Retinas

Laboratório de mídia online da PUC-SP – Alunos do 1º ano – Turma MC – 2007

A 4° Semana Acadêmica: Repercussões.

Publicado por Bruna Campos em 26/Outubro/2007

Por Bruna Campos   

     A semana acadêmica acontece na PUC desde o ano de 2004, mas neste ano ela traz uma novidade. Centralizada na pesquisa discente, a semana conta com o 1° Congresso de Pesquisa Discente, que pressupõe a participação de diferentes modalidades de pesquisa: TCC, Mestrado, Doutorado e iniciação científica.

    São 147 simpósios acontecendo nos campos de Sorocaba, Barueri, Marquês de Paranaguá, Monte Alegre e Santana. Os temas abordam as áreas de tecnologia, humanidades e ciências médicas. O objetivo desses simpósios é divulgar os trabalhos de pesquisa, estimular o diálogo entre aluno e pesquisador e favorecer a troca de experiências teóricas.

    Essa é a proposta da PUC para a semana do dia 22 ao 27 de outubro. No entanto participando do evento percebemos um abismo entre proposição e aplicação. Pude acompanhar dois simpósios e em ambos tive a mesma impressão: a semana não foi incorporada pelos membros universidade e seu fomento é deficitário.

    No dia 23 me dirigi a sala T45, não para assistir um simpósio, mas sim para ter uma aula regular: História e Arte. No entanto, depois de me acomodar, percebi que o professor da matéria, Antonio Rago Filho, faria nesse horário o debate sobre “Formas da dominação autocrático-burguesa no Brasil e na América Latina na segunda metade do século XX: ditaduras militares, luta de classes, representações ideológicas e projetos nacionais”.

    Tanto os alunos quanto o professor estavam supresos, pois tal simpósio estava marcado para as 19h30min do dia seguinte. Perdemos mais uma aula, já que na semana anterior a universidade estava de recesso e o curso de História, especificamente, tivera a sua semana.

     Os alunos do 2° ano ficaram ligeiramente revoltados, por dois motivos: não foram informados sobre o cancelamento de sua aula, nem da existência de uma semana acadêmica. Enquanto os alunos saiam da sala, o professor dava início às apresentações, estavam presentes alunos de iniciação científica e mestrado e nenhum deles abordou temas tocantes à matéria do semestre, no caso, Arte.

     Alguns dias depois, dia 25, acompanhei um simpósio; mas dessa vez como estudante de jornalismo. O tema era “Terrorismo contemporâneo e a Nova Ordem Mundial”, estavam presentes o professor Reginaldo Mattar Nasser e os alunos-pesquisadores: David Magalhães, Roberto Simão, Thiago Zati, Gustavo Cília, Mariana Vianna e Paula Giassi. Todos envolvidos com o curso de Relações Internacionais, exceto Mariana Vianna que cursa Direito.

     No início, 14h20min, a sala P75 do prédio velho estava lotada, mas com o passar do tempo o público diminuía; no fim da apresentação eram apenas oito ouvintes. O tema era bastante interessante e sobre ele foram feitos diversos recortes, mas esses eram voltados para um segmento muito específico; o academicismo da conversa não permitia um grande envolvimento.

    Muitos teóricos e teorias eram citados, mas poucos, além dos pesquisadores e professor, tinham intimidade com eles. O primeiro recorte fazia referência à Invasão do Iraque e dava ênfase a formação conturbada dessa nação. A questão do Curdistão, território ocupado pelos curdos, (maior etnia sem Estado do mundo) foi levantada como um dos problemas para afirmação de um Estado Iraquiano forte. O mestrando David Magalhães frisou a todo instante o problema de formar uma Nação sem levar em conta suas diferenças tribais.

    Cada pesquisador tinha quinze minutos para expor o seu projeto, mas como acontece normalmente, esse tempo era ultrapassado. Outras abordagens do tema foram sobre “A percepção francesa dos EUA no momento da 2° invasão do Iraque”, “O terrorismo e a guerra justa”, “O discurso terrorista”, “Os aspectos penais do Terrorismo” e por fim “ Grupos de promoção da paz no Mundo”.   

     O público teve espaço para fazer perguntas nos dois simpósios, no entanto poucos as fizeram, pois o conhecimento sobre os assuntos era muito recente e superficial.

     A semana acadêmica é em si um bom projeto, mas o modo como está sendo realizada não me parece o mais adequado; ou amplia-se o evento para toda universidade (reformulando os horários, a linguagem e o método de apresentação) ou se restringe o debate aos pesquisadores.                                      

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Professor cubano dá palestra na PUC sobre o marxismo

Publicado por gabrielamoncau em 25/Outubro/2007

Por Gabriela L Moncau

     A segunda palestra do Ciclo da América Latina coordenada pelo professor José Arbex Jr (Núcleo de Estudos de Jornalismo Perseu Abramo) e Maria de Sousa (Escola Nacional Florestan Fernandes) ocorreu dia 9 de outubro, numa terça-feira. Seu início não foi muito diferente do primeiro encontro, realizado dia 20 de setembro, deu-se ás 19:30, na Apropuc.

     O palestrante dessa vez era o cubano Fernando Martinez. É professor doutor em direito pela Universidade de Havana e pesquisador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Cultura Cubana Juan Marinello. Foi pesquisador e coordenador de áreas no Centro de Estudos sobre Europa Ocidental (1976-1979) e no Centro de Estudos sobre América (1984-1996), em Havana. Hoje em dia é, também, membro da União de Escritores e Artistas de Cuba e da União Nacional de Historiadores.Bem humorado, usando uma camisa listrada, riu ao se atrapalhar em ajustar a cadeira e o microfone. O professor Arbex, sabendo que não tenho facilidade com o espanhol, pediu para que o convidado discursasse devagar, “Abla mui dispassio”, apontando para mim (já bem vermelha), explicando minha precária compreensão. Martinez sorriu e disse que se esforçaria, “para mim isso não é nenhuma tortura”.

     As câmeras finalmente ficaram prontas e a palestra começou. O tema foi o Marxismo atualmente na América Latina. Fernando Martinez explicou que a oposição ao capitalismo foi se quebrando e que hoje a integração latino-americana se dá de modo diferente, pois o capitalismo desgastou sua ideologia de progresso e democracia, atualmente não admite um plano para o futuro. Segundo ele, a hegemonia burguesa está bastante desnacionalizada e os movimentos populares reivindicativos são a esperança.

     Com uma feição um pouco mais séria e bastante gesticulação, colocou que Cuba, Venezuela e Bolívia são as principais marcas de solidariedade com os injustiçados e representam atualmente a resistência na América Latina. Para ele, o marxismo, que sofreu muito abandono por causa da repressão e do conservadorismo neoliberal, é o melhor instrumento para se pensar em socialismo. Depois do fim do chamado socialismo real, o marxismo tornou-se a principal fonte para voltar a pensar em uma elaboração de um sistema de esquerda. Além disso, considera o marxismo atual necessário para a conscientização das sociedades, independente do sistema.

     Difícil, porém, interpretar e definir o marxismo do século XXl, existem muitas posturas diante das teorias. Martinez, angustiado, disse que em Cuba o conhecimento é muito restrito. De tempos para cá o entendimento das teorias marxistas vem empobrecendo e as discussões são raras, algo extremamente preocupante para uma nação que se diz anticapitalista.

     “Hoje o processo de hegemonia cultural imperialista é mais perigoso que uma hegemonia militar” provocou o palestrante. Explicou essa frase argumentando que o totalitarismo sobre a informação pública implica em várias coisas, entre elas, o parasitismo capitalista. Hoje em dia ainda se fala da morte da princesa Diana e enquanto isso, em Moçambique, por exemplo, milhares de pessoas morrem de fome. Como pod um país ser um importante exportador de alimentos e ter metade de sua população desnutrida? O problema é que com exceção de Cuba, por mais que se lute contra o sistema, na vida cotidiana só se pode viver como o capitalismo manda. Será possível alcançar a democracia?

     Foi pedido que Fernando fizesse uma avaliação de Fidel Castro. Colocou-se, então, que o presidente cubano saiu do cargo por enfermidade e lugar para manter a situação. Chega a ser uma situação interessante, todos vão ao trabalho, músicos continuam tocando música, pintores continuam pintando, como se não houvesse uma ausência no governo, pois o líder da revolução está vivo mas já praticamente não tem condições de exercer suas funções. A ditadura já tem meio século, e apesar de Raul Castro estar se prepararando para assumir o cargo do irmão com a intenção de manter a mesma estrutura, os dois são diferentes e uma variação na política é inteligente. Citou uma fala de Raul Castro: “Fidel falava por horas porque tinha muito a dizer. Eu não tenho muito, por isso falou pouco”. Há, assim, do ponto de vista político uma curiosa continuidade e descontinuidade, não são a mesma pessoa. Como será a transição?

     Há grande dificuldade entre a sociedade cubana e o socialismo implantado. Muitos marxistas dizem que a idéia de nação é capitalista e o marxismo de nada serve para a América Latina, a situação não está fácil. Realmente idéias nacionais são direcionadas pela burguesia. “Eu sou marxista e socialista mas tenho que ter duas almas pois sou também (contradiotoriamente) nacionalista e patriota para impulsionar o desenvolvimento da minha nação, que representa uma soberania nacional batendo de frente com um poder tão grande como os EUA” disse Martinez.

     Nesse momento o microfone caiu duas vezes do apoio. O convidado passou a segurar o microfone com a mão. Um braço levantou-se no ar, trazendo uma pergunta sobre o cultivo do pensamento de Che em Cuba. Fernando Martinez continuou sua fala, dizendo que além de argentino, Che Guevara foi cubano também. Há um sentimento de elo nacional com Che, ele acaba por representar uma força moral, econômica e política. Crianças na escola falam antes de entrar na classe: “Defenderemos o comunismo. Seremos como Che”. É necessário consolidar a idéia do comunismo e do socialismo. Tem que se conseguir produzir revoluções culturais progressivas. Che Guevara tornou-se um elemento cultural, intelectual e teórico, não é visto apenas como um revolucionário de ação. Na cultura do capitalismo, as coisas são eliminadas ou engolidas, Che torn-se um exemplo de resistência e grande força. Os cubanos possuem conhecimento profundo sobr Che.

     Quando o assunto Brasil e Lula foi levantado, ele logo respondeu “Não sou diplomático, mas não gosto de falar sobre o próprio país que estou visitando, pois todos vocês devem saber muito mais do que eu. Sou ignorante em relação ao Lula. Porém, como marxista, acredito na centralidade de líder para a luta de classes”.

     Perguntaram, então, sobre a forte ascenção dos movimentos populares de forte base indígena e campesina. Martinez explicou que esses movimentos, que ganham força principalmente na Bolívia com Evo Morales, são importantíssimos diante do capitalismo atual e considera interessantes os aspectos democráticos dos movimentos indígenas. Apontou, porém, que os movimentos de classe operária vem se enfraquecendo e que discussões e articulações de movimentos distintos são imprescindíveis.

     A última questão que foi levantada foi a antiga relação Cuba – União Soviética. Iniciou sua fala explicitando a enorme importância da URSS como símbolo de insatisfação com o capitalismo e luta de esquerda, apesar de seu fracasso. Deixou claro que a troca que ocorria de petróleo por açúcar e armamentos não estruturava nenhum tipo de relação imperialista, mas sim de sobrevivência e estratégia. Eram aliados, porém sempre houve muito embargo. Durante 30 anos, por exemplo, a URSS se negou a vender uma siderúrgica à Cuba. Há pouquíssimo conhecimento sobre Cuba, algo lastimável, pois a história política e econômica de um país que se liberou do neoliberalismo deveria ser motivo de forte estudo. Sobre a economia cubana, está e tem estado há muito tempo em crise completa, já apelou à muitas medidas. Atualmente, o turismo tem sido a maior fonte de entrada de capital. A imersão estrangeira na economia do país não é muito forte pois em Cuba não se encontra nada para seduzir a forte ganância capitalista.

     Finalizando a palestra, Fernando Martinez retomou o assunto do marxismo e socialismo do século XXl. “O que me encanta no socialismo do século XXl é que não se define-o, mas de qualquer modo me preparo para ele.”

     A próxima palestra do ciclo ocorrerá numa quarta-feira, dia 31 de outubro, no terceiro andar do prédio novo da PUC, auditório 333. O belga François Houtart falará sobre o imperialismo hoje e a resistência dos movimentos sociais.

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A difícil compreensão do Universo

Publicado por dmekari em 24/Outubro/2007

Por Danilo Mekari 

     Não é a toa que cada pequena descoberta sobre o universo onde vivemos gera grandes repercussões. Não há nada mais intrigante para nós do que o brilho da estrela, o gigantismo da galáxia, o inexplicável buraco negro. Afinal, são poucas as perguntas que o homem — tecnologicamente mais avançado do que nunca — não sabe responder. Nestas questões, o tema principal não está entre nós, e sim muito longe, na imensa escuridão universal.

     Para tentar esclarecer algumas dúvidas — ou aumentá-las, como ocorreu —, fui ao Planetário Aristóteles Orsini, localizado no Parque do Ibirapuera, na zona sul paulistana. Era sábado à noite, e a última sessão começaria dali a 10 minutos, marcada para as sete horas em ponto.

     O clima no parque, normalmente movimentado, era solitário, e os ambulantes que vendiam salgados e doces se preparavam para voltar ao lar. Alguns corriam e outros pedalavam ao som de grasnidos dos patos à beira do lago. A noite já dominava o céu. “Olha a pipoca quentinha, saindo agora”. O pipoqueiro parou o carrinho em cima da Rosa dos Ventos no chão, bem na frente do planetário.

     Depois de sete anos fechado para reformas, no dia 22 de setembro último completou-se um ano de sua reabertura. E, segundo uma das vendedoras na bilheteria afirmou, a reforma foi um sucesso: “É preciso entender que o planetário em 1999 era considerado uma obra antiga, impopular e quase não atraia mais o público. Hoje, é difícil sobrar cadeiras livres aqui”. Ainda fora, seis jovens dividiam três telescópios para tentar observar melhor algum astro. Havia em torno de dez pessoas na fila para comprar ingresso para a sessão, e dois seguranças conferiam-nos na hora da entrada.

     Em sete anos, o planetário se modernizou e está impecável. Um elevador panorâmico — que sobe apenas um andar — chamou a atenção de todas as crianças, enquanto adultos admiravam a pequena bancada que expunha meteoritos de variados tamanhos. Ao entrar na sala, todos os olhos se dirigiam ao enorme equipamento de projeção localizado no centro da sala. Totalmente negro, o projetor em forma de globo é o personagem principal da atração. Os assentos — incrivelmente reclináveis — estavam tomados, e a tranqüilidade externa se opunha à bagunça interna, com risadas infantis e casais que trocavam beijos e confissões. A música de fundo parecia ter sido copiada daqueles filmes sobre o espaço sideral. As crianças já não agüentavam mais esperar, queriam logo ver as estrelas naquilo que parecia uma imensa parede branca de formato oval. Em seguida, o narrador chamado André agradeceu a presença de todos e explicou que, em caso de saída durante a sessão, não seria permitido voltar, pois segundo ele “o olho humano demora para se adaptar ao escuro, e qualquer entrada de luz externa vai atrapalhar”. E o aviso logo surtiu efeito: a mãe de uma criança que começara a chorar se retirou do local para não mais voltar. “Desejo uma boa sessão a todos vocês”, finalizou André.

     Quando as primeiras estrelas começaram a piscar, o público não esperava que aqueles astros — eram milhares — faziam parte do céu daquela noite em São Paulo, imperceptíveis por causa de nuvens e poluição. Foram contadas histórias da mitologia grega sobre os símbolos que as estrelas formam no céu, e questões como “de onde vem a luz? Por que de noite o céu é escuro? Há vida em outros lugares?” tomaram a maioria das explicações.

     A sessão — nomeada “O Lado Escuro do Universo” — usou nomes como Galileu Galilei, Isaac Newton e Albert Einsten para tentar explicar de maneira clara o mistérioso além-Terra. Não conseguiu, porém, transformar essa complexa discussão em algo simples. Passados os primeiros 20 minutos, as crianças aparentavam desgosto e já conversavam entre si. Até mesmo adultos não conseguiram acompanhar o ritmo intenso do que foi explicado. Indubitavelmente, explicar o universo em que vivemos de uma maneira simplista é uma tarefa árdua. Na saída, uma mulher falava no celular e reclamou: “São muitas informações sobre o universo em apenas uma hora. Tenho que vir de novo”.

     O parque, quase deserto, era iluminado pelos postes de luz, enquanto a fonte fazia seu show com luzes coloridas e música clássica para os transeuntes da avenida. No céu, não havia sequer uma estrela, bem diferente do que mostrou o planetário Aristóteles Orsini.

Planetário Aristóteles Orsini Local: Parque do Ibirapuera – SP
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Portão 10 (entrada pedestres) ou portão 3 (entrada para estacionamento)
Valor único do ingresso: R$ 5,00
Sessões regulares (Sábados e domingos):
15h – “O lado escuro do universo”
17h – “Olhar o céu de São Paulo outra vez”
19h – “O lado escuro do universo”

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Beatles embala filme sobre anos 60

Publicado por Marcelo Martino em 23/Outubro/2007

Por Marcelo Martino   

      No próximo dia 27 os beatlemaníacos receberão um presente na 31ª mostra internacional de cinema, que está ocorrendo na cidade de São Paulo e tem seu término previsto para 1° de novembro. Será exibido no IG cine, localizado no bairro de Pinheiros, o filme “Across de Universe” (música dos Beatles lançada no álbum “Let it Be” de 1970), que como trilha sonora de sua trama conta somente com canções do revolucionário grupo inglês.
    
     O longa, dirigido por Julie Taymor (de “Frida”), conta a história do jovem Jude (Jim Sturgess), que deixa a cidade portuária de Liverpool (qualquer semelhança não é mera coincidência). O garoto parte para os EUA  a fim de encontrar o pai, porém, lá se encontra com um estudante e se apaixona por sua irmã, Lucy (mais uma relação com o “Fab four”),  interpretada pela atriz Evan Rachel Wood. A relação do casal é enfeitada pela série de mudanças comportamentais que ocorreram nos intensos anos 60.
 
     Entre as músicas do quarteto de Liverpool podem ser encontradas, durante a passagem do filme, clássicos como “Let it Be”, “If I Fell”, “Dear Prudence”, “Strawberry Fields Forever” e “Revolution”.
 
     O filme ainda conta com as participações pra lá de especial da atriz Salma Hayek e dos músicos Joe Cocker e Bono, que ajudam a dar um toque especial na trama.
 
     Além da exibição do próximo dia 27, os fãs de cinema e de Beatles poderão conferir o longa nos dia 28 e 29, no Cinesesc e Cine Bombril, respectivamente.

Ingressos
27 e 28/10: R$ 16,00
29/10: R$13,00

IG Cine:
R. Fradique Coutinho, 361
Tel. 5096-0585

Cinesesc:
R. Augusta, 2075
Tel. 3082-0213

Cine Bombril:
Av. Paulista, 2073
Tel. 3285-3696

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GP do Brasil divide opinião dos moradores

Publicado por karllatatto em 22/Outubro/2007

Por Karlla Tatto

     Raikonnen campeão mundial, Felipe Massa não levou o primeiro lugar, Hamilton “amarelou” e Alonso parecia feliz pelo companheiro de equipe ter tropeçado, mesmo ficando com o terceiro lugar no campeonato. Isso tudo você já sabe. Dentro do autódromo tudo é documentado, filmado, registrado. Mas fora dele o movimento também é intenso.

     O Autódromo José Carlos Pace é sede do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 desde 1940. E desde então a vida da população de Interlagos e de seus arredores se transforma nos dias do grande evento. São cambistas, ficais de trânsito, caminhões, famosos, imprensa e milhares de curiosos que lotam a região.

     Para os moradores comuns, as mudanças não são tão positivas. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) desenvolve todos os anos um esquema especial de transporte. Um posto da empesa é montada todos os anos na praça Enzo Ferrari para cadastrar os moradores da região. Com a identidade, documento do carro e comprovante de residência é possível garantir o adesivo que dá acesso às áreas restritas. “É uma chateação. Você fica impedido de ir e vir a qualquer hora. É trânsito pra todo lado. Gente gritando. ‘Flanelinhas’ pra cima e pra baixo com carro em estacionamento. Um inferno!”, reclama Sandra Nogueira, que mora na região.

     O barulho também é motivo de queixa. “Na sexta feira, primeiro dia de treino, é impossível ter aula. Todos os anos cancelamos as aulas nesse dia porque seria inviável. É muita agitação, muito barulho, os alunos perdem o foco”, queixa-se Rosane Paranhos, coordenadora do colégio Exato.

    Para esse ano, era esperada uma diminuição do trânsito nos arredores de Interlagos devido à inauguração da estação Autódromo da linha azul da CPTM que fica a 600m do portão G. No entanto, houve trânsito lento na saída do evento. Foram registrado 70km de lentidão só nas Avenidas Interlagos e Robert Keneddy. Maria de Lourdes, 43, trabalha aos fins de semana e mora na região da Cidade Dutra: “Pra quem tá indo se divertir é uma beleza, agora pra gente que tem que ir trabalhar em pleno domingo essa bagunça toda só atrasa a vida”.

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Fachada da nova estação Autódromo: comodidade para os moradores e para os turistas

     Mas há aqueles que vibram com esses dias tumultuados. A Fórmula 1 movimenta cerca de 200 milhões de reais e são recebidos cerca de 40 mil turistas nos três dias de prova. O setor hoteleiro e as agências de viagem comemoram. A média de ocupação dos hotéis chega a 80%. A maior durante o ano.

Ingresso e camarote alternativos

     Os cambistas, figuras carimbadas em grandes eventos chegam a cobrar R$ 10.000,00 pelo ingresso no Paddock vendido por R$ 2.400,00 na bilheteria, e que é o mais prestigiado por dar acesso aos boxes. Outra artimanha utilizada por eles é “convocar” estudantes das escolas da região para comprarem ingressos de meia-entrada. Alunos dos Colégios Albert Einstein e Salgueiro, os mais próximos do estádio, são assediados na saída das aulas. “Eles dão R$ 20,00 e pagam um refrigerante pra gente ir lá na fila e comprar ingresso pra eles. Eu e meus amigos vamos todo ano. Não custa nada pra gente, pelo contrário, a gente sai ganhando”, conta André Ribeiro, 15. A diretoria do Colégio Albert Einstein tem ficado mais esperta e tenta inibir a ação dos cambistas nos arredores da escola. “Nossos seguranças rondam o quarteirão do colégio e não permitem que pessoas estranhas entrem em contato com os alunos. Mas não podemos segui-los até em casa. Procuramos orientá-los durante as aulas sobre esse tipo de comércio ilegal e tentamos conscientizá-los que esse tipo de ‘serviço’ prejudica o acesso das pessoas a esses eventos, inclusive o deles” explica a diretora do colégio, Andréa Beltrão.

     Os moradores do conjunto Cingapura localizado ao lado do autódromo não perdem a chance de garantir um dinheirinho extra com a corrida. Com vista privilegiada do autódromo os moradores negociam “ingressos” para os “camarotes” informais que às vezes valem mais a pena do que os ingressos oficiais. “Daqui de cima dá pra ver a pista inteira e eu cobro R$ 100,00 no dia da prova. São R$ 50,00 nos dias de treino. No setor G, o mais barato, o cara não compra um ingresso por menos de R$ 300,00 e só fica com a visão de uma parte da pista. É muito mais negócio ver daqui” diz Álvaro, proprietário de um apartamento no 10° do bloco D e que recebeu nove pessoas em sua sacada no último domingo.

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Até o telhado vira arquibancada no Cingapura

      Esse tipo de negócio é um dos mais comuns nessa época. Gilmar possui um sobrado comercial na Avenida Interlagos que possui uma visão privilegiada das curvas do José Carlos Pace que recebeu 67 pessoas no dia prova, cada um pagou R$ 70,00. Chamado de camarote, ele afirma que possui clientela fixa e todos os anos vende os “lugares” meses antes da corrida. “O pessoal tem meu telefone e assim que saem as datas do próximo ano já me ligam pra acertar”. O sobrado é alugado durante o ano todo por comerciantes. “Aqui já foi academia, pizzaria, escola de artes marciais, bar. Tudo! Mas nada vinga. O que dá lucro mesmo são esses dias de corrida”. E o “Camarote do Gilmar” dá todo o conforto pros seus clientes. Espetinho de churrasco, refrigerante, cerveja, transmissão pela TV e até binóculos que podem ser alugados a R$ 2,00.

     Outros que adoram o clima de corrida é a garotada que disputam cada pedacinho de muro ao redor do autódromo para dar uma espiadinha.

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Meninos sobem nas bicicletas para espiar a corrida

     Vale escalar muro, subir na bicicleta, fazer “pézinho” pro amigo e procurar o maior buraquinho possível nos muros pra dar uma olhadinha nos carros passando a toda velocidade. André, 12, reclama das reformas feitas nos últimos dias: “Antes os muros eram cheios de buracos. Tinha uns que tinham quase o tamanho da minha mão. Dava pra ver toda a reta, até o “S” do Senna. Agora taparam tudo, não dá pra ver mais direito. Mas eles não tem como tapar o som. Só essa barulheira já tá valendo”.

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Como atuam os correspondentes de guerra

Publicado por Luana Lila em 21/Outubro/2007

Por Luana Lila

     Em meio às bombas e à pressão ideológica gerada pelos governos envolvidos, os jornalistas devem se desdobrar para apreender a realidade de modo imparcial.

     O jornalista português Carlos Fino ficou mundialmente conhecido por ter sido o primeiro a transmitir, em tempo real, o início da guerra do Iraque, em 2003. Na época era enviado especial a Bagdá pela emissora RTP (Rádio e Televisão Portuguesa).

     Com uma vasta experiência na cobertura de conflitos, Fino, que registrou suas atividades no livro A Guerra ao Vivo, concedeu, no dia 13 de outubro de 2007, uma entrevista coletiva aos estudantes do curso Jornalismo em Situação de Conflito Armado, módulo do projeto Repórter do Futuro, promovido pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

     Fino nasceu no final da década de 40, em Lisboa. Durante o regime ditatorial Salazarista em Portugal exilou-se em Moscou. Mais tarde, em 1976, começou sua carreira jornalística no país que lhe servira de abrigo, local onde acompanhou os conflitos provocados pelo fim do regime soviético. Foi também correspondente em Bruxelas e Washington e, posteriormente, cobriu as desavenças no Oriente Médio, as guerras do Golfo, do Afeganistão e do Iraque. Em 2004 deixou a RTP, emissora para qual trabalhou mais de 20 anos, para assumir o cargo de conselheiro de imprensa da Embaixada de Portugal em Brasília.

     Além de relatar momentos difíceis de sua vida de repórter, principalmente no Iraque, fez uma importante reflexão sobre o papel e a influência do jornalismo nas guerras.

     Fino afirma que o jornalismo é uma profissão de fronteira entre a propaganda e a informação. Essa linha tênue que separa o informe imparcial do manipulado pode ser observado no âmbito de atuação dos jornalistas que estiveram ou estão na Guerra do Iraque.

     Para atuar no país os correspondentes deveriam obter permissão de uma das partes em conflito. Fino estava credenciado pelo regime de Saddam Hussein, portanto sabia que seu motorista e tradutor eram informantes do governo. Além disso, o Ministério de Comunicação do Iraque era quem estabelecia os locais a serem visitados, sempre lugares onde havia ocorrido bombardeios.

     Sendo assim, o repórter deveria se mobilizar para obter informações de outras fontes, ao mesmo tempo em que sofria restrições por estar tutelado pelo regime ditatorial iraquiano. Um outro modo de assegurar a permanência no país era por meio do acompanhamento das tropas norte-americanas, o que também implica em restrições e limites.

     Por isso, Fino acredita ser ideal o implemento de um estatuto para a imprensa em situações de conflito armado, de forma a garantir proteção e imunidade e permitir que o jornalista atue de forma autônoma.

     Porém isso seria quase impossível, pois a informação se tornou parte da guerra, influenciando seu curso na medida em que pode ser manipulada e omitida. Além disso, Fino sabe que o jornalista não é neutro, é portador dos valores consensuais de uma época, relata um fato de acordo com seus conceitos agregados.

     Mesmo que não seja verdadeiramente neutro, ou esteja embutido em um dos lados, faz parte da ética jornalística não se deixar manipular, ouvir vítimas e agressores, contextualizar as ações, manter-se eqüidistante. Porém, estando em contato mais intenso com uma das partes, um jornalista pode, eventualmente, favorecê-la. Isso gera um empecilho quanto ao implemento de um estatuto de imunidade, afinal, um jornalista que toma partido acaba agindo a favor de um dos lados.

     Uma outra forma que Fino aponta para garantir a ideal imunidade poderia ser o uso de coletes à prova de balas, com o distintivo da imprensa. Mas também é verdade que muitas vezes os jornalistas são alvos.

     Durante a Guerra do Iraque, por exemplo, um tanque norte-americano atirou contra o hotel onde estavam hospedados os correspondentes internacionais, provavelmente como forma de intimidação, matando dois jornalistas. Nesse dia, Fino teve que esperar quatro longos minutos, enquanto a emissora RTP transmitia comerciais, para denunciar o que estava ocorrendo.

     Ocorre que jornalistas sofrem restrições por estarem embutidos em uma das partes, mas esse é o preço que devem pagar para conseguir ter acesso à informação. Mesmo assim, é possível que os próprios meios de comunicação sejam capazes de ampliar a sua cobertura.

     Segundo Fino, a emissora RTP oferecia vários ângulos de visão durante a Guerra do Iraque. Havia diferentes equipes na fronteira do Iraque com a Turquia e com a Jordânia, acompanhando as tropas norte-americanas e na capital Bagdá. Claro que nem todos os meios de comunicação têm esse cuidado, muitas emissoras norte-americanas faziam propaganda de apoio à guerra, muitas vezes omitindo fatos inconvenientes para eles.

     Quanto a sua experiência pessoal, afirma que quando foi reportar um conflito pela primeira vez era jovem e completamente despreparado. Acha ideal que um jornalista que cubra uma guerra tenha noções de primeiros socorros e conheça os Direitos Humanitários. Explica que o meio de comunicação oferece a oportunidade, paga as despesas, mas os riscos são por conta do jornalista, que, inclusive, não ganha mais por ser correspondente em um conflito.

     Perguntado sobre como lida com o medo explica que, por ser mais velho, está mais preparado para enfrentar a morte. Mesmo que o medo sempre o tenha acompanhado, à medida que participa dos conflitos ganha cada vez mais coragem. Mas procura também não se familiarizar demais com a violência que presencia para não correr o risco de se tornar desumano.

     Sobre como é sua relação com os colegas diz que, entre os jornalistas, as afinidades geram aproximações. Por exemplo, é comum que norte-americanos se aproximem mais dos ingleses e latinos aproximem-se entre si. Reconhece que há troca de informação entre eles, mas nunca se revela tudo. Para Fino, a maneira mais inteligente de ser egoísta é ser solidário, afinal os ventos sempre podem mudar, quem oferece ajuda pode precisar dela mais tarde.

     Quanto ao furo que deu na Guerra do Iraque afirma que, hoje em dia, a tecnologia é capaz de superar a potência dos meios de comunicação. Através do videofone, Fino foi capaz de reportar o início da guerra antes mesmo de grandes emissoras, como a CNN. Conta que isso ocorreu por estar em busca de informações até aquele momento e não ter dormido naquela noite. O que ouviu na época de seus superiores foi: como está acontecendo se a CNN não transmitiu ainda?

     Em contato com o Brasil há cerca de três anos, o repórter pôde fazer um rápido balanço da cobertura da imprensa brasileira sobre a violência que ocorre no país. Acusa não ver uma abordagem sistemática do problema, é como se a solução coubesse apenas à polícia. Os conflitos são sempre retratados a partir do ponto de vista das autoridades. Quanto às notícias internacionais afirma que, com a globalização, os meios de comunicação tendem a divulgar informação padronizada, mas é importante que cada país cultive o seu ponto de vista.

     As reflexões de Fino sobre a atuação do jornalista, os perigos aos quais está sujeito e as limitações às quais pode se submeter, têm importância relevante para o conhecimento das condições de seu trabalho, podendo afetar na cobertura, bem como na informação que chega ao público.

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Graffiti e o Status de Arte

Publicado por caboehm em 20/Outubro/2007

Por Camila Boehm

     O grafite é uma das artes de rua que se espalha pelos muros, túneis e viadutos da cidade. Pode carregar um significado social, político ou simplesmente ser um vazio artístico. Esse símbolo de rebeldia e clandestinidade surgiu na pichação e foi herdado pelo grafite, tornou-se arte.

      No final da década de 1960 e início dos anos 70, jovens do condado de Bronx, em Nova York, fizeram ressurgir essa forma de arte. Há duas teorias complementares que explicam a origem dos grafiteiros modernos. Uma afirma que o grafite surgiu no Hip Hop. A outra defende que tenha surgido em NY. O que une essas duas visões é o fato de esses grafiteiros serem integrantes das gangues dos guetos de NY, onde o Hip Hop sempre esteve presente.

      Desde o começo, a temática era revolucionária, chamando a atenção para os problemas do governo e questões sociais. Os desenhos estavam, em sua maior parte, nos trens, isso, porque a intenção era passar a mensagem para o maior número de pessoas. Os muros eram alvos constantes também.

      Cada grafiteiro tem um estilo, sua marca, e é possível reconhecer tal artista em qualquer de seus trabalhos. Entre eles o reconhecimento é através do grupo a que pertencem, são as crews. Cada crew tem uma identidade própria, artistas com características comuns nos desenhos. Os integrantes, às vezes, conhecem a arte e o estilo dos companheiros do grupo, tem contato, mas não se conhecem pessoalmente, porque estão espalhados pelo México, Chile, EUA, Brasil, etc.

      Mesmo arte, o grafite não é reconhecido, é tratado como marginal. É preciso escolher um lugar onde ninguém vá utilizar, mas que seja visto por muita gente. Não é fácil alguém dar autorização para se grafitar o próprio muro, mas acontece, principalmente, porque os pichadores respeitam os desenhos e não passam por cima, não rabiscam. Um ato de consideração por parte deles. “E foi a partir disso que as pessoas começaram a pedir para grafitar os muros de suas casas”, diz Aline da crew HNF (Hope Never Fails).

      Aline Moraes Creoruska, que trabalha na casa de câmbio do Aeroporto Internacional de Guarulhos, começou a grafitar através do convite de um amigo e por gostar de arte. Ele estuda na ETE (Escola Técnica Estadual) do Brás, onde a maioria dos grafiteiros de São Paulo se conhece e se forma, ela conta. Nunca pichou e acha horrível, o que contraria a lenda de que todo grafiteiro já foi um dia pichador.

      As origens desses artistas urbanos são bem diferentes. Alguns vêm do Hip Hop, outros dos quadrinhos, ilustrações ou artes plásticas e, sim, há os que passam da pichação para o grafite, mas são poucos.

      Cláudio Donato veio das artes plásticas e vive do grafite e da ilustração. Ele afirma que esse mercado está crescendo muito, sobretudo no exterior. Titi Freak, por exemplo, famoso grafiteiro e reconhecido por seus desenhos característicos na região da Liberdade, está na Inglaterra organizando uma exposição de seus trabalhos.

      Outro exemplo da popularização dessa street art é o trabalho de Donato na capa do CD de Marjorie Estiano. A partir de uma foto dela, usou-se a técnica do stencil (uma forma de grafitar usando papel vazado e, então, aplica-se a tinta por cima desse molde) em muros da Barra Funda em SP. As fotos tiradas desses desenhos foram usadas na capa e no encarte do CD.

      Outro processo que existe é o free hand, em que se pinta livremente, cria-se sem a limitação do molde.

      As pessoas, ao contratarem esses artistas, geralmente não querem nada que pareça rude nem rebelde. Querem personagens já consagrados ou mesmo aqueles criados pelos próprios grafiteiros e até figuras abstratas. O preço depende do tamanho do muro, da parede e fica por volta de R$250,00, sem contar a mão-de-obra. As latas de spray são de R$13,00 a 15,00. Mesmo preferindo todo o trabalho feito com spray, os grafiteiros às vezes misturam látex, isso interfere no preço também.

      Quem grafita por puro hobby banca todo o material, trabalha praticamente de graça e pelo encanto e prazer da arte urbana.

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O Baile chega a São Paulo

Publicado por lumigueres em 18/Outubro/2007

Luisa Migueres 

Por Luisa Migueres   

     Em 1980, o diretor italiano Ettore Scola presenteia a história do cinema com o homônimo “Le Bal”. Um musical que conta meio século de história através de um salão de baile. 

     Sempre freqüentado pelas mesmas figuras caricatas, o baile em questão caracteriza-se de acordo com as tendências musicais de cada época. Os personagens também passam por mudanças, tanto na dança, como na moda e comportamento.

     A falta de diálogos é talvez a característica mais marcante no filme de Scola, que na verdade não faz falta alguma, é elemento não apenas bem próprio das cenas, mas também fundamental para uma atenção maior do público aos gestos e trejeitos dos personagens. Não é o tipo de filme que se pode assistir fazendo as unhas. Portanto, existe um cuidado maior em relação às situações retratadas, estabelecendo um limite dramático e cômico. As atuações não são forçadas, o que impede que o silêncio dos atores seja incômodo.  

     A França é o país em questão e o período que define as mudanças da história vai de 1932 a 1980. Nasce a Frente Popular, seguida pelo período de ocupação nazista, a Resistência parisiense, a chegada do rock’n’roll americano etc. Tudo acompanhado por trilhas sonoras marcantes de cada década.

     “O Baile” brasileiro, musical de teatro dirigido por José Possi Neto, renomado no meio artístico – e a cargo de curiosidade, irmão de Zizi Possi – segue o mesmo trajeto do filme, sem diálogos e com uma seqüência dos momentos dos diferentes bailes: a chegada das pessoas, o baile em si,a formação dos casais, a dissolução dos mesmos, as situações engraçadas, a influência dos acontecimentos históricos etc. A situação mais cômica é, sem dúvida, a cena em que dois militares chegam ao baile – durante a ditadura militar – e apreendem todos os objetos que encontram da cor vermelha, fazendo uma referência a perseguição dos comunistas.

     Jean-Claude Penchenat, detentor dos direitos autorais de “O Baile”, deu a seguinte orientação, quando a proposta de montar o espetáculo lhe foi apresentada: todas as montagens da peça devem retratar a história do país em que forem encenadas. Portanto, a montagem brasileira apresenta quatro décadas da história do Brasil – do suicídio de Getulio até a reconquista da democracia. Penchenat é também um dos criadores do Théâtre du Soleil, diretor do Théâtre du Campagnol e foi o responsável pela contratação de Ettore Scola para fazer o filme.

     A produção ficou por conta da atriz global Tássia Camargo, que realiza o projeto idealizado há 7 anos. São 20 atores, 150 figurinos e um quinteto musical reproduzindo músicas populares marcantes na história brasileira. Foram montados 7 bailes diferentes: do Catete, Anos Dourados, Baile da Alvorada, dos Estudantes, Baile Psicodélico, da Discoteca e, por último, o Baile da Saudade, onde os freqüentadores se encontram para uma última dança.

     “O baile” está em cartaz no Teatro Cultura Artística – Sala Esther Mesquita, na Rua Nestor Pestana, 196, as sextas e sábados (21 h) e domingos (18 h) até 25 de novembro. Os preços vão de R$40,00 a R$80,00.

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Bicicleteiros fazem protesto clandestino

Publicado por carlacarrara em 17/Outubro/2007

Por Carla Carrara

     Desde o dia 24 de fevereiro desse ano o transporte de bicicletas no metrô está liberado aos sábados, das 15h às 20h, e aos domingos e feriados, das 7h às 20h. Isso não só facilita a vida dos ciclistas como incentiva as pessoas a praticarem esportes.

     Não obstante com essa nova medida, os bicicleteiros da cidade de São Paulo fizeram um apelo nas principais avenidas reivindicando uma ciclovia: durante um encontro de ciclistas ativistas, a Bicicletada, na noite de 31 de agosto, eles desenharam, clandestinamente, bicicletas brancas na pista direita de avenidas como a Sumaré e a Paulista. Porém, explica o atuante do grupo e jornalista Beniggio: “São pessoas que foram ao encontro e resolveram protestar isoladamente”. Os principais objetivos deles são: divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.

     Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, em vias municipais, apenas a prefeitura pode fazer a sinalização. “Só o poder público pode fazer isso”, explica o advogado Cyro Vidal. Ainda não há uma punição estipulada para a infração. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), responsável pelo sistema de sinais na cidade, desconhecia os desenhos, que por sua vez serão avaliados para saber se serão apagados.

     O aluno da Global Village, R.C.*, alega que morou em Vancouver por seis meses e os ciclistas tinham uma faixa exclusiva com o desenho no chão, que por sinal é o mesmo que o da manifestação. Além disso, “a bicicleta pode ser carrega em todos os meios de transporte público, todos os dias da semana”, no entanto não nega que a medida tomada em fevereiro no Brasil seja um grande progresso.

     E a pergunta que não quer calar: será que uma ciclovia diminuiria o mundaréu de carros que passa por essas grandes vias urbanas? O urologista de 46 anos, que pelada aos domingos com um grupo que sai da frente da Fnac, Wagner Ávila, acredita que “se houver um bom planejamento, as ciclovias deveriam existir nas principais avenidas da cidade” e que isso com certeza acabaria incentivando as pessoas irem trabalhar de bicicleta. “Nos fins de semanas, teríamos um público muito maior. Com isso as pessoas vão estar se exercitando, menos poluição, maior confraternização e melhor uma qualidade de vida”. Assume ainda ter inveja de seu amigo que mora em New York e vai trabalhar três vezes por semana de bicicleta.

     Um grande exemplo de que as pessoas estão se conscientizando em São Paulo foi a participação, pela primeira vez, do Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro). O evento começou em 1998 em 35 cidades francesas, se expandiu para a União Européia e em 2001 chegou no Brasil.

     O acontecimento teve muitos adeptos. No final de semana, foram mobilizados mais de 300 funcionários da CET para interditar e desviar 130 km de vias para a realização das atividades programadas.

* A pessoa preferiu não ser identificada.

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Mudança de itinerário de ônibus prejudica moradores de Perdizes e estudantes

Publicado por barbaragm em 16/Outubro/2007

Por Bárbara Guimarães

     Há aproximadamente um mês, a SPtrans alterou o itinerário da linha 637H Jardim Helga – Metrô Barra Funda, que agora se chama 637H Jardim Helga – Pinheiros. O ônibus não passa mais por Perdizes e Barra Funda, prejudicando assim vários moradores e estudantes da PUC-SP.

     A mudança ocorreu pelo fato de a empresa que era responsável pela linha, Cooperauhton, ter sido cassada após 3 de seus ônibus terem soltado as rodas, acidentes que deixaram 9 feridos e 1 morto.

     Segundo a SPtrans, a opção para os passageiros que desejam ir à região da rua Cardoso de Almeida é utilizar a linha 177P Butantã USP – Pedra Branca, que além de efetuar o trajeto dos pontos não mais atendidos pela 637H possui frota dimensionada para atender a demanda extra com intervalo de oito minutos no período da manhã e 15 minutos no período da tarde.

     Os usuários, entretanto, não estão satisfeitos com a troca, e contradizem as informações fornecidas pela SPtrans. Segundo os entrevistados, o período de tempo entre os ônibus Butantã-USP é de 25 a 30 minutos no período da tarde. Outra reclamação é a de que, com a retirada do Jardim Helga, tanto o Butantã-USP quanto o Metrô Ana Rosa (ônibus que faz o mesmo trajeto que o Butantã-USP até rua Doutor Arnaldo, e segue para a Avenida Paulista), estariam constantemente lotados.

     Há ainda reclamações de pessoas que, com a retirada do Jardim Helga, são forçados a pegar mais de um ônibus, é o caso de Rodolfo Barros, que estuda publicidade na PUC-SP. Ele mora no Morumbi e atualmente pega 2 ônibus para ir para casa.

     A SPtrans afirma que não há previsão para a reposição da linha, e que, por enquanto, está apenas registrando queixas dos que foram prejudicados pela troca. O telefone para realizar essas reclamações é 0800-7710118.

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