (apontada como favorita no Mundial), Nova Zelândia, Austrália e Reino Unido são as grandes potências seguidas por Argentina, França e Itália. 

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O Corinthians que ninguém vê

Publicado por Marcelo Martino em 28/Agosto/2007

     por Marcelo Martino

    

     Com todos os olhares da imprensa voltados ao futebol profissional, outras áreas menos comerciais do Corinthians acabam passando despercebidas. Aquilo que movimenta, tanto o mercado quanto a mídia, sempre foram os profissionais, e estando estes em péssima fase, é comum e mais fácil generalizar para uma crise no futebol corintiano.

 

     De fato a atual situação política e financeira que o clube atravessa é de deixar qualquer corintiano envergonhado, mas também é preciso ressaltar que apesar das divergências em relação à parte administrativa da entidade, o futebol de base continua seguindo hegemônico como a maior força do futebol paulista, e uma das maiores do Brasil. Isso faz com que o Corinthians seja constantemente convidado para disputar torneios no exterior.

 

     Os números alcançados pelas categorias sub-20, sub-17 e sub-15, nos atuais campeonatos paulista são incontestáveis. Duas delas (sub-17 e sub-15) lideram seus respectivos grupos e estão classificados para a segunda fase da competição. O caso mais impressionante, porém, é o da equipe dos menores de 17 anos, que em 14 jogos disputados pela primeira fase obteve 14 vitórias.

 

     Esses expressivos resultados não são à toa, longe da mídia, os jogadores encontram um ambiente muito mais tranqüilo para trabalhar, sem contar a estrutura do CT de Itaquera, toda ela colocada a disposição dos futuros craques. O centro de treinamento localizado na zona leste de São Paulo contém alojamentos, salão de jogos,  três campos, piscina aquecida, sala de musculação, sala de fisioterapia, refeitório, e outros departamentos que favorecem a formação do atleta. Além do Parque Ecológico, que também é utilizado em treinamentos. Isso tudo proporciona um treinamento intensivo das três principais áreas (técnica, tática e física), porém com maior ênfase na parte técnica dos atletas.

 

     A pressão de jogar em um clube como o Timão é muito grande, por isso que dizem que quem joga no Corinthians joga em qualquer time do mundo.  A cobrança por títulos é constante nas categorias de base, isso torna fundamental a presença do auxílio de uma psicóloga que sempre se reuni com os jovens, normalmente antes da partida. Outro fator que colabora para uma boa formação psicológica dos atletas é o incentivo que o clube dá aos estudos, a partir de um acordo firmado com o colégio João XXIII, aquele que não tirar boas notas e faltar às aulas é impedido de jogar.

 

      Esse intenso convívio diário entre os jogadores faz com que eles formem entre eles um ambiente familiar, se consideram “irmãos” um dos outros. A união dos atletas sem dúvidas favorece um bom desempenho dentro de campo e faz com que mesmo nas derrotas a equipe consiga manter o foco e não se deixar abater.

 

    Porém nem tudo é um mar de rosas, existem dois pontos negativos a se destacar: um é a pouca presença do público aos jogos dos garotos, principalmente quando não ocorrem na capital paulista, com isso a maioria dos espectadores acaba sendo formada por familiares dos jogadores. O outro é o total descaso da comissão técnica do time profissional que não comparece aos jogos para buscar novos valores, normalmente quando alguém da categoria de base recebe uma chance no time de cima e por mera indicação.

 

     A categoria de base é um orgulho dentro do Corinthians, e sempre obtém ótimos resultados, colocando o nome do clube em lugar de respeito. É comum ver no profissional jogadores formados na base, e que por isso recebem especial carinho da fiel torcida, e se tiverem talento se tornam ídolos corintianos.

 

Saiba mais:

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