Retinas

Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

Arquivo da categoria ‘Internacional’

Como atuam os correspondentes de guerra

Publicado por Luana Lila em 21/Outubro/2007

Por Luana Lila

     Em meio às bombas e à pressão ideológica gerada pelos governos envolvidos, os jornalistas devem se desdobrar para apreender a realidade de modo imparcial.

     O jornalista português Carlos Fino ficou mundialmente conhecido por ter sido o primeiro a transmitir, em tempo real, o início da guerra do Iraque, em 2003. Na época era enviado especial a Bagdá pela emissora RTP (Rádio e Televisão Portuguesa).

     Com uma vasta experiência na cobertura de conflitos, Fino, que registrou suas atividades no livro A Guerra ao Vivo, concedeu, no dia 13 de outubro de 2007, uma entrevista coletiva aos estudantes do curso Jornalismo em Situação de Conflito Armado, módulo do projeto Repórter do Futuro, promovido pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

     Fino nasceu no final da década de 40, em Lisboa. Durante o regime ditatorial Salazarista em Portugal exilou-se em Moscou. Mais tarde, em 1976, começou sua carreira jornalística no país que lhe servira de abrigo, local onde acompanhou os conflitos provocados pelo fim do regime soviético. Foi também correspondente em Bruxelas e Washington e, posteriormente, cobriu as desavenças no Oriente Médio, as guerras do Golfo, do Afeganistão e do Iraque. Em 2004 deixou a RTP, emissora para qual trabalhou mais de 20 anos, para assumir o cargo de conselheiro de imprensa da Embaixada de Portugal em Brasília.

     Além de relatar momentos difíceis de sua vida de repórter, principalmente no Iraque, fez uma importante reflexão sobre o papel e a influência do jornalismo nas guerras.

     Fino afirma que o jornalismo é uma profissão de fronteira entre a propaganda e a informação. Essa linha tênue que separa o informe imparcial do manipulado pode ser observado no âmbito de atuação dos jornalistas que estiveram ou estão na Guerra do Iraque.

     Para atuar no país os correspondentes deveriam obter permissão de uma das partes em conflito. Fino estava credenciado pelo regime de Saddam Hussein, portanto sabia que seu motorista e tradutor eram informantes do governo. Além disso, o Ministério de Comunicação do Iraque era quem estabelecia os locais a serem visitados, sempre lugares onde havia ocorrido bombardeios.

     Sendo assim, o repórter deveria se mobilizar para obter informações de outras fontes, ao mesmo tempo em que sofria restrições por estar tutelado pelo regime ditatorial iraquiano. Um outro modo de assegurar a permanência no país era por meio do acompanhamento das tropas norte-americanas, o que também implica em restrições e limites.

     Por isso, Fino acredita ser ideal o implemento de um estatuto para a imprensa em situações de conflito armado, de forma a garantir proteção e imunidade e permitir que o jornalista atue de forma autônoma.

     Porém isso seria quase impossível, pois a informação se tornou parte da guerra, influenciando seu curso na medida em que pode ser manipulada e omitida. Além disso, Fino sabe que o jornalista não é neutro, é portador dos valores consensuais de uma época, relata um fato de acordo com seus conceitos agregados.

     Mesmo que não seja verdadeiramente neutro, ou esteja embutido em um dos lados, faz parte da ética jornalística não se deixar manipular, ouvir vítimas e agressores, contextualizar as ações, manter-se eqüidistante. Porém, estando em contato mais intenso com uma das partes, um jornalista pode, eventualmente, favorecê-la. Isso gera um empecilho quanto ao implemento de um estatuto de imunidade, afinal, um jornalista que toma partido acaba agindo a favor de um dos lados.

     Uma outra forma que Fino aponta para garantir a ideal imunidade poderia ser o uso de coletes à prova de balas, com o distintivo da imprensa. Mas também é verdade que muitas vezes os jornalistas são alvos.

     Durante a Guerra do Iraque, por exemplo, um tanque norte-americano atirou contra o hotel onde estavam hospedados os correspondentes internacionais, provavelmente como forma de intimidação, matando dois jornalistas. Nesse dia, Fino teve que esperar quatro longos minutos, enquanto a emissora RTP transmitia comerciais, para denunciar o que estava ocorrendo.

     Ocorre que jornalistas sofrem restrições por estarem embutidos em uma das partes, mas esse é o preço que devem pagar para conseguir ter acesso à informação. Mesmo assim, é possível que os próprios meios de comunicação sejam capazes de ampliar a sua cobertura.

     Segundo Fino, a emissora RTP oferecia vários ângulos de visão durante a Guerra do Iraque. Havia diferentes equipes na fronteira do Iraque com a Turquia e com a Jordânia, acompanhando as tropas norte-americanas e na capital Bagdá. Claro que nem todos os meios de comunicação têm esse cuidado, muitas emissoras norte-americanas faziam propaganda de apoio à guerra, muitas vezes omitindo fatos inconvenientes para eles.

     Quanto a sua experiência pessoal, afirma que quando foi reportar um conflito pela primeira vez era jovem e completamente despreparado. Acha ideal que um jornalista que cubra uma guerra tenha noções de primeiros socorros e conheça os Direitos Humanitários. Explica que o meio de comunicação oferece a oportunidade, paga as despesas, mas os riscos são por conta do jornalista, que, inclusive, não ganha mais por ser correspondente em um conflito.

     Perguntado sobre como lida com o medo explica que, por ser mais velho, está mais preparado para enfrentar a morte. Mesmo que o medo sempre o tenha acompanhado, à medida que participa dos conflitos ganha cada vez mais coragem. Mas procura também não se familiarizar demais com a violência que presencia para não correr o risco de se tornar desumano.

     Sobre como é sua relação com os colegas diz que, entre os jornalistas, as afinidades geram aproximações. Por exemplo, é comum que norte-americanos se aproximem mais dos ingleses e latinos aproximem-se entre si. Reconhece que há troca de informação entre eles, mas nunca se revela tudo. Para Fino, a maneira mais inteligente de ser egoísta é ser solidário, afinal os ventos sempre podem mudar, quem oferece ajuda pode precisar dela mais tarde.

     Quanto ao furo que deu na Guerra do Iraque afirma que, hoje em dia, a tecnologia é capaz de superar a potência dos meios de comunicação. Através do videofone, Fino foi capaz de reportar o início da guerra antes mesmo de grandes emissoras, como a CNN. Conta que isso ocorreu por estar em busca de informações até aquele momento e não ter dormido naquela noite. O que ouviu na época de seus superiores foi: como está acontecendo se a CNN não transmitiu ainda?

     Em contato com o Brasil há cerca de três anos, o repórter pôde fazer um rápido balanço da cobertura da imprensa brasileira sobre a violência que ocorre no país. Acusa não ver uma abordagem sistemática do problema, é como se a solução coubesse apenas à polícia. Os conflitos são sempre retratados a partir do ponto de vista das autoridades. Quanto às notícias internacionais afirma que, com a globalização, os meios de comunicação tendem a divulgar informação padronizada, mas é importante que cada país cultive o seu ponto de vista.

     As reflexões de Fino sobre a atuação do jornalista, os perigos aos quais está sujeito e as limitações às quais pode se submeter, têm importância relevante para o conhecimento das condições de seu trabalho, podendo afetar na cobertura, bem como na informação que chega ao público.

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“Hasta la vitória, siempre”*

Publicado por Marcelo Martino em 10/Outubro/2007

Por Marcelo Martino

     Foi celebrada no último dia oito na Bolívia uma homenagem ao 40º aniversário da morte do guerrilheiro argentino Ernesto Guevara Lynch de la Serna, ou simplesmente Che. O evento contou com ilustres presenças, como o presidente boliviano Evo Morales, Raúl Castro, a viúva do gerrilheiro, Aleida March, e os filhos do casal, além de militantes e turistas. A grande ausência no ato foi do comandante de Cuba, Fidel Castro, que não pode comparecer ao evento.

     Natural da cidade de Rosário e formado em medicina. Guevara obteve seu maior êxito como militante na revolução cubana, onde com a ajuda de Fidel, conseguiram derrubar a ditadura de Fulgêncio Batista, em 1959, implantando o socialismo na ilha.

La poderosa

     Quando ainda estudava medicina, Che se juntou a seu companheiro Alberto Granado e montados em uma motocicleta partiram da Argentina para uma viagem pela América Latina. Através do contato com a parcela mais pobre da população, Guevara percebeu a triste realidade que assombrava seu continente. Esse foi um passo decisivo para que ele resolvesse se engajar em causas políticas e sociais, como fica muito bem relatado no filme “Diários de Motocicleta”, do diretor brasileiro Walter Salles, e que conta com Gael Garcia Bernal no papel do famoso guerrilheiro.

     Che foi capturado no dia oito de outubro de 1967 e morto no dia seguinte pelo exército boliviano, na aldeia de La Higuera. A ajuda da CIA foi de fundamental importância para o homicídio do guerrilheiro. Seus restos mortais só foram encontrados 30 anos depois e enterrado com honras de Estado em Cuba.

Brasil

     Fisicamente Che só esteve presente em solo verde e amarelo em 1961, quando recebeu a Ordem do Cruzeiro do Sul, do então presidente Jânio Quadros. Porém sua luta e alma continuam fixadas em cada movimento social brasileiro e em todo jovem que queira lutar por um mundo melhor, com menos injustiça.  

     Apesar de ter morrido há 40 anos, Guevara continua mais vivo do que nunca e representante daqueles que sonham com a liberdade plena.

     “É preciso endurecer, mas sem perder a ternura, jamais”.
     (Che Guevara)

     * Até a vitória, sempre

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Procura-se tradutor

Publicado por dmekari em 30/Setembro/2007

Por Danilo Mekari

     Durou pouco mais de uma hora a reunião entre o ministro da Justiça Tarso Genro com Philippe Narmino, diretor dos Serviços Judiciários de Mônaco, e nela foi anunciada que a decisão sobre o pedido de extradição do banqueiro Salvatore Cacciola — preso em Mônaco no último dia 15 — provavelmente sairá na segunda metade de novembro. Também estava presente na reunião a Procuradora Geral de Mônaco, Annie Brunet-Fuster, e Genro entregou para a dupla um resumo do processo contra Cacciola.

     Outros documentos, porém, não puderam ser oficialmente entregues, pois não estão traduzidos. É o caso de dois mandatos de prisão do ex-banqueiro e principalmente sua sentença de condenação, que tem 552 páginas — em português.

     Além deste — de fato importantíssimo —, o governo brasileiro ainda tem de entregar um documento que comprove a manutenção do mandato de prisão de Cacciola, emitido em 2000.

     Segundo Narmino, “isso ocorreu há sete anos e preciso constatar se a avaliação desse juiz continua a mesma”.

     O ministro brasileiro voltará a Mônaco para entregar todos os documentos prontos no dia 3 de outubro. Até lá certamente os tradutores já terão feito seu trabalho.

     A legislação monegasca é curiosamente diferente. Após a entrega oficial dos documentos, se reunirá no dia 20 de outubro a Corte de Apelações de Mônaco para iniciar a análise do processo. A decisão deve sair no fim do mesmo mês e será entregue ao príncipe Albert 2º, que dará o veredicto do caso de extradição. Apenas na metade final de novembro.

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Palestra na PUC trata dos Movimentos Populares na Argentina

Publicado por gabrielamoncau em 24/Setembro/2007

Por Gabriela L Moncau

     Na quinta-feira, dia 20 de setembro, ocorreu a primeira palestra do ciclo da América Latina, no auditório da Associação dos Professores da PUC-SP, localizado na rua Bartira. O palestrante foi o argentino Néstor Kohan, abordando o tema “A resistência e os desafios dos Movimentos Populares na Argentina”. Néstor é pesquisador da Universidade de Buenos Aires e tem contribuído para a articulação dos movimentos sociais na América Latina. Alguns de seus livros: Marx en su (Tercer) Mundo; El Capital: historia y método; Introducción al pensamiento marxista; Ideario Socialista; DeIngenieros al Che: ensayos sobre el marxismo argentino y latinoamericano, entre outros.

     Às 19:30, no pequeno auditório da Apropuc, a palestra já havia começado há alguns minutos. As cadeiras vermelhas foram logo todas ocupadas, e apesar do calor daquela noite, a sala foi se enchendo e houve pontos do debate em que pessoas estavam sentadas no chão ou em pé na porta e no corredor.

Neoliberalismo reina na América Latina

     Kohan começou seu discurso falando sobre a forte hegemonia do neoliberalismo na América Latina. Citou uma rebelião popular contra o presidente e a forma de se fazer política na Argentina que ocorreu em dezembro de 2001. No mesmo dia o governo argentino assassinou mais de 30 pessoas. Segundo ele, o presidente Néstor Carlos Kirchner sempre pertenceu a partido burguês clássico. Propagandas a seu favor são muito eficazes, ele utiliza o discurso progressista. Critica o neoliberalismo como estratégia de marketing.

     Iniciou o seu mandato com um discurso de crítica ao neoliberalismo do governo anterior (Eduardo Alberto Duhalde), porém, manteve a forma tradicional de fazer política na Argentina. As palavras “direitos humanos” passaram a ser fundamentais na retórica de Kirchner e para o papel progressista que incorporou enquanto beneficia a direita e traz a modernização do sistema neoliberal.

     A Argentina tem dependência econômica e de mercado com a Inglaterra e os EUA; sua base de exportação era carne e leite. Os principais cultivos sempre estiveram nas mãos de grandes corporações. Houve, então, um grande desenvolvimento na exportação da soja transgênica, destruindo o campo e trazendo muitos efeitos negativos, como qualquer monocultura transgênica. Transformou-se em uma das maiores fontes de capital.

Os meios de comunicação

     Uma outra idéia que o palestrante defendeu, é a de que os meios de comunicação de toda a América Latina foram tomados pelo capitalismo. Explicitou alguns exemplos para comprovar sua tese. Na província de Santa Cruz houve uma manifestação de professores e professoras na qual um funcionário de Kirchner atropelou 17 professoras. Não saiu nada na televisão. Falou também sobre um jornal periódico da Argentina, o Página 12. Foi fundado por uma organização guevarista em 1987 (não se sabe da onde vinha o dinheiro, alguns dizem que era roubado de grandes bancos inclusive como protesto contra a concentração de renda). O jornal era de extrema esquerda, denunciando o poder. Depois da década de 90 foi se transformando, e ao ser comprado por Clarín, manteve um discurso progressista, porém perdeu o caráter esquerdista. Foram cooptados os direitos humanos, os movimentos populares e nesse caso, um meio de comunicação independente (mesmo sendo pequeno). “Assim como o subcomandante Marcos ganhou muito consenso político a favor dos zapatistas através dos meios de comunicação, Kirchner conseguiu consenso a favor do capitalismo por meio dos veículos midiáticos” falou Kohan. O professor da Pontifícia Universidade Católica de São Pauo (PUC-SP), José Arbex Jr., chegou a fazer uma piada nesse momento, perguntando se o subcomandante Marcos e o presidente da Argentina queriam as mesmas coisas.

     Kohan deixou claro o quanto está complicado protestar na Argentina. Para a realização de qualquer manifestação é necessário pedir antecipadamente autorização à polícia. Além disso, existem presos políticos no país. Relatou uma história que durante um ato, um policial jogou uma bomba de gás na nuca de um manifestante e o matou. O policial não está preso. Quem está preso são dois amigos do homem assassinado (conhecidos de Néstor) que repudiaram o assassinato do companheiro.

     Somando-se à questão da repressão policial e do governo, é necessário perceber que a esquerda está muito fragmentada. Não se sente representada e aposta em outro tipo de política, uma corrente que não participa das eleições, infinitamente pequena. As atuações do Movimento Estudantil argentino são raras. Há três correntes: uma maoísta e duas trotskystas, porém, nenhuma delas possui poder para grandes manifestações de massa, até mesmo porque a maioria dos estudantes não é politizada. Os movimentos populares se desintegraram bastante com a subida de Kirchner no governo. Esse, por exemplo, nomeou os principais líderes de movimentos de massa como funcionários públicos, no ministério.

     Cristina Kirchner (a provável futura presidente) promulgou recentemente a “lei antiterrorismo”, freiando os movimentos estudantis e sindicais. Na Argentina, para essa próxima eleição as opções de candidatos são ou a direita mais clássica, disposta a atropelar com um tanque os movimentos populares ou o governo Kirchner (de Cristina), disposto a fazer o mesmo, mas disfarçado de medidas democráticas.

     No governo Kirchner o desemprego chegou a 20% da população econômica ativa. Os salários estão congelados e os preços estão subindo, inclusive produtos básicos (carne, leite, pão). Se é considerado um governo progressista, por que favoreceu tanto o capitalismo?

     Indignado com a diferença entre o que o governo se propõe a ser e o que ele realmente faz, Kohan relatou um caso ocorrido com um dirigente argentino muito popular na década de 90, Carlos “el pero” Santichán. Suas filhas de 9 e 11 anos foram sequestradas e largadas em meio aos antigos campos de concentração da época da ditadura (1966 – 73). Onde estão os direitos humanos, tão utilizados no discurso do governo? E a democracia?

A articulação dos países latino-americanos

     Assim que a palestra foi aberta para as perguntas, foi levantada a questão de Hugo Chávez ter comprado as dívidas argentinas e ter ajudado a salvar a economia do país. Segundo o palestrante, os países da América Latina não estão passando pelos mesmos processos. Cuba está tentando, aos tropeços, sustentar um país não capitalista. Hugo Chávez na Venezuela inicia um processo supostamente bolivariano (inspirado no líder revolucionário “libertador da América” Simón Bolívar, responsável pela independência de vários territórios da América Espanhola). Evo Morales na Bolívia, apesar de não falar em socialismo, sustenta um movimento indígena/campesino muito importante. Esses países têm a pretensão de se unirem para enfrentar a maior potência do planeta, o imperialismo americano. Desse modo, precisam buscar relações com o resto da América latina, provavelmente foi com a intenção de romper laços dos EUA e estabelecer uma espécie de aliança por necessidade diplomática que Chávez ajudou a Argentina.

     O presidente Lula foi pouco discutido durante a palestra, mas foi considerado que talvez seja pior que Kirchner, por ser associado a um caráter traidor; formou-se a partir dos movimentos sociais, era sindicalista, lutou contra a ditadura, mantinha um discurso esquerdista e acabou por manter um governo de caráter neoliberal.

     Perguntaram também sobre o Álcool Etanol, mas foi logo explicado que essa questão não repercurtiu na Argentina tanto quanto no Brasil. Pequenos grupos campesinos discutem a questão do álcool e das energias renováveis, porém, não há grande consciência popular.

     Quais as alternativas de fortalecimento da esquerda na América Latina? Essa pergunta também não tardou a aparecer, quase que como uma esperança de que tivesse uma simples fórmula para que isso acontecesse. Há muitas estratégias. Uma delas é unir distintas correntes latino-americanas (MST, correntes sindicais, estudantis etc), algo com perspectiva de revolta popular. Néstor citou o Encontro Cone Sul como uma alternativa. Trata-se de um encontro de diversas organizações sociais para trabalhar o diálogo e a união na América Latina, surgiu em 1980 com Manuel Rodrigues e permaneceu na ilegalidade por muito tempo.

     A palestra chegou ao fim, o convidado foi bastante aplaudido. Na pequena sala, todos levantaram e se dirigiram para a saída, provavelmente com os pensamentos na articulação da América Latina e esperançosamente, com idéias de grandes transformações.

Saiba mais:

Cone Sul

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Terremoto de grande intensidade era inesperado

Publicado por lemendes em 21/Agosto/2007

por Letícia Mendes

     Viagem de férias em período letivo. Programei uma semana no Peru, do dia 12 a 19 de agosto, a fim de conhecer os principais pontos turísticos, como Cusco, Nazca e uma das sete maravilhas do mundo: Machu Picchu, e relatar para o Retinas a cultura do país. Após uma viagem tranqüila, cheguei à capital Lima, mais conhecida como o lugar onde as pessoas não sabem o que é um guarda-chuva, pelo fato de não chover. Nas ruas, a ordem é a da buzina. Como não há sinalização no trânsito, o direito de passagem é de quem buzinar primeiro. Também não há taxímetros, o preço da viagem depende se você é um bom pechinchador.

      Na quarta-feira, dia 15, às 18h41 (20h41 no horário de Brasília), eu estava em Águas Calientes, prestes a conhecer as Fontes Termais, quando aconteceu. A notícia de que um sismo de grande intensidade tinha ”sacudido” o país e que isso não era visto há 38 anos, espalhou-se facilmente. Após algumas horas, o presidente do Peru, Alan Garcia, fez uma declaração em rede nacional, anunciando a verba que iria ser distribuída para os afetados e pedindo para que a solidariedade fosse despertada pelo povo peruano.

      Voltei a Lima, e o panorama do desastre não tinha comparação ao de Pisco e Chincha, as cidades mais castigadas pela catástrofe. Imagens na televisão peruana mostravam escombros, famílias lamentando a perda de tudo e cadáveres, que permaneciam horas jogados nas Plazas de Armas. Mais de 500 mortos e 2000 feridos.

cadáveres permaneceram horas nas praças das cidades

     Angústia por falta de informação dos familiares

      Sem linha telefônica pelo país todo, só consegui comunicar-me com o Brasil no dia seguinte. A televisão e os impressos noticiavam alerta de tsunami. O desespero começou a aumentar, principalmente quando comecei a sentir as réplicas, que são os tremores de terra em menor tempo e intensidade. Os sismógrafos registraram mais de 370, porém, não são todas as pessoas que sentem todas as réplicas. No meu caso, senti três vezes. Inclusive, na última delas eu estava no aeroporto de Lima prestes a embarcar para o Brasil.

     Diversas peças arqueológicas sofreram danos irreparáveis

     Parte das formações rochosas conhecidas como “La Catedral y El Fraile” (A Catedral e o Frade) da Reserva Nacional de Paracas em Pisco (Ica), foi derrubada devido ao forte sismo. Eram parte da Bahia de Paracas, declarada Reserva Nacional em 1975. Infelizmente, não pude conhecê-las pois a estrada Panamericana Sur também foi destruída.

ponto turótico destruäo pelo terremoto.    

     Vários países, entre eles, o Brasil, enviaram doações para o Peru. O povo afetado pelo desastre natural precisa de água, alimentos e roupas, porém, a má distribuição dos donativos deixa os peruanos desesperados, brigando entre si nas ruas e fazendo com que o espírito de solidariedade e a calmaria sumam estremecidos mais do que o terremoto da quarta-feira.

Saiba como fazer doações às vítimas do terremoto no Peru

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